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domingo, 19 de junho de 2011

Dias Lindos

Não basta sentir a chegada dos dias lindos. 
É necessário proclamar: "Os dias ficaram lindos".
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Bruto Romance


"Ora afinal a vida é um bruto romance
e nós vivemos folhetins sem o saber."

(Carlos Drummond de Andrade)

"Como milhares de pessoas dizem (e com razão): minha vida é um verdadeiro romance, se eu escrevesse contando ninguém acreditaria"...
(Clarice Lispector)
E num é que é mesmo? Minha vida além de um verdadeiro e bruto romance, é uma baita novela mexicana. Não sei o dizer agora, não sei nem o que pensar, nem sei onde tantas idas e vindas vão dar, só posso dizer que fui muito amada esse final de semana, mesmo que tudo não passe de uma grande ilusão minha e de mais uma grande mentira.

O réu é confesso, não havia dolo, o crime não aconteceu, mas há culpa, pediu perdão, pena atenuada. Prometeu ficar perto, que não ia acabar... parte de mim não acredita, parte de mim sabe que vai sofrer, mas sofrimento é quando não estou com ele, então enquanto eu puder estar, estarei. Mais uma vez a tristeza mendigando um sorriso.

Apesar de saber que algumas coisas não têm conserto, que palavras ditas não voltam atrás e que uma vez perdida a confiança, é muito difícil recuperá-la, ainda não sei o que é mais difícil: pedir perdão ou perdoar. Tento fazer apenas como Jesus disse, seguir perdoando até "70x7", se for possível, requerido, solicitado, preciso.

Como me disse uma das minhas amigas virtuais (continuo repetindo que só tenho amigas cultas):

"Mentira tem perna curta. Tem dedos curtos também: não dá pra teclar e clicar tão rápido pra esconder tudo. A parte mais triste, mais irônica, e que mais temos dificuldade de ver, é que quem mente é quem verdadeiramente sofre mais. Sofre mentindo, pela ignorância. Sofre escondendo, pelo medo. Sofre descoberto, pela vergonha. E sofre por tudo que faz de errado, mesmo que não seja descoberto e que seja desavergonhado: porque o que faz volta pra si, pelo seu erro, pelo sofrimento gerado a outra pessoa". (Loy)

Pra terminar, não poderia deixar de citar a frase preferida (e profunda) de uma de minhas amigas reais, colega que eu e ele temos em comum: "Bb, não se preocupe, porque no final tudo se resolve".
(Janecleide Menezes)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

JOSÉ


(Carlos Drummond de Andrade) 

E agora, José? 
A festa acabou, 
a luz apagou, 
o povo sumiu, 
a noite esfriou, 
e agora, José? 
e agora, você? 
você que é sem nome, 
que zomba dos outros, 
você que faz versos, 
que ama, protesta? 
e agora, José? 

Está sem mulher, 
está sem discurso, 
está sem carinho, 
já não pode beber, 
já não pode fumar, 
cuspir já não pode, 
a noite esfriou, 
o dia não veio, 
o bonde não veio, 
o riso não veio 
não veio a utopia 
e tudo acabou 
e tudo fugiu 
e tudo mofou, 
e agora, José? 

E agora, José? 
Sua doce palavra, 
seu instante de febre, 
sua gula e jejum, 
sua biblioteca, 
sua lavra de ouro, 
seu terno de vidro, 
sua incoerência, 
seu ódio - e agora? 

Com a chave na mão 
quer abrir a porta, 
não existe porta; 
quer morrer no mar, 
mas o mar secou; 
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
 
José, e agora? 

Se você gritasse, 
se você gemesse, 
se você tocasse 
a valsa vienense, 
se você dormisse, 
se você cansasse, 
se você morresse... 
Mas você não morre, 
você é duro, José! 

Sozinho no escuro 
qual bicho-do-mato, 
sem teogonia, 
sem parede nua 
para se encostar, 
sem cavalo preto 
que fuja a galope, 
você marcha, José! 
José, para onde? 

No escuro do quarto, deitada na cama só de toalha, curtia minha auto comiseração e me sentia quase como o José de Drummond. Algumas vezes olhava para o teto, outras, para a réstia da porta que ia e vinha com o vento. Vontade de evaporar, sublimar, desaparecer. Sem ninguém chorando minha falta ou me procurando. Simplesmente sumir. Se alguém perguntasse, se bem por acaso dessem por minha falta, gostaria que outro respondesse: "Ninguém sabe, ninguém viu". 
O momento mais feliz do meu dia tem sido quando estou dormindo. Cansada, sempre cansada, queria não ter que pensar, não ter que acordar, não ter que ouvir, falar, raciocinar, não ter que chorar ou sorrir. Não queria morrer ou ser dada como desaparecida, só queria deixar de existir.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007


A um ausente 
(Carlos Drummond de Andrade) 

Tenho razão de sentir saudade, 
tenho razão de te acusar. 
Houve um pacto implícito que rompeste 
e sem te despedires foste embora. 
Detonaste o pacto. 
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência 
de viver e explorar os rumos de obscuridade 
sem prazo sem consulta sem provocação 
até o limite das folhas caídas na hora de cair. 

Antecipaste a hora. 
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas. 
Que poderias ter feito de mais grave 
do que o ato sem continuação, o ato em si, 
o ato que não ousamos nem sabemos ousar 
porque depois dele não há nada? 

Tenho razão para sentir saudade de ti, 
de nossa convivência em falas camaradas, 
simples apertar de mãos, nem isso, voz 
modulando sílabas conhecidas e banais 
que eram sempre certeza e segurança. 

Sim, tenho saudades. 
Sim, acuso-te porque fizeste 
o não previsto nas leis da amizade e da natureza 
nem nos deixaste sequer o direito de indagar 
porque o fizeste, porque te foste.

sábado, 14 de agosto de 2004

"Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.


Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo corpos, vejo almas
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender..."


(Trecho de O Amor Bate na Aorta de Carlos Drummond de Andrade)


Insônia. Sentimento de perda. Melancolia. Nervosismo. Medo. Decepção. Desilusão. Solidão. Ansiedade. Saudade.
Saudade...

sexta-feira, 21 de maio de 2004


Como eu sei que nos finais de semana isso aqui fica entregue às moscas, deixo apenas uma poesia interessante de Carlos Drummond de Andrade.
Vou passar meu final de semana com amigos. Rindo, amando e querendo bem.
Dei um fim aos momentos melancolia. Cansei de ser triste e sentir saudade. Cansei de ser apaixonada (sim, nunca neguei que estava). Cansei de me arrepender do que disse ou do que fiz. Quanta besteira! Logo eu que nunca me arrependia de nada.
Ora, meu sorriso é lindo! Tenho mais é que rir!!!!

Beijos a todos e tenham um Feliz Sábado!


Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, pra quê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

domingo, 16 de maio de 2004

Amar-amaro


(Carlos Drummond de Andrade)

Porque amou por que amou
se sabia
p r o i b i d o p a s s e a r s e n t i m e n t o s
ternos ou desesperados
nesse museu do pardo indiferente
me diga: mas por que
amar sofrer talvez como se morre
de varíola voluntária vágula evidente?

ah PORQUE AMOU
e se queimou
todo por dentro por fora nos cantos ecos
lúgubres de você mesm(o,a)
irm(ã,o) retrato espetáculo por que amou?

se era para
ou era por
como se entretanto todavia
toda via mas toda vida
é indignação do achado e aguda espotejação
da carne do conhecimento, ora veja

permita cavalheir(o,a)
amig(o,a) me releve
este malestar
cantarino escarninho piedoso
este querer consolar sem muita convicção
o que é inconsolável de ofício
a morte é esconsolável consolatrix consoadíssima
a vida também
tudo também
mas o amor car(o,a) colega
este não consola nunca de nuncarás.


quarta-feira, 31 de dezembro de 2003

O ÚLTIMO DIA DO ANO

Recebi algumas mensagens do "Capitão Gay" ( o mensageiro eletrônico da DESO)

A Marise me enviou:

"QUE DURANTE O ANO DE 2004, O SENHOR JESUS TE GUARDE CONTINUAMENTE,
FARTE A TUA ALMA ATÉ EM LUGARES ÁRIDOS,
FORTIFIQUE OS TEUS OSSOS E SERÁS COMO UM JARDIM REGADO,
COMO UM MANANCIAL CUJAS ÁGUAS JAMAIS FALTAM,
PORQUE OS QUE NELE CRER DE SEU INTERIOR FLUIRÃO RIOS DE ÁGUA VIVA,
E O DEUS DE TODA GRAÇA, VOS HÁ DE APERFEIÇOAR,
FIRMAR, FORTIFICAR E FUNDAMENTAR DURANTE O ANO VINDOURO
E QUE A VERDADEIRA PAZ,
A PAZ QUE EXECEDE TODO ENTENDIMENTO,
A PAZ DO SENHOR JESUS ESTEJA SEMPRE COM VOCÊ,
É O QUE DESEJO DE CORAÇÃO ABERTO".

Milício Florêncio também escreveu:

"Não importa quantos passos você deu para trás em 2003, o importante é quantos passos você vai dar para frente em 2004."
Feliz 2004 e que ele chegue repleto de paz, alegria, saude e muitas felicidades.(Milício Florêncio)

E a Kelly desejou:

"UM 2004 COM MUITA PAZ, SAÚDE,AMOR, FÉ E HARMONIA E MUITO MAIS DINHEIRO NO BOLSO".

O Diretor Predisente e os outros diretores estiveram aqui na sala e em todas as outras desejando um Feliz Ano Novo.
O Presidente até teve a delicadeza de ler o meu crachá e me chamar pelo nome. Educadíssimo!

É, hoje é o último dia do ano de 2003.
Mas já dizia Carlos Drummond de Andrade:
"O último dia do ano, não é o último dia do tempo.
O último dia do tempo, não é o último dia de tudo.
Outros dias virão."


O último dia do ano é interessante. Os amigos se abraçam, os inimigos também (ás vezes), as pessoas dizem coisas bonitas umas as outras (agora eu lembrei que nem agradeci as mensagens recebidas), e todo mundo faz uma retrospectiva e promete a si mesmo melhorar no próximo ano.
Eu também ia fazer isso, mas tô pensando tanto no que quero fazer e conseguir em 2004 que não consigo lembrar do que fiz esse ano.
Lembrei que logo no comecinho de 2003 consegui passar no teste do DETRAN e receber a minha habilitação.
Parece besteira? Não pra mim, tremenda barbeira (não tenho vergonha de dizer) que foi reprovada 2 vezes.
Podem dizer o que quiserem: "mulher no volante, perigo constante!", podem me chamar de barbeira, eu não me importo, sou mesmo e assumo, mas não me digam que eu comprei minha carteira.
Fiz as provas direitinho, a baliza perfeita, tirei a nota máxima na prova teórica (uau!) e consegui!!!!
Sei que daqui pro final do dia lembrarei de outras vitória alcançadas nesse ano, mas por enquanto tô pensando em que roupa vou vestir à noite e pra onde eu vou.
Depois eu conto o que quero pra 2004.
Uma coisa é certa, vou tentar dormir menos, acordar mais cedo e ser mais dedicada, aplicada, etc, etc, etc.

A todos os meus amigos...
Feliz Ano Novo!!!!
Divirtam-se!
E até 2004.

Beijinhos!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

Eu e as filhas do pastor Josias, Rízzia e Dayse, em Goiânia.

Ontem parece que foi o dia dos "Finados".
Resolveram ressuscitar e ligar pra mim.
Foi, de certa forma, desagradável.

"Quanto tu passas por mim
Por mim passam saudades cruéis
Passam saudades de um tempo
Em que a vida eu vivia aos teus pés
Quanto tu passas por mim
Passa o tempo e me leva para trás
Leva-me a um tempo sem fim
A um amor, onde o amor foi demais
E eu que só fiz te adorar
E de tanto de amar, penei mágoas sem fim
Hoje nem olho para trás
Quando tu passas por mim"



Pra um amigo especial!!!! Obrigada pelas dicas!

Definitivamente preciso de um carro.
E de um namorado.
Mas Carlos Drummond de Andrade um dia me disse, com uma voz cheia de sabedoria, que:
"Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil".

Fiquei desanimada com essa declaração...

...

Bom, preciso de um carro porque já me cansei de presenciar, e muitas vezes participar da cena dantesca de empurra-empurra em um ônibus lotado. Coisa de pobre! E pobre me dá urticária!
E namorado... precisa explicar? É que eu tava precisando de um colo hoje... alguém me empresta?

Enquanto esperava o ônibus pra ir a Universidade (meu Deus, que invenção foi essa minha de querer voltar pra faculdade!?), fiquei olhando as revistas da banca e atentei para o fato de que eu nunca li esses livros tipo brochura que se vendem nesses lugares.
Livros como Júlia, Sabrina e outros, eu nunca os li. Será que estou perdendo alguma coisa?

Também notei que o amendoim cozido daqui de Sergipe não se tem em lugar nenhum.
Não com o mesmo gosto. O daqui é melhor.
Em compensação o acarajé (ou A acarajé, no linguajar sergipano), deixa a desejar.
Eu não tenho coragem de comer! Acarajé, só o da Bahia.
Por falar em A acarajé, o povo sergipano tem mania de colocar no feminino palavras que são obrigatoriamente masculinas.
Além de A acarajé, também falam A canal.
Sim, estou falando dO canal por onde passam os esgotos da cidade.
Isso me parece, de certa forma, bom, afinal, o machismo reina e eu estou louca pra ver isso mudar. Será que vou ter que esperar muito?

Sinto uma pena desses velhinhos, bem encurvadinhos que ainda estão trabalhando.
Um velhinho assim sentou ao meu lado no terminal da Rodoviária e puxou conversa.
Perguntou se o ônibus "tartaruga" já tinha passado e me chamou de "menina".
Depois pediu desculpas, justificou-se dizendo que chamava todo mundo assim, suas filhas, noras, netas e bisnetas.
Disse-me que tinha 34 netos e 8 bisnetos e perguntou se eu conhecia Vanderlei da CEASA, seu filho, comerciante de melancias e melões.
Eu disse que não, e ele pareceu-me meio frustrado...
Ouvi ele falar no tom de voz mais baixo:"Mas todo mundo conhece", e ficou repetindo isso para sim mesmo.
O ônibus chegou e vi ele pegar um saco de estopa, bem pesado, cheio de não sei o quê.
Peguei o mesmo ônibus que ele e vi quando desceu, com aquele saco pesado, encurvado, cansado, parecia levar o peso de todo o tempo de sua vida nas costas.
Fiquei chateada comigo mesma, por não conhecer seu filho, o Vanderlei da CEASA, de quem ele tanto se orgulhava.

...


FELIZ ANIVERSÁRIO, RÔMULO MOSCAT!




Minha amiga Nel perguntou porque eu tinha tirado essa foto de baixo para cima.
Que pergunta, hein? Eu tenho 1,58m, ele, 1,92m, dá pra imaginar por quê???

E hoje só tem gatos...
Como prometido eis a foto do meu amigo Tito James.
Tenho que explicar: esse blog foi feito para os amigos e todos aqui têm o direito de fazerem os seus pedidos e serem atendidos, na medida do possível.
Essa foto aqui está a pedido de uma fã que prefere não se identificar.
Aí, minha filha, satisfeita?


Meninas, calma, não precisam desmaiar!

E pra todos os amigos, colegas, inimigos e indiferentes que aqui entram assiduamente todos os dias...
só tenho uma coisa a dizer, parodiando meu amigo de roedeira Fábio Júnior:


´BRIGADÚ!


Beijinhos!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 31 de outubro de 2003

Toada do amor

Eu nunca vi uma pessoa tão inconstante e volúvel como eu...
Ontem eu estava estranhamente feliz,
hoje já me sinto detestavelmente triste...
É... ainda bem que passa rápido.
Tudo passa rápido, a tristeza, mas a alegria também.

Uma poesia pra alegrar os corações...

Toada do amor
(Carlos Drummond de Andrade)

E o amor sempre nessa toada:
briga perdoa perdoa briga.

Não se deve xingar a vida,
a gente vive, depois esquece.
Só o amor volta para brigar,
para perdoar,
amor cachorro bandido trem.

Mas, se não fosse ele, também
que graça que a vida tinha?

Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito.




Por que homem é tão bobo?

Vi quatro homens dentro de um Fiat velho, indo pra um estádio de futebol,
segurando as camisas do time do lado de fora do carro.
Não sei se eram torcedores do Confiança ou do Sergipe, ou de algum outro
time de quinta divisão (existe? Eu não sei nada de futebol), só sei que gritavam
histericamente, balançavam o carro, cantavam...
Eu não sei se era a minha cólica que estava me deixando irritada,
mas eu achei-os tremendamente ridículos.

Até hoje eu não entendo.
Porque pra gostar de ver aqueles homens maravilhosos,
de pernas grossas, suados, correndo, correndo, correndo, exaustivamente,
só mesmo sendo uma mulher...
então por que será que os homens matam e morrem por um jogo?

Ah, my God, homens...

Telefone toca:

Eu: Alô?
Ele:Oi...
Eu: Oi...
Ele: Olha... eu só queria dizer...que eu não vou mais te aborrecer...
Eu: Hum...
Ele: Que eu nunca mais vou te ligar...
Eu: Hum...
Ele: Queria que você me perdoasse se te aborreci de alguma forma...
Eu: Tá certo...
Ele: Eu não vou ligar mais...
Eu: Tudo bem...
Ele: Mas se um dia você precisar de alguma coisa, precisar de um amigo,
se algum dia você estiver triste por qualquer motivo, liga pra mim...
estarei pronto a te ajudar, seja lá no que for.
Eu: Tudo bem... tá certo.
Ele: Eu não vou te ligar mais, tá?
Eu: Tá certo.
Ele: Tchau.
Eu: Tchau.

(Minutos depois, telefone toca novamente)

Eu: Hello!
Ele: Oi...
Eu: Hum...
Ele: Eu só queria dizer só mais um coisinha...
Eu: Hum...
Ele: Se um dia você vir uma chamada não atendida no seu celular...
e esta chamada estiver no meu nome... não me leve a mal...
foi apenas a saudade que ficou maior do que eu...
Eu: Tudo bem.
Ele: Tchau.
Eu: Tchau.

Tu-tu-tu-tu-tu-tu...

(Dia seguinte... telefone toca)

Eu: Sim?
Ele: Oi... sou eu...
Eu: Diga.
Ele: Não aguentei... tinha que te dizer que estou morrendo de saudade.
Eu: Tá bom!
Ele: Tchau.
Eu: Tchau