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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Periculosidade

No dia em que fugi de um enxame de marimbondos e tomei carreira de boi (que marido meu teima em dizer que só podia ser uma vaca... mas vaca tem cifres?), finalmente compreendi porque ganho 30% de periculosidade.

Como disse uma grande amiga minha: 

"Eu ganho acréscimo de 30% pra comer de prato feito com direito a suco, e ter bons amigos entre os que abrem valas, enquanto os meus colegas de estudo me ameaçam a vida... rs... Tenho uma vida profissional em preto e branco, não por ser pouco colorida mas por ter tanto contraste"!

Isso bem podia ter sido escrito por mim.

Sim, a gente trabalha.
E hoje não cheguei em casa com o dia claro, nem marido meu está para chegar, nem recebi notícia boa alguma. Meio triste.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O trabalho dignifica o homem...

... e a mulher também.


O tal dos direitos iguais veio junto com os deveres iguais. O uniforme também é igual, um P masculino que só uma boa costureira para dar um jeito de adequá-lo às nossas curvas tão femininas.  Mas tá bom assim, nossa única preocupação é usar um esmalte que constraste com o laranjão do uniforme resistente a fogo. Adoro!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Teoria da Conspiração

Teoria da conspiração (também chamada de conspiracionismo) é qualquer teoria que explica um evento histórico ou atual como sendo resultado de um plano secreto levado a efeito geralmente por conspiradores maquiavélicos e poderosos...

(Fonte: wikipedia)

Estranho... 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Vida de Peão

Cada palmo dessa estrada eu conheço bem
Vou levando a minha vida neste vai e vem (...)

Já passei tantos janeiros
Já senti tanta saudade
Cada ida, cada volta é só felicidade

(Rédeas do Possante - Zezé Di Camargo e Luciano)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

7 Cidades

Sem ele eu fico um pouco menos feliz. Eu fico desorientada. Fico feito barata tonta. Entro e saio de todos os ambientes. Durmo, acordo, arrumo a casa, lavo os pratos, sujo, lavo novamente. Tiro as roupas do varal, dobro, lavo o que resta no cesto. Vou a academia, volto e não sinto o cheiro de janta pronta. Espero, espero e ele não chega. É estranho ficar distante e permaneço ansiosa o dia inteiro. 

Excetuando-se nossas cidades natais, já passamos por 7 cidades: 
  1. Esplanada
  2. Salvador
  3. Teixeira de Freitas
  4. São Mateus
  5. Itabuna
  6. Maceió
  7. Aracaju
 "Com você eu iria aos lugares mais inóspitos"... e continua sendo assim. Meu lugar é ao lado dele, não importa onde seja.  Então que venha a oitava cidade: Recife, here I go!


(...)"Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui
Meu espírito se perde, voa longe"...
(Sete Cidades - Legião Urbana)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Começar de Novo

‎"Para o que vale a pena, nada é muito tarde para ser quem você quer ser. Não há tempo limite. Você para quando quiser. Você pode mudar, ou ficar igual – não há regras para isso. Nós podemos tirar o melhor ou o pior disso. Eu espero que você tire o melhor. Eu espero que você veja coisas que te deixem sobressaltada. Espero que você sinta coisas que nunca sentiu antes. Eu espero que você conheça pessoas com um ponto de vista diferente do seu. Eu espero que você viva uma vida que se orgulhe. Se você acha que não está acontecendo, eu espero que você tenha a força para começar tudo de novo"

-- O Curioso Caso de Benjamin Button


Fiquei um tempão olhando o aviãozinho subindo. Até quando ele sumiu no céu escuro, por trás da lua cheia, eu ainda continuei olhando. O saguão ficou vazio e voltei para casa sozinha. Pensei que fosse chorar, engasgar, deprimir. Mas não. Nem feliz, nem triste, apreensiva talvez. Preocupada em encontrar logo uma nova casa para morar. Uma casa sem tantos confortos, mas mesmo assim, será nossa casa. Ou seria um ponto de apoio? Mais um entre tantos por onde passamos. Como poderia ser diferente? Eu o conheci assim. Viajando, mudando, começando sempre tudo de novo. 


sábado, 17 de dezembro de 2011

Amigas para sempre

Eu lembro bem quando ela chegou. Já era noite, eu já estava deitada, mas levantei para abrir a porta para que ela entrasse. Ela estava vestida de astronauta - um casaco de frio pesado demais para o frio ameno do sul da Bahia. A primeira impressão que tive, era que ela parecia mais uma professora de primário do que uma técnica de segurança do trabalho. Muito educada, dizendo sempre boa noite, com licença, por favor, obrigada. Quase pisando em ovos. Como  as outras colegas de república não lhe foram muito receptivas, senti que eu deveria tratá-la melhor. Ofereci meu quarto para que ela não dormisse na sala, ofereci minhas panelas e pratos, e passamos a dividir as compras a partir daquele dia. As compras, as conversas, as risadas, as alegrias e até as lágrimas. Dividíamos até o Mah Jong no celular, após o almoço, e as revistinhas de palavras cruzadas que ela trazia sempre que voltava da folga. 

Era ela quem sempre me arranjava as caronas para o trabalho. Certa vez me esqueceu por lá, com fome e com raiva. Brigamos, uma das muitas brigas, mas era sempre ela quem dava o braço a torcer, ficava batendo na minha janela, me chamando de Erikazinha, pedindo pra que eu a deixasse entrar e pudesse conversar comigo. Sempre fazíamos as pazes. Dividimos muitas risadas. Muitos passeios. Comprávamos as mesmas sandálias, as mesmas roupas de praia. Tá certo que depois de uma semana, aquela pessoa polida, e educada, virou uma desbocada, cheia de palavrões na boca (risos!), uma louca durante a TPM. 

Costumávamos dizer que tínhamos um cabo USB ligando nossas mentes. Não era preciso que eu falasse nada, bastava olhar pra ela, para que tudo fosse entendido. Não era preciso explicar nada, a gente ria só do que imaginávamos.

Engraçado como uma pessoa do interior da Bahia tenha tido uma infância parecida com outra do interior do Rio de Janeiro. Como duas pessoas de regiões diferentes do Brasil tenham tantas semelhanças. Continuo a me surpreender com as amizades que o trecho me trouxe. Inesperadas e especiais. Dizem que é preciso morar com alguém para conhecê-la melhor, e que quase sempre os defeitos se tornam irritantes e insuportáveis com tamanha convivência. Agora, imagine comigo: trabalhar com essas pessoas, morar na mesma casa, passar os finais de semana com elas, fazer os mesmos passeios e programas, e apesar disso tudo, ainda tê-las em alta conta. Diga aí, são ou não são pessoas mais do que especiais? A última vez que vi Thata foi há quase 2 anos atrás, na rodoviária de Teixeira de Freitas. Ela indo de folga e eu indo embora, voltando pra casa. Ela chorando de um lado da grade e eu do outro. Naquele momento eu tive certeza que tínhamos nos tornado mais do que amigas. Irmãs.

Hoje conheci os sobrinhos dessa minha amiga, eles vieram do Rio passar férias com a família do pai, que é daqui de Aracaju. Agora entendo porque a tia babona falava o tempo todo neles, são crianças lindas e apaixonantes! 

Clara e Arthur aqui em Aracaju. 
Minha primeira foto com o papai noel, graças a Clara! rs!

Arthur é uma figurinha com seus 5 anos. 
 Amei conhecê-los. A família Drumond ficará guardada no meu coração pra sempre. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Já morei em tanta casa que nem me lembro mais...

Não é bem verdade, eu lembro, sim. Não tem como esquecer meu primeiro lar, a residência dos meus pais, hoje perdeu todas as características de casinha na Vila da Chesf, com muro baixo de pedra, planta tapa-muro e piso vermelho, mas as lembranças da minha infância e adolescência ainda permanecem lá. Já o meu primeiro lar aqui em Aracaju continua do mesmo jeitinho de 16 anos atrás. Deste tenho lembranças ruins aos montes, algumas tristes, outras muito triste e poucas (mas boas!) bem engraçadas. 

Gosto de relembrar as repúblicas por onde passei, é de onde tenho as lembranças mais intensas dos últimos anos. A primeira era toda pintada de verde clarinho. Era uma casa muito boa, grande, com uma cozinha nos fundos que dava para um espécia de mini-bosque, onde eu costumava ver o sol se pôr. Meu quarto era pequeno, o menos privilegiado, mas tinha uma  saída independente, o que facilitava quando era preciso chegar mais tarde sem acordar as outras colegas engenheiras. 

Quintal da república em Esplanada
Minha segunda república, se assim posso considerá-la: um sobrado amarelo onde encontrei o amor da minha vida. Boas recordações, a churrasqueira ao lado, a neblina que podia ser vista da janela do primeiro andar.... 
Esplanada-BA
Já em São Mateus, a casa na praia de Guriri era meu refúgio nos fins de semana. Uma delícia no verão e também no inverno, com um friozinho gostoso e aconchegante. Detalhe para as acácias no quintal da frente, que floresciam de tempos em tempos pintando o chão de amarelo. 

Guriri, São Mateus-ES
E por fim, esta foi meu lar por dois anos em Teixeira de Freitas-BA. No início eu morava sozinha nessa casa enorme sem vizinhos do lado. Rua de chão batido, quando chovia era um horror. Lugar perigoso, dormia morrendo de medo, apesar da cerca elétrica, do portão eletrônico, pra mim não adiantava muita coisa. Mais tarde, casa mais populosa, ficou conhecida como a República das 7 Mulheres ou das Irmãs Metralhas (detalhe para o número da casa: 171). Muitas lembranças, muita saudade, principalmente das amigas que moravam aí, dos amigos e agregados que a frequentavam sempre. Só restou uma foto para ilustrar as muitas histórias. 

Teixeira de Freitas - BA
Depois dessas passagens por repúblicas e por uma morada de 1 ano em Salvador, numa avenida barulhenta, super movimentada, estressante, mas de onde dava pra ver uma pontinha distante do mar que me trazia breves acalentos, estou agora no que posso chamar de Meu Cantinho - onde tudo foi escolhido a dedo e com muito carinho - o lugar mais gostoso do mundo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sim, eu sou do trecho!

O post Eu Sou do Trecho é disparado o mais visto deste blog. A maioria dos visitantes chega nele através dos mecanismos de busca e a sua popularidade me faz pensar em quantas pessoas vivem ou viveram essa experiência de ter que viajar para outros lugares distantes do país e do mundo para poder trabalhar. 

Lembro que caí nesse tal "trecho" de paraquedas. Estava fugindo de ter que trabalhar em Salvador quando surgiu uma proposta de entrar numa empresa de construção de gasodutos aqui em Aracaju. Não sabia eu que estava adentrando num mundo pitoresco, cheio de particularidades, aparentemente pouco atraentes, mas incomodamente viciantes. 

Quando comecei a trabalhar nem sabia o que era um Side Boom, e meu chefe não estava muito interessado em querer me ensinar, apesar de eu ter sido contratada como engenheira trainee. O linguajar de obra também me era estranho (não sabia o que era "pedir boca", "amarrar a lata" e muito menos o que significava uma "leira") e não compreendia porque a maioria trabalhava de domingo a domingo, sem direito a feriado ou dia santo, e nem por isso reclamava (tanto). 

Side Boom - equipamento usado na movimentação dos tubos.
Só passei a compreender melhor o que era o trecho quando a obra mudou para o interior da Bahia. Morar em Repúblicas é uma experiência à parte. A convivência, o estar longe de casa, sem suas "coisas" e com seu guarda-roupa resumindo-se a duas malas, no máximo, era muito estranho, mas com um gosto de liberdade e desapego único. 

Enquanto estava em Esplanada minha experiência resumia-se apenas ao Canteiro, mas só em Teixeira de Freitas é que pude vivenciar o trecho de verdade, com seus morros, sol de quarenta graus, poeira, chuva, lama e muito cansaço. Apesar de todo o desgaste físico (e da raiva que eu passava), o dinamismo de andar nas "fases", intercalando a estagnação de estar sentada no escritório, fazia o trabalho ser gratificante.  

Antes que alguém pergunte, sim, esse negócio horroroso
nas pernas (perneiras) é um EPI e portanto, obrigatório. 
Não posso deixar de falar também do aspecto sentimental. No trecho os amores muitas vezes são intensos e quase sempre duram muito pouco. Casamentos acabam, mas outros são construídos (conheço muitos casos) e foi nessa época que conheci Marido Meu. Sim, o trecho me apresentou aquele que poderia ser apenas mais um e na verdade se tornou o único. Eu que estava ali por pura aventura, encontrei o amor da minha vida! Casei-me com um trecheiro, quem diria!

Além dele tenho que falar das amizades que fiz. Pessoas tão especiais, com quem convivi dia e noite durante tanto tempo, que só de lembrar que estão  hoje longe de mim, me parte o coração. Talvez eu nunca mais volte a trabalhar com esses amigos novamente, talvez eu nunca mais conviva com eles novamente, mas vou levá-los comigo para sempre. É muita saudade. Mas isso é assunto para um outro post. 



sábado, 20 de agosto de 2011

Mulheres na Construção Civil

"É nóis"! 

Às vezes penso que talvez eu tivesse sido uma boa advogada ou uma ótima juíza, se tivesse feito Direito. Ou uma escritora best-seller, se tivesse feito Letras, ou até mesmo uma jornalista de destaque, já que adoro contar histórias, mas escolhi a engenharia e engenheira sou há 10 anos.

Costumo dizer que vivo uma relação não correspondida com a Engenharia, eu a amo, mas a recíproca não me parece ser verdadeira. rs! Talvez eu esteja sendo injusta, porque mesmo com alguns perrengues, alguns problemas de saúde e vários "gritos" no trabalho, eu consegui alcançar muitos objetivos trabalhando nessa área.

Algumas pessoas se admiram, acham muito "chique" a profissão de engenheiro. Eu acho graça porque, particularmente, não vejo glamour nenhum. É uma profissão sofrida, onde muitas vezes o piso salarial estipulado não é obedecido pelas empresas e onde se trabalha muito, de domingo a domingo, na maioria das vezes, onde tudo é muito corrido, os prazos precisam ser cumpridos, o Planejamento, Custo, Orçamento obedecidos e controlados. Não é nada fácil, mas o mais difícil para mim como engenheira num ambiente predominantemente masculino, é esquecer um pouco meu lado doce e mostrar pulso firme, agir mais com o intelecto do que com o coração.

Vivi, recentemente, um período estressante e marcado por uma crise de identidade profissional (ser ou não ser, eis a questão), mas hoje posso dizer com propriedade: sou engenheira civil e tenho muito orgulho da minha profissão. 

E, numa versão Trecho reformulada, sigo cantando Cidadão de Zé Ramalho: "Tá vendo aquele gasoduto, moço, ajudei a enterrar"... Eu posso morrer sem nunca ter plantado uma árvore, mas posso dizer que colaborei para o progresso do Brasil e vou poder contar isso para os meus filhos. 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Voltando para casa


Às vezes sinto saudade do trecho, nele tudo é tão passageiro, tão aquele momento, parece que nem o passado, nem o futuro existem, apenas o presente, o estar ali, amizades feitas naquela hora, passeios arranjados, lugares novos, casas diferentes e a certeza de que tudo passa realmente e nunca mais é do mesmo jeito.

Voltar pra casa e conviver com todos os tempos verbais, passado, presente, futuro do presente, pretérito mais-que-IMperfeito é meio estranho. Conviver com pessoas tão conhecidas, amigos de longas datas, ex-namorados, parentes é tudo tão monótono. A mesma academia, o mesmo curso de inglês, a mesma igreja, os mesmos restaurantes, os mesmos shoppings, esse mesmo povinho provinciano de Aracaju com suas cismas e desconfianças, os mesmos parentes com seus traumas e recalques, os mesmos amigos com seus medos, dificuldades e problemas. Tudo estagnado, parado no tempo.

Há 5 anos uma prima não falava com outra por causa de um mal entendido; há 15 anos um rapaz cultiva uma mágoa por uma ex-namorada; há 8 anos que ela trabalha na mesma empresa sem estar satisfeita; há 30 anos uma tia espalha intrigas com todos; há 3 anos ele não ama ninguém, há 10 ela não é amada.

Por um bom tempo eu já fui assim, juntava papéis e coisas velhas, guardava rancores e casos mal resolvidos. Há um tempo deixei tudo para trás, lavei todas as mágoas, coloquei todos os pingos nos "is", joguei tudo fora e deixei meu passado passar por mim.

Ir pra o trecho fez com que a minha vida mudasse completamente, nele encontrei o amor da minha vida, meu futuro esposo, e ganhei maturidade. Aprendi o desapego, aprendi que posso viver com o pouco, aprendi que as pessoas são importantes nas suas diferenças, que grandes amigos surgem nos momentos mais inesperados. Aprendi também que há muitas pessoas ruins mas que sou capaz de perdoar e ser feliz.

Esse ano fecho um ciclo e começo outro, sem mágoa, rancor, traumas ou qualquer outro sentimento ruim, apenas a grata certeza que nunca mais minha vida será a mesma, muito menos uma mesmice. 

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Palavras Cruzadas

Thata é quem traz as revistinhas quando vem da folga, traz muitas porque sabe que a gente se estapeia por elas. Mas finalmente chegamos a um consenso: Thata fica com as palavras cruzadas, Rê com os caça-palavras, eu com o Sudoku (números é comigo mesmo!) e Mona poderia ficar com o jogo de 7 erros, mas não tem muita paciência pra nada disso. 

Esses são os nossos passatempos na república das 7 mulheres, além da lan house hiper-mega-veloz que montamos na copa e do cinema em casa que dura mais de 4 horas, em média, para cada filme de 1 hora e meia de duração, porque imagine 7 mulheres pedindo pra parar (ou voltar) o filme cada vez que resolvem atender o telefone!


Mas ultimamente as palavras cruzadas são as mais solicitadas, (acho que estamos enjoando o Colheita Feliz) e Thata essa, se sente a bambambam das palavras cruzadas, seguida por Renata que só pega os restinhos difíceis que ela deixa e fica se matando pra tentar resolver, isso quando não cola olhando atrás. 

No dia que viajamos para Porto Seguro, estávamos eu, Thata e Mona fazendo as tais palavras cruzadas enquanto esperávamos  o busão. No silêncio da espera, Thata solta: "Exame Nacional de Desempenho de Estudantes com 5 letras... o que seria?". Mona, a mais subestimada das palavras-cruzadas fica indignada: "Você não sabe??? É fácil! Essa até eu sei". E Thata completa: "Mas aqui não cabe VESTIBULAR". Eu completo, de soslaio: "É ENADE, brôca"!

Gente, eu nunca vi ninguém rir tanto quanto Monaliza nesse dia. Chorava de rir. Se sentiu vingada, na certa, do tanto que a gente sempre a xingou quando errava as palavras mais absurdas de fáceis do Coquetel.

Outro dia, Renata, que possui um jargão para tudo que seja hiperbólico, exagerado - "o maior da crosta terrestre"- ou "em toda crosta terrestre" e variantes, na sua palavra cruzada a resposta que ela deveria ter achado era justamente "crosta terrestre", mas ela não conseguiu acertar por nada desse mundo. Indo pescar a resposta no final do Coquetel, verificou a  palavra e voltou rindo, rindo muito, riu de se mijar. 

Estas são minhas amigas, esta é a República das 7 mulheres.




sábado, 13 de março de 2010

Eu sou do Trecho


Ser do trecho é arrumar as malas sem saber o que vem pela frente com
uma única certeza: eu tenho que me acostumar!
É estar longe da família e dos amigos de confiança e conviver com
pessoas que, geralmente, nunca viu e tentar fazer delas seus novos
amigos, pois é com eles que estará convivendo dali pra frente.
É não ter todos os dias o abraço da mãe, do pai, dos irmãos, do marido
ou da esposa; e gastar um dinherão de telefone para poder apenas ouvir
a voz deles.
É ter a alegria de reencontrar um amigo de trecho que não via há anos,
se emocionar e constatar que "o mundo é grande, mas o trecho é
pequeno".
É acordar bem cedo para ir pro trampo e não saber que horas vai
voltar; mas se sai mais tarde fica feliz de anotar mais uma hora extra
no seu caderninho.
Ser do trecho é cochilar depois do rango no serviço em qualquer lugar.
Ser do trecho é falar mal do Gato (firma) quando o dinheiro não cai no
dia certo e sair espalhando que não caiu.
Ser do trecho é sair espalhando que a grana caiu e já aproveitar pra
chamar a turma para comer água mais tarde (se tiver baiano então...)
É fazer, geralmente, trabalho desgastante e de responsabilidade,
correr riscos, e estar sempre com o sorriso no rosto.
Ser do trecho é ficar louco para ir para casa ver a família, sempre
está ligado em promoções de passagens aéreas pra poder visitar a
família.
É sempre passar um tempão tentando explicar pq leva essa vida e
ninguém nunca entende, mas não precisa ficar muitos dias, porque não
consegue mais ficar longe do trecho... é querer logo viajar de novo.
É ter tudo cabendo em uma mala bem grande, e deixar o resto pra trás
nas repúblicas por onde passa.
Ser do trecho é ser amigo, ser divertido, ser carente, ser batalhador.
É sempre saber jogar dominó, baralho, sinuca ou tótó.
É não ter feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga e
sempre está pronto pra trabalhar fim de semana.
É ter a sanidade mental posta em cheque antes dos 5 meses de trabalho
no Gato.
É ter vontade de desistir, Puxa... tem horas que dá vontade de largar
tudo e ir embora... tem horas q bate um desespero... em pensar na
turma, na namorada longe, na familia...
É não se apegar ao teu lar, pois ter que se apegar a um lugar fixo
deixará tua alma irriquieta e ansiosa peloa amanhã.
É fazer muita amizade, conhecer lugares diferentes, culturas
diferentes, a gente conhece o nosso País.
Ser do trecho é uma questão de estilo: ou vc tem ou vc não tem.
Se fosse pra ter um adesivo no carro, o mesmo seria: "Orgulho de ser do trecho"
Só quem vive sabe como somos e como estamos...
Somos Guerreiros e pensamos em um futuro melhor para os nosso filhos.
Tem gente que diz que a gente é bicho burro, mas eu digo:
A gente é gente BOA!