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quinta-feira, 29 de dezembro de 2005



Hoje eu comprei um picolé premiado e ganhei outro.

Ganhei um montão de presentes no Natal. Minha amiga secreta me deu vários, todos a minha cara, minha amiga miseravona me deu um tijolo, que não deixa de ser a minha cara.
Filei a ceia de Natal da família dos outros mais uma vez. Na casa da cunhada, depois na casa do amigo Sávio. Um mói de amigos.
O dia amanheceu e estávamos na casa das minhas primas. Só eu, Kedmma e Iris acordadas, enquanto todos os outros tinham ido dormir.
Foi bom. Foi muito bom receber todos os presentes.

Ando muito pensativa esse fim de ano. Queria começar tudo novo na minha vida, mas parece que as mesmas paranóias jamais me abandonarão.
O coração apaixonado, como sempre esteve, sabe-se lá por quê ou por quem. Aquela aflição de sempre.
E lembro muito dos amigos distantes e das pessoas que um dia foram importantes na minha vida.
O amigo italiano Raul Strada, que salvou meu niver desse ano de uma baita má sorte trazendo um bolo pra mim: "Aniversário sem bolo e sem sorvete, não é aniversário" (com sotaque italiano).
É... ele foi embora, voltou pra Itália, pro Equador, sei lá pra onde e talvez a gente nunca mais o veja ou fale com ele novamente. Não deixou nenhum contato, não disse adeus, nem tchau, mandou apenas um torpedo pra Jamille deixando um beijo eterno. Coisa triste!

Uma coisa é certa nesse novo ano: muita gente nova e legal aparecerá e também irá embora. Num círculo vicioso e doloroso porque sempre me apego demais a todo mundo.
Então termino o ano com uma baita saudade de muita gente e muita coisa que aconteceu, ou que vai acontecer, ou que nem mesmo sei o que é.
E é isso aí, Falei e Disse, e se eu não voltar mais por aqui esse ano... Feliz 2006 pra todo mundo!!!!!!

sábado, 24 de dezembro de 2005

Ah, então é Natal, hein? Humpf!

E o cara na porta da loja gritava no microfone em ingrês e sergipanês: "Méri Crismas! Méri Crismas! Feliz Natchal!"

O irmão de Fábio, vestido de palhaço na porta da Insinuante, também desejava Feliz Natal, mas passei e ele fez de conta que não me conhecia.

Ganhei presentes. Alguns, mas tão especiais que fiquei emocionada.

E é só.

Gosto de Natal não.

Mas, Feliz Natal aí, galera!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Ih, hoje eu tô pra baixo não queiram nem saber.
Eu sei que é chato ficar ouvindo lamentação de outros, mas deixa eu falar só um pouquinho?
É que, sabe quando você gosta muito de fazer uma coisa e te privam disso?
Eu amo cantar na igreja, pra mim é a coisa mais sublime que existe, cantar... louvar ao meu Deus... mas estou proibida de fazer isso pelo dirigente da igreja porque não sou mais membro. Fui excluída. Palavra feia. Só posso cantar uma vez no mês. Nos sábados à tarde. Definiram esse dia. Cantar perdeu o sentido.
Quero cantar quando sentir vontade, quando minha alma pedir... mas não posso...
Não tá entendendo nada, né? É... eu também não entendo, mas também tem muita coisa que eu não entendo e tenho que aceitar. Aceitarei. Ou não.

Hoje eu fiz o concurso dos meus sonhos. Fiz e estava um calor miserável. Pra você ter uma idéia minha cabeça ficou morna, minha roupa, minha bolsa, sem brincadeira, dentro da sala eu pegava no meu cabelo e ele estava quente. Eu estava com calor, estava com sono, com fome, com cólica... dava pra fazer uma prova decente? Estava era louca pra ir pra casa. Deixa o sonho pro próximo concurso.

Acordei também cedo pra caramba. Minha mãe ligou preocupada porque meu irmão estava desaparecido desde sexta-feira. Ela achava que ele estava em Maceió mas não conseguia entrar em contato. Mandei Fábio nas carreiras na casa da sogra de meu irmão pra ver se ela sabia de alguma coisa.
Realmente meu irmão estava viajando com a namorada. Pôxa, mas custava avisar?

Pra completar um amigo de quem eu gosto me disse seriamente que eu era falsa. A irmã dele afirmou que era por causa da minha sinceridade, eu tinha magoado ele.
Fiquei triste. Por mim. Por ter magoado alguém. Fiquei magoada também. Mas ser sincera significa ser falsa?

Ah, deixa pra lá, no final das contas acho que estou apenas na TPM.
Depois passa.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Mulher no volante...


Sou uma péssima motorista. Confesso. Mea Culpa, mea culpa.
Comprei o carro em junho, mas há 5 anos eu tento ser uma motorista.
Já tinha habilitação com uma foto feia do caramba, que foi trocada por outra mais bonitinha e agora está uma horrorosa de novo. Quanta renovação e a motorista aqui nada de se aperfeiçoar.
Vai ver que eu sou perfeccionista, minha autocrítica seja exacerbada, algo assim.

Lembro que comecei a aprender a dirigir com 16 anos... isso foi há... há alguns anos atrás. Pouquíssimos anos, por sinal.
Meu pai que me ensinava e tinha uma paciência que Deus benza! Certa vez eu ia em velocidade de cruzeiro pelos jardins da CHESF quando meu pai começou a gritar desesperadamente: "Olha o pé do rapaz, olha o pé do rapaz, OLHA O PÉ DO RAPAZ!!!!!" E puxou o volante violentamente. Pé do rapaz? Que pé? Que rapaz?
Outra vez gritou comigo, sem motivos, claro, enquanto eu subia uma ladeirona.Era uma ladeirinha, mas era uma ladeira que me exigia uma certa concentração. Eu parei no meio e não consegui subir mais nem com reza braba. Até hoje tenho trauma de ladeira.

Na auto-escola em Paulo Afonso, aí sim, eu conseguia dirigir direitinho. O instrutor, marido de uma amiga da escola, tinha maior boa vontade comigo. Não reclamava nadinha quando eu passava por cima dos quebra-molas sem perceber. Era um doce!

Já aqui em Aracaju... sabe que a maioria dos homens sergipanos são cavalos? Cavalos batizados na ignorância. Eu tive a péssima sorte de pegar um que tinha acabado de ser corno e resolveu descontar as frustrações dele em cima de "moá".
Ele era uma delicadeza de pessoa em indicar a esquerda ou direita. Era assim: "POR ALI, MINHA FILHA! VÁ, CRIATURA! MAIS PRA LÁ, FIA DE DEUS".
Aí 'cabou! Larguei o carro no meio da rua, mandei ele pra casa da frecha, e ainda fiz a caveira dele pra o dono da auto-escola.

Mudei de instrutor. Mas dessa vez o carro era um chevette. Troquei de carro. Dessa vez o instrutor só fazia dar em cima de mim. Reprovei na prova do Detran. Uma, duas vezes. Mudei de auto-escola. E até que enfim consegui ser aprovada. Acho que tiveram pena de mim.

Lembro hoje que fui recebida por uma banda e inúmeros aplausos no trabalho. Exagero, claro, mas fizeram a festa perguntando por quanto eu tinha comprado a carteira. Pura maldade!

Aí, finalmente, depois de anos habilitada e sem dirigir, compro meu carro. Agora eu tinha que perder o medo e meter as caras. Pra frente, tudo bem, mas quando o negócio é dar ré e estacionar, aí o bicho pega.

Pra completar, na academia o estacionamento é num calçada bem, mas beeeem, inclinada. Meia-embreagem pra mim é o fim. Estacionar fazendo meia-embreagem, pior. Aí eu estacionava na calçada vizinha que era plana, até que o dono veio reclamar dizendo que a calçada dele tinha sido muito cara pra qualquer carro vir estacionar em cima.
Qualquer carro?! Qualquer carro??!! Arrasou comigo. Fiquei tão arrasada que não consegui dar ré na avenida e estacionar na super calçada inclinada.
Estacionaram pra mim. Thudjo bem! Mas e na hora de sair? Carro de um lado, carro do outro, carro bem atrás. Ô, drama! Toda vez era uma pessoa diferente que tirava o carro pra mim. Foi bom porque fiz algumas amizades que me deram altas dicas sobre a arte de dirigir bem.

Agora não, agora eu estou "cracona". Tiro e coloco o carro sozinha sem ajuda de ninguém. Moleza.
Dirijo "fortão" no meio dos carros na hora do rush. Não sem tremer de medo, né, mas dirijo.

Outro dia eu bati o retrovisor saindo da garagem de casa. Fábio me deu um grito tão grande que parecia que eu tinha era batido nele. Quebrou o espelho, mas... tá... besteira, pior ele já fez e ainda deixou todo esbagaçado o carro da mãe.
Eu não sou tão ruim assim... só não consigo entender porque ninguém tem paciência comigo!

Falei e Disse.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Pense numa pessoa perturbada é a minha mãe! (Frase tipicamente sergipana)
Na época da novela América (época? Faz teeempo, né?), minha mãe se injuriava com a cara de babaca do Glauco e todas as vezes que tinha uma cena dele com a Lurdinha Pires minha mãe imitava a cara dele. Mas era uma careta tão feia que eu pedia pra ela repetir mil vezes só pra me acabar de rir.
Minha mãe gosta de imitar a cara do povo. Ela é mangadeira. Acho que eu puxei a minha mãe.
Mas a gente não manga só da cara do povo, a gente manga da gente também.
Outro dia estava eu deitada na cama da minha mãe, conversando com ela, rindo, falando do apartamento, da decoração e lembramos da reforma que fizemos aqui. Trocamos piso, pintamos tudo, textura nas paredes que nunca ficava do jeito que eu queria, poeira em todo canto, bagunça, briga, contrariedades... fiquei estressada.
Já contei isso? Acho que não. Fiquei estressada mesmo, tive dores de cabeça horríveis, diarréia, vômito, insônia... Eu fiquei tão mal que de noite sonhava que debaixo do meu colchão tinha um monte de cerâmica. Uma noite eu sonhava correndo atrás da cerâmica, na noite seguinte era a cerâmica que corria atrás de mim.
Enquanto eu morria, minha mãe comia o juízo dos pedreiros e do pintor. Parecia uma mestre de obras.
Tudo era pra ser feito em 5 semanas, minha mãe conseguiu a proeza de fazê-los terminar os trabalhos em um pouco mais de duas semanas. Mas tinha que ser assim, senão eu ia endoidar. Na hora do almoço eu já estava pedindo pra passar o prato de cerâmica pra eu comer um pedaço.
Só sei que no meio da confusão baixei o pronto-socorro porque nenhum analgésico mais fazia efeito.
O doutor receitou um traqüilizante e um enfermeiro caolha veio aplicar o medicamento.
Rapaz, foi a pior parte. É sério. O cara tinha um olho cego, furou minha mão três vezes e não conseguiu aplicar o soro. Três vezes futucando a minha mão direita e torcendo a agulha pra ver se achava a minha veia. Pra você ter uma idéia saiu tanto sangue que sujou a mão dele no meio da futucação.
Eu já estava chorando de dor, Fábio dizendo: "É assim mesmo!", minha mãe reclamando, meu pai olhando com um olho feio (quem conhece o olho feio do meu pai sabe como é) e o enfermeiro caolha abusado brigando: "A senhora quer saber mais do que eu?". Até que outra enfermeira viu a bagunça e, pacientemente, conseguiu colocar o diabo da agulha direitinho logo de primeira na minha mão esquerda.
Bom, nem vou contar que o tranqüilizante me deixou grogue, né? Fiquei tonta, mas não dormi nem com a bexiga. Só fiquei boa mesmo quando tudo voltou ao normal. Minhas coisas em seus devidos lugares, casa limpa e arrumada. Ufa!
Mas até hoje quando a gente lembra minha mãe ri de mim. Imita a minha cara, a cara do meu pai, a cara do pedreiro, do enfermeiro, a cara de todo mundo e repete: "Que engenheira é essa? Se numa reforma ficou assim, se fosse construir um prédio, morria!"
Essa é a minha mãe!

Falei e Disse.