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sábado, 3 de setembro de 2011

A Insustentável Leveza do Ser

Filme do final de semana - The Unbearable Lightness of Being, 1988 - baseado no livro de Milan Kundera. Sempre vi esse livro na prateleira da casa de meus pais e sempre gostei do título - A Insustentável Leveza do Ser. Apesar dele sempre me chamar a atenção, não me lembro de tê-lo lido, agora estou curiosa para saber os pormenores dessa história, os conflitos dos personagens, a vida sentimental e psicológica deles. 

A história acontece em Praga, capital da República Checa, e também em Zurique-Suíça, em 1968 e atravessa algumas décadas. Narra os amores e os desamores de quatro pessoas: Tomás (Daniel Day-Lewis), Teresa (Juliette Binoche) e Sabina (Lena Olin) que vivem um triângulo amoroso. A história é permeada pela invasão russa à "Checoslováquia" (na época, República Theca e Eslováquia eram unidas em um só país) e pelo clima de tensão política que pairava na cidade durante esse período.
Tomas é um médico, bonito e atraente, que faz o tipo "pegador", livre e desimpedido, e vive uma vida de leveza alheia a quaisquer compromisso ou ideologias políticas.  Sabina é uma artista e a versão feminina de Tomas, formaria talvez um par perfeito se ele não tivesse encontrado Teresa, o oposto do que eles são, a única pessoa que não consegue suportar essa leveza de ser.

A expressão-título me parecia ser contraditória, mas depois de assistir o filme compreendi perfeitamente. Recomendo que assista e leia o livro também. Muito bom. 


 


Para pensar: 

‎"Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?"
 -- Fernando Pessoa

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

~ Fernando Pessoa ~

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Amo como ama o amor...



"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo"?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Regresso

Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro, 
Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim. 
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei. 
Eu reinei no que nunca fui.
Fernando Pessoa

quarta-feira, 10 de março de 2010

Encerrando Ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal
atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu
lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra
como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão


Fernando Pessoa

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés. O mesmo sempre, graças ao céu e à terra. E aos meus olhos e ouvidos atentos. E à minha clara simplicidade de alma...
Fernando Pessoa

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Adeus.

"Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre.
Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida."
(Fernando Pessoa)

Adeus.

"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu para sempre".

In, Não te Deixarei Morrer David Crockett, Miguel Sousa Tavares