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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Não gosto de gente séria

"Tive assim, no correr da vida, muitos contatos com gente séria. Vivi muito no meio das pessoas grandes. Vi-as muito de perto. Isso não melhorou, de modo algum, a minha antiga opinião".
(Exupèry)
Eu sempre falei que tinha aversão ao gênero humano, sempre me considerei uma misantropa, mas sei que não é exatamente isso, minha aversão é a pessoas sérias, à gente grande que não sabe brincar, que leva tudo à ferro e fogo, ao pé da letra, que não tem senso de humor. É por isso que gosto mesmo é de gente boba, engraçada, espirituosa, gosto de gente idiota.

A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
(Arnaldo Jabor)

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. (Marcos Lara Rezende) Alguns eu penso que são inteiramente bobeira e esses são os mais divertidos. E Clarice Lispector até explicou e exemplificou as muitas vantagens de ser bobo, dizendo ela que há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! 

Deve ter sido por causa dessa minha predileção que casei com um mineiro nada sério, divertido, engraçado, espirituoso e bobo. Aviso: não confundir bobos com burros. Porque se ele assim fosse, não teria casado comigo. Hehehe!!! 

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Instante Mágico

Eu li historinha do Pequeno Príncipe pra ele -"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!" - Ele disse: "Eu sou responsável por vc, né, bb?" e mandou música de Rick e Renner com letra bonita pra o meu celular. Ele me enche de carinho e atenção, mas eu pergunto (ando perguntando demais), porque é mais fácil acreditar em pedras do que em flores?

Instante Mágico
Rick e Renner

É mágico o instante
Que eu te encontro
É Bálsamo que invade o meu peito
Me sinto tão feliz que fico tonto
Por mais que eu evite não tem jeito
Você tem um poder que me domina
Me ama quando quer
E eu aceito
Sou sempre levado por seu beijo
Que tem sempre a emoção da primeira vez
Que deixa as mãos suadas de desejos
Eu quero sempre mais te amar outra vez
Você tem tudo a ver com a minha vida
Não é mais impressão agora eu sei
Sabe de mim
Como se lesse meus pensamentos
Fala com os olhos
Quando me olha eu não agüento
E fico assim
Em suas mãos feito um menino
As vezes acho
Que você é dona do meu destino.

quarta-feira, 16 de junho de 2004

O Pequeno Príncipe - Capítulo VI



Assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, meu pequeno principezinho, a tua vidinha melancólica. Muito tempo não tiveste outra distração que a doçura do pôr-do-sol. Aprendi esse novo detalhe quando me disseste, na manhã do quarto dia:

- Gosto muito de pôr-do-sol. Vamos ver um...
- Mas é preciso esperar...
- Esperar o quê?
- Que o sol se ponha.

Tu fizeste um ar de surpresa, e, logo depois, riste de ti mesmo. Disseste-me:

- Eu imagino sempre estar em casa!

De fato. Quando é meio dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr-do-sol. Infelizmente, a França é longe demais. Mas no teu pequeno planeta, bastava apenas recuar um pouco a cadeira. E contemplavas o crepúsculo todas as vezes que desejavas...

- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!

E um pouco mais tarde acrescentaste:

- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol...
- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?

Mas o principezinho não respondeu.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004

MINHA ROSA É ÚNICA NO MUNDO

Mas aconteceu que o principezinho, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens.

- Bom dia, disse ele.
Era um jardim cheio de rosas.
- Bom dia, disseram as rosas.
O principezinho contemplou-as. Eram todas iguais à sua flor.
- Quem sois? perguntou ele estupefato.
- Somos rosas, disseram as rosas.
- Ah! exclamou o principezinho...

E ele sentiu-se extremamente infeliz. Sua flor lhe havia contado que ela era a única de sua espécie em todo o universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!
"Ela haveria de ficar bem vermelha, pensou ele, se visse isto... Começaria a tossir, fingiria morrer, para escapar do ridículo. E eu então teria que fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela era bem capaz de morrer de verdade..."
Depois, refletiu ainda:
"Eu me julgava rico de uma flor sem igual, e é apenas uma rosa comum que eu possuo. Uma rosa e três vulcões que me dão pelo joelho, um dos quais extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito grande..."
E, deitado na relva, ele chorou.

(Depois de conversar e cativar a raposa, esta lhe diz:)

- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda.
Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém.
Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo.
Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós.
Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco.
Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei.
Foi a ela que pus sob a redoma.
Foi a ela que abriguei com o pára-vento.
Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas).
Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes.
É a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
-Adeus, disse a raposa.
Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos , repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.