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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Saudade em várias línguas

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o quê..
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

(Clarice Lispector)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Nas pontas dos pés

“Sobre cada dia ela se equilibrava nas pontas dos pés, sobre cada frágil dia que de um instante para outro poderia se partir e cair em escuridão. Mas ela milagrosamente o atravessava e exausta de alegria e cansaço chegava a dormir para o dia seguinte surpreendida recomeçar.” 

--Clarice Lispector


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

"Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, e falta de ar..."

--Clarice Lispector

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Por não estarem mais distraídos

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
 
--Clarice Lispector

sábado, 11 de agosto de 2012

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Não gosto de gente séria

"Tive assim, no correr da vida, muitos contatos com gente séria. Vivi muito no meio das pessoas grandes. Vi-as muito de perto. Isso não melhorou, de modo algum, a minha antiga opinião".
(Exupèry)
Eu sempre falei que tinha aversão ao gênero humano, sempre me considerei uma misantropa, mas sei que não é exatamente isso, minha aversão é a pessoas sérias, à gente grande que não sabe brincar, que leva tudo à ferro e fogo, ao pé da letra, que não tem senso de humor. É por isso que gosto mesmo é de gente boba, engraçada, espirituosa, gosto de gente idiota.

A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
(Arnaldo Jabor)

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. (Marcos Lara Rezende) Alguns eu penso que são inteiramente bobeira e esses são os mais divertidos. E Clarice Lispector até explicou e exemplificou as muitas vantagens de ser bobo, dizendo ela que há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! 

Deve ter sido por causa dessa minha predileção que casei com um mineiro nada sério, divertido, engraçado, espirituoso e bobo. Aviso: não confundir bobos com burros. Porque se ele assim fosse, não teria casado comigo. Hehehe!!! 

sábado, 22 de outubro de 2011

Cansada

E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, 
disse ao recém-namorado:
- Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?

-- Clarice Lispector

Sem assunto de tão cansada. Passei o dia rodando os hospitais para resolver as pendências burocráticas relacionadas à cirurgia de painho. Eu e mainha, mainha e eu fomos duas vezes no Hospital São Lucas, duas vezes no Hospital Cirurgia, três vezes no escritório do plano de saúde, mais uma ida no escritório do outro plano, outra parada para receber os medicamentos, e estaciona aqui, estaciona acolá, faz baliza, desfaz, procura uma vaga, paga o flanelinha... Aff! Ufa! Para arrematar, supermercado, academia e receber as visitas em casa para painho. Minha vida é um sucesso, mas que horas é que eu paro para estudar para o próximo concurso? Sem comentários com relação ao último, fiquei na média. Mas para quem não sabia nem a diferença entre Constitucional e Administrativo eu fui muito bem. O importante é não desistir. E tenham uma boa noite.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A Dona da Casa

E se me achar esquisita,
respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar.
Clarice Lispector

Depois de um final de semana de ócio onde deixei a casa de pernas para o ar e fiquei só colada em marido meu, assistindo filme, namorando ou dormindo, volto então à rotina da segunda-feira.

Aos finais de semana é ele quem cozinha, e eu, supostamente, devo lavar os pratos, mas confesso que nem isso fiz. Hoje pela manhã ao acordar, lembrei da pia cheia de prato e já fiquei meio deprê. Ainda mais depois que voltei do dentista sem conseguir terminar o tratamento, pela terceira vez. Quando cheguei em casa só queria ignorar a bagunça e voltar a dormir. Deitei, toda enrolada dos pés a cabeça, quando de repente me lembrei do texto bíblico:

"Como a porta gira em suas dobradiças, assim o preguiçoso se revira em sua cama. 
 A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes se farta". 
(Provérbios 13:4 e 26:14)

Misericórdia! Levantei-me de um pulo e decidi não me entregar. Time is money! E fui fazendo uma coisa de cada vez, mesmo de má vontade - arrumei a cama, lavei os pratos, pus as roupas na máquina, arrumei a bagunça, pus cada coisa em seu devido lugar e por fim atualizei nossa planilha de orçamento... gente, tenho vocação para dona de casa não. Como já ouvi alguém dizer: Quero ser A Dona da Casa, não dona de casa. 

Serviço de casa é o mais ingrato que existe, não se tira frutos dele, não se ganha nada com ele. Tudo que se faz é desfeito em poucos segundos. Aff. Mas não era eu, toda soberana, quem dizia, nos momentos de stress total no trabalho, que queria apenas bater um bolo, ler, tocar piano e esperar o marido chegar em casa, então... 


Tanto otimismo me deixou animada para o treino de musculação à noite. Nunca fiz tantos abdominais na minha vida! rs! Estou começando a achar que os afazeres domésticos não são tão ingratos assim. Que bom. :)

domingo, 4 de setembro de 2011

Flamengo x Bahia - 1x3


Camisa do Bahia - R$89,90
Consumação mínima no bar para ver o jogo - R$30,00
Ver o Bahia ganhar do Flamengo - Não tem preço! 

"E todos os dias ficarei tão alegre que incomodarei os outros,  o que pouco me importa,  já que eu tantas vezes sou incomodada pela alegria superficial e digestiva dos outros." Clarice Lispector

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Tá na hora de morfar!

Quero que me dêem isto: não a explicação, mas a compreensão.
Clarice Lispector

Diante da atual conjuntura e em virtude dos fatos recentemente ocorridos, a única coisa que posso dizer é: tá na hora de morfar!
Não posso dizer que não tentei. Tentei. E muito. Agora tenho que caçar outros rumos, porque o mundo é pequeno e o trecho menor ainda. Não dá pra continuar sentada num trono de apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando nem sei o quê chegar. Foi muito bom enquanto durou. Curti você bastante mas, casinha, tá na hora de eu começar a me desligar de você, pelo menos no coração, pelo menos for a while. Ah, minha cama box tão fofinha... minha fonte de águas murmurantes... meu tapete vermelho que tanto me abraça em tardes mornas... já estou sentindo saudades de todos vocês. Muita. Mas me espera, eu volto. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

36 anos de casados

 Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
Clarice Lispector.

Hoje meus pais completaram 36 anos de casados. E eu achando que estava abafando com meus quase 7 meses de casada... rs! Num mundo onde divorciar tá mais na moda que casar, fico feliz por ver meus pais casados por tanto tempo. Sei que tolerância e respeito são essenciais na construção de um casamento duradouro, e amor, claro, porque sem esse último requisito o dia-a-dia seria insuportável. Parabéns, mainha e painho. Amo vocês.  

sábado, 2 de julho de 2011

O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

Clarice Lispector

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Misantropia pura

Às vezes me dá enjôo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E é só.
--Clarice Lispector

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um sonho doce

"Sou apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer."
Clarice Lispector

 

Não tô fazendo uma propaganda básica...
é só pra dizer que esse foi o gosto do nossos 3 meses de casamento. Dilíça!
Bem Páscoa, né?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Beco sem saída

Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída. 
-- Clarice Lispector

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; 
minhas tristezas, absolutas. 
Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. 
Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.
Clarice Lispector

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Apesar de

“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra pra frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.” 
(Clarice Lispector)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Das Vantagens de Ser Bobo


O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
Clarice Lispector

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


"Minha saudade anda assim espalhada, apertada, sufocada em pequenos espaços geográficos onde pedaços do meu coração residem". 

(Clarice Lispector)