Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Paulo Leminski
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sábado, 7 de janeiro de 2012
domingo, 6 de novembro de 2011
Quero tudo ou um pouco mais
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| (O que há - Álvaro de Campos) |
Nunca mais eu e minhas primas tínhamos feito isso. Juntas cozinhamos um macarrão saboroso ao sabor de muita fofoca, depois jogamos baralho ao sabor de um vinho gostoso, tudo isso regado a muita risada, gargalhadas, gritinhos e cantorias - até Padre Zezinho apareceu no meio da nossa tarde - não se sabe de onde. Amo essas malucas da minha vida. Precisamos fazer isso mais vezes.
domingo, 19 de junho de 2011
Dias Lindos
Não basta sentir a chegada dos dias lindos.
É necessário proclamar: "Os dias ficaram lindos".
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 18 de março de 2011
3 meses
“Quem pode ser verdadeiro sem que desagrade?”
(Cecília Meireles)
E hoje comemoramos 3 meses de muitas bençãos. Obrigada, Senhor!
segunda-feira, 14 de março de 2011
Ah, o amor... sempre o amor...
"O Amor...(Dizem que o texto é de Cecília Meireles. Será mesmo?)
É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"
sábado, 8 de janeiro de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Ano novo, nome novo, tudo novo!!!
Final de ano com a família de Minas Gerais.
2011 com certeza será um ano novo em todos os aspectos: casa nova, vida nova, nome novo, tudo novo.
Que Deus continue nos abençoado!!!
"Te desejo uma fé enorme.
Em qualquer coisa, não importa o quê.
Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram.
Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Que 2011 seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Que seja bom o que vier, pra você."
(Caio Fernando Abreu )
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Insistência
"Estou sozinho e nunca aprendi a estar sozinho. Estou sozinho.
Sinto falta de palavras. Estou sozinho. Estou sozinho.
Sinto falta de uns olhos onde possa imaginar. Estou sozinho.
Sinto falta de mim em mim."
José Luís Peixoto - Insistência
Sinto falta de palavras. Estou sozinho. Estou sozinho.
Sinto falta de uns olhos onde possa imaginar. Estou sozinho.
Sinto falta de mim em mim."
José Luís Peixoto - Insistência
terça-feira, 4 de maio de 2010
Regresso
Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro,
Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim.
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei.
Eu reinei no que nunca fui.
Fernando Pessoa
sábado, 9 de janeiro de 2010
Sonhos Interrompidos
Eu sou feita de
sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos.
Sou feita de
choros sem ter razão,
pessoas no coração,
atos por impulsão.
Sinto falta de lugares que não conheci,
experiências que não vivi,
momentos que já esqueci.
Eu sou amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante.
Já tive noites mal dormidas,
perdi pessoas muito queridas,
cumpri coisas não-prometidas.
Muitas vezes eu desistir sem mesmo tentar,
pensei em fugir, para não enfrentar,
sorrir pra não chorar.
EU sinto pelas coisas que não mudei,
amizades que não cultivei,
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei.
Tenho saudade De pessoas que eu fui conhecendo,
lembranças que fui esquecendo,
amigos que acabei perdendo.
Mas continuo vivendo e aprendendo.
sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos.
Sou feita de
choros sem ter razão,
pessoas no coração,
atos por impulsão.
Sinto falta de lugares que não conheci,
experiências que não vivi,
momentos que já esqueci.
Eu sou amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante.
Já tive noites mal dormidas,
perdi pessoas muito queridas,
cumpri coisas não-prometidas.
Muitas vezes eu desistir sem mesmo tentar,
pensei em fugir, para não enfrentar,
sorrir pra não chorar.
EU sinto pelas coisas que não mudei,
amizades que não cultivei,
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei.
Tenho saudade De pessoas que eu fui conhecendo,
lembranças que fui esquecendo,
amigos que acabei perdendo.
Mas continuo vivendo e aprendendo.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Sozinha
No fundo sou sozinha. Há verdades que nem a Deus eu contei. E nem a mim mesma. Sou um segredo fechado a sete chaves. Por favor me poupe. Estou tão só. Eu e meus rituais. O telefone não toca. Dói. Mas é Deus que me poupa.
Clarice Lispector
domingo, 30 de março de 2008
Longas Cartas Pra Ninguém
"Enforcar-se é levar muito a sério o nó na garganta."
(Mário Quintana)
(Mário Quintana)
Queria que tivesse me ligado hoje, mas não foi o que aconteceu. É sempre assim, você só me liga quando eu menos espero, então passa a me ligar todos os dias e depois some por um bom tempo. Ah, agora é a hora de sumir, né? Nem sequer vou poder pensar em te ligar e ficar relutando em fazer isso. Pra onde você vai não há contatos, ou pelo menos por enquanto eu não tenho nenhuma. Só sei que teu silêncio e tua distância fazem com que teus defeitos fiquem mais evidentes, fazem com que eu lembre só das coisas ruins.
Amanhã eu volto a trabalhar, assim como você, depois de 3 meses de nada fazer. Fico por aqui, enquanto você muda pra mais longe de mim. Vontade de não criar laços, não ter raízes, assim como você. Vontade de doar minhas roupas quando se mostram usadas demais, da mesma forma que você faz. Já fui muito apegada a pessoas e coisas, hoje não quero mais. Não quero me apegar a ninguém, a nada, a lugar nenhum. Quero sair por aí, pelo país, pelo mundo, pela vida. Pena que o medo me paralise e eu permaneça aqui mesmo, estática, parada, sozinha, perdida, calada.
Amanhã eu volto a trabalhar, assim como você, depois de 3 meses de nada fazer. Fico por aqui, enquanto você muda pra mais longe de mim. Vontade de não criar laços, não ter raízes, assim como você. Vontade de doar minhas roupas quando se mostram usadas demais, da mesma forma que você faz. Já fui muito apegada a pessoas e coisas, hoje não quero mais. Não quero me apegar a ninguém, a nada, a lugar nenhum. Quero sair por aí, pelo país, pelo mundo, pela vida. Pena que o medo me paralise e eu permaneça aqui mesmo, estática, parada, sozinha, perdida, calada.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Meros devaneios tolos
Triste é ter sono e não conseguir dormir. Nunca pensei que fosse sofrer de insônia, nunca tive problema pra dormir, "arrumei" isso quando cheguei aqui. Ê, ê, aí, hein?
Por isso escrevo posts longos que parece que ninguém lê. Tenho recebido pouquíssimos comentários, porém, valiosos. E vai mais um post longo de uma das minhas séries.
Meros devaneios tolos - Parte III
[Escrito em 3.12.05 12:30 AM]
É estranha a efemeridade dos momentos e situações. Parece que foi ontem que recebi uma ligação no meio do expediente de alguém bem longe de mim que voltava da praia com sua prancha e dizia: "Vi esse mar lindo azul e lembrei de você!"
Às vezes penso que o gostar é uma grande mentira. Todos fingem que amam e que querem ser amados, quando na verdade é apenas ilusão, uma confusão de reações químicas e joguetes da imaginação. Analisando friamente: Por que ele lembrou de mim quando viu o mar azul? Não tenho olhos azuis. Nunca estive com ele em frente de mar nenhum. A única coisa que existia era papo, conversas intermináveis, palavras apenas. Agora, se por algum motivo ele lembrou de mim... pra quê me dizer? Eu não estava pedindo pra saber. Meses depois não estava eu perto dele, perto desse mar? E nem por isso pensou em mim... sequer olhou direito pra mim. São essas coisas que não consigo entender...
"Falas de amor, e eu ouço tudo e calo
O amor na Humanidade é uma mentira.
E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?
Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
— Alavanca desviada do seu fulcro —
E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro"?!
(Idealismo - Augusto dos Anjos)
---
Depois de tentar ver o pôr-do-sol e só conseguir chegar quando ele já se escondia no mar, nos sentamos num banco em frente ao farol. Enquanto ele cantava pra mim uma música que falava de despedida (acho que só pra me irritar), um grupo de pessoas se posicionou bem na nossa frente pra tirar uma foto do melhor ângulo do Farol da Barra. O fotógrafo dava as diretrizes para uma senhora e duas crianças, e então percebemos que também saíriamos na foto e saíriamos bem! Ele, como sempre divertido, encostado em mim, a minha frente, se ajeita no banco fazendo uma pose, põe um sorriso nos lábios e sem retirá-lo diz: "Bb, a gente vai sair na foto! Sorria pra foto, Bb, sorria pra foto"!!! Olhei pra ele e vi ainda o sorriso estático, típico dos que estão sendo fotografados, e pus no rosto o mesmo sorriso olhando fixamente para a câmera alheia.
O retratista notando nossa atitude, nos olha, baixa a câmera e fala para a senhora: "Aqui não dá, vamos mais pra frente". E saiu puxando a mulher com as duas crianças para um lugar onde ficaríamos completamente fora do foco, fazendo nosso sorriso murchar. Murchou, mas eu nunca ri tanto na minha vida! Lembrava da ousadia dele, eu seguindo seu conselho, do sorriso dele pra foto, e ria, ria do fotógrafo indo embora nos frustrando e ria muito. Ri como há muito tempo não tinha rido. Cheguei em casa e continuei rindo toda vez que lembrava. Ri até doer as costas. Ri deitada no chão sem me controlar. E ele só me olhava, incrédulo, e ria também com um sorriso lindo de dentes brancos, com um olhar lindo, como há muito tempo eu não tinha visto.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Consentimento
Marcha de Cecília Meireles.
Perfeito pra hoje.
"As ordens da madrugadaromperam por sobre os montes:nosso caminho se alargasem campos verdes nem fontes.Apenas o sol redondoe alguma esmola de ventoquebram as formas do sonocom a idéia do movimento.Vamos a passo e de longe;entre nós dois anda o mundo,com alguns mortos pelo fundo.As aves trazem mentirasde países sem sofrimento.Por mais que alargue as pupilas,mais minha dúvida aumento.Também não pretendo nadasenão ir andando à toa,como um número que se armae em seguida se esboroa,- e cair no mesmo poçode inércia e de esquecimento,onde o fim do tempo somapedras, águas, pensamento.Gosto da minha palavrapelo sabor que lhe deste:mesmo quando é linda, amargacomo qualquer fruto agreste.Mesmo assim amarga, é tudoque tenho, entre o sol e o vento:meu vestido, minha música,meu sonho e meu alimento.Quando penso no teu rosto,fecho os olhos de saudade;tenho visto muita coisa,menos a felicidade.Soltam-se os meus dedos ristes,dos sonhos claros que invento.Nem aquilo que imaginojá me dá contentamento.Como tudo sempre acaba,oxalá seja bem cedo!A esperança que falavatem lábios brancos de medo.O horizonte corta a vidaisento de tudo, isento...Não há lágrima nem grito:apenas consentimento".
Gosto de escrever, mas não consigo desenvolver minha monografia. Doida pra ter um pingo de disciplina, um pingo só. Mas sigo sem concentração, mesmo cheia de inspiração, porque o dom da escrita não é ter um coração partido, amiga?
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
En el muelle de San Blas
És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa:
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
Porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo despovoado e profundo, persiste.
(Epigrama n. 2- Cecília Meireles)
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa:
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
Porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo despovoado e profundo, persiste.
(Epigrama n. 2- Cecília Meireles)
Antes eu conseguia rir da minha própria desgraça, hoje não mais.
Sei que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus, mas quando uma coisa atrás da outra começa a dar errado, o riso murcha e mangar de mim mesma perde a graça. Difícil até levantar da cama por não ter forças.
Felicidade são as poucas horas em que posso sentir o seu leve respirar, tem um cheiro tão bom. Bom também é quando ele ri das besteiras que eu falo, e depois repete mil vezes como se fosse a coisa mais linda que já tenha ouvido. Lindo ouvi-lo repetir: "Gosto muito de você", mesmo que lá no fundo meu ceticismo grite que não é verdade. E lá vai ele pra tão longe. A única coisa muito boa que me aconteceu nesses últimos 4 meses vai se afastar de mim. Espero que volte, mas também não quero esperar feito a Louca do Cais*.
Pena que toda alegria seja assim: já venha embrulhada numa tristezinha de papel fino, como disse Millôr Fernandes. Fazer o quê?
Sei que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus, mas quando uma coisa atrás da outra começa a dar errado, o riso murcha e mangar de mim mesma perde a graça. Difícil até levantar da cama por não ter forças.
Felicidade são as poucas horas em que posso sentir o seu leve respirar, tem um cheiro tão bom. Bom também é quando ele ri das besteiras que eu falo, e depois repete mil vezes como se fosse a coisa mais linda que já tenha ouvido. Lindo ouvi-lo repetir: "Gosto muito de você", mesmo que lá no fundo meu ceticismo grite que não é verdade. E lá vai ele pra tão longe. A única coisa muito boa que me aconteceu nesses últimos 4 meses vai se afastar de mim. Espero que volte, mas também não quero esperar feito a Louca do Cais*.
Pena que toda alegria seja assim: já venha embrulhada numa tristezinha de papel fino, como disse Millôr Fernandes. Fazer o quê?
*Texto escrito no falido blog Tops de Linha em 20 de março de 2004:
"Lembrei de uma música do Maná: `En el muelle de San Blas`, cuja tradução de `minha própria autoria` é: `A louca do cais`. Sinta o drama!
A mulher se despediu do amor. Ele partiu num barco do porto de San Blas. Ele jurou que voltava. Ela chorando feito uma condenada, jurou que esperava. Aí, já sabe, se eles não ligam no dia seguinte, imagine esse cara no meio do mar... bom, milhares de luas se passaram e a retardada sempre estava lá, no cais do porto esperando... com o mesmo vestido, que era pra ele não se confundir.
Os caranguejos mordiam a sua roupa, sua tristeza, sua ilusão (quase que eu sentia pena dela nessa hora)... e o tempo passou... e os seus olhos se encheram de amanheceres... e acabou apaixonada pelo mar, a ponto de criar raízes... sozinha... sozinha no esquecimento, com seu espírito, com seu amor, o mar, no cais de San Blas...
O doida ficou velha, o cabelo ficou branco, e lá, mas nenhum barco devolvia seu amor. Lá na cidadezinha passaram a chamá-la de A doida do cais (eu já chamo desde o início da história). A mulher virou atração no lugarejo, mas sempre tem alguém com bom senso pra acabar com a festa, e numa tarde de abril, tentaram levá-la para um manicômio. Você pensa que ela foi? É ruim, hein? Nínguém conseguiu arrancá-la de lá e do mar ela nunca mais se separou.
Sozinha... sozinha no esquecimento, com seu espírito, com seu amor, o mar, no cais de San Blas...
Sozinha no esquecimento...
Sozinha com seu espírito...
Sozinha com seu amor, o mar... a bichinha...
Jacaré apareceu? O amor dela também não. E é aí que o cantor canta gritando:
`Se quedo, se quedo, sola, sola
Se quedó, se quedó, con el sol y con el mar
Se quedo ahi, se quedo hasta el fin
Se quedo ahi, se quedo en el muelle de San Blas
Sola, sola se quedo`...
História triste... mas tem muita mulher por aí assim, meio louca do cais...
Falei e Disse".
"Lembrei de uma música do Maná: `En el muelle de San Blas`, cuja tradução de `minha própria autoria` é: `A louca do cais`. Sinta o drama!
A mulher se despediu do amor. Ele partiu num barco do porto de San Blas. Ele jurou que voltava. Ela chorando feito uma condenada, jurou que esperava. Aí, já sabe, se eles não ligam no dia seguinte, imagine esse cara no meio do mar... bom, milhares de luas se passaram e a retardada sempre estava lá, no cais do porto esperando... com o mesmo vestido, que era pra ele não se confundir.
Os caranguejos mordiam a sua roupa, sua tristeza, sua ilusão (quase que eu sentia pena dela nessa hora)... e o tempo passou... e os seus olhos se encheram de amanheceres... e acabou apaixonada pelo mar, a ponto de criar raízes... sozinha... sozinha no esquecimento, com seu espírito, com seu amor, o mar, no cais de San Blas...
O doida ficou velha, o cabelo ficou branco, e lá, mas nenhum barco devolvia seu amor. Lá na cidadezinha passaram a chamá-la de A doida do cais (eu já chamo desde o início da história). A mulher virou atração no lugarejo, mas sempre tem alguém com bom senso pra acabar com a festa, e numa tarde de abril, tentaram levá-la para um manicômio. Você pensa que ela foi? É ruim, hein? Nínguém conseguiu arrancá-la de lá e do mar ela nunca mais se separou.
Sozinha... sozinha no esquecimento, com seu espírito, com seu amor, o mar, no cais de San Blas...
Sozinha no esquecimento...
Sozinha com seu espírito...
Sozinha com seu amor, o mar... a bichinha...
Jacaré apareceu? O amor dela também não. E é aí que o cantor canta gritando:
`Se quedo, se quedo, sola, sola
Se quedó, se quedó, con el sol y con el mar
Se quedo ahi, se quedo hasta el fin
Se quedo ahi, se quedo en el muelle de San Blas
Sola, sola se quedo`...
História triste... mas tem muita mulher por aí assim, meio louca do cais...
Falei e Disse".
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
"Aqui está minha vida - esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.
Aqui está minha dor - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança - este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro, esquecimento".
(Aqui Está minha Vida- Cecília Meireles)
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.
Aqui está minha dor - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança - este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro, esquecimento".
(Aqui Está minha Vida- Cecília Meireles)
E meu coração dói hoje mais do ontem. Dói tanto que acho que vou ter um enfarte. Ou seria enfarto? Será que essa dor sará amanhã? Ou não sara nunca? Ruim ser apaixonada sempre e tão carente que sinto dó de mim mesma. Estou cansada, tão cansada de tudo, e só repito que queria sumir, puf, numa poeira de purpurina. Ou num raio laser bem chique.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Bruto Romance
"Ora afinal a vida é um bruto romance
e nós vivemos folhetins sem o saber."
(Carlos Drummond de Andrade)
"Como milhares de pessoas dizem (e com razão): minha vida é um verdadeiro romance, se eu escrevesse contando ninguém acreditaria"...
(Clarice Lispector)
E num é que é mesmo? Minha vida além de um verdadeiro e bruto romance, é uma baita novela mexicana. Não sei o dizer agora, não sei nem o que pensar, nem sei onde tantas idas e vindas vão dar, só posso dizer que fui muito amada esse final de semana, mesmo que tudo não passe de uma grande ilusão minha e de mais uma grande mentira.
O réu é confesso, não havia dolo, o crime não aconteceu, mas há culpa, pediu perdão, pena atenuada. Prometeu ficar perto, que não ia acabar... parte de mim não acredita, parte de mim sabe que vai sofrer, mas sofrimento é quando não estou com ele, então enquanto eu puder estar, estarei. Mais uma vez a tristeza mendigando um sorriso.
Apesar de saber que algumas coisas não têm conserto, que palavras ditas não voltam atrás e que uma vez perdida a confiança, é muito difícil recuperá-la, ainda não sei o que é mais difícil: pedir perdão ou perdoar. Tento fazer apenas como Jesus disse, seguir perdoando até "70x7", se for possível, requerido, solicitado, preciso.
Como me disse uma das minhas amigas virtuais (continuo repetindo que só tenho amigas cultas):
"Mentira tem perna curta. Tem dedos curtos também: não dá pra teclar e clicar tão rápido pra esconder tudo. A parte mais triste, mais irônica, e que mais temos dificuldade de ver, é que quem mente é quem verdadeiramente sofre mais. Sofre mentindo, pela ignorância. Sofre escondendo, pelo medo. Sofre descoberto, pela vergonha. E sofre por tudo que faz de errado, mesmo que não seja descoberto e que seja desavergonhado: porque o que faz volta pra si, pelo seu erro, pelo sofrimento gerado a outra pessoa". (Loy)
Pra terminar, não poderia deixar de citar a frase preferida (e profunda) de uma de minhas amigas reais, colega que eu e ele temos em comum:
"Bb, não se preocupe, porque no final tudo se resolve".
(Janecleide Menezes)
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