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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sobejo

Lembro bem de uma cena da minha infância, lá no interior de Pernambuco, cidade dos meus avós. Lembro de um dos meus primos roendo um coco, um coco seco e duro, tentando com unhas e dentes retirar os lascos da "carne" do coco, mordendo, arrancando... aquilo me pareceu tão saboroso tanto quanto surreal, não resisti e pedi um pedaço, ao que ele respondeu: "Não, que tem ´subejo´". Subejo? O que seria subejo? Fiquei com aquela palavra na cabeça por um tempo, até que ele me explicou que era porque tinha muita baba sua por todo o coco. Pô, que palavra legal, pensei.

Muito tempo depois, na escola, acho que já no segundo grau, uma das minhas colegas bebia um refrigerante, quando outro colega, (Ícaro, o nome dele, não esqueço nunca), pediu um pouco. Eu que já estava de olho também no refrigerante da amiga, retruquei, rindo: "Dê não, fulana, que ele tem subejo".

A primeira coisa que me lembro, depois dessa minha fatídica frase, foi o murro que tomei no rosto. A segunda, foi a minha queda pra um lado. A terceira, foi o barulho das lentes dos meus óculos se estraçalhando do outro. A quarta foi a vergonha. A quinta foi a professora me dizendo: "se é pra você ficar chorando aqui na sala, atrapalhando a aula, é melhor você sair".

Bom, essa situação eu não esqueci nunca. E é dela que me lembro toda vez que alguém me retribui com grosseria algo bobo que eu tenha dito. Bobo, mal entendido, sem intenção, não importa, fico triste quando sou tratada grosseiramente por causa de algo tão banal como um "subejo".

Outro dia estava no cinema quando recebi uma mensagem no meu celular. Estava no silencioso, não tocou, não fez barulho, mas a luz do visor incomodou uma menina sentada atrás de mim. Ela não contou conversa, meteu a unhada na minha nuca e esbravejou: "desligue o celular"! Tomei um susto e ainda fiquei com o local ardendo (a nuca, o coração, o estômago e o intestino), chateada com tamanha ignorância desnecessária. Mas não retribui a grosseria. Calei-me. Educada que sou.

No mundo virtual as grosserias parecem sempre vir em capslock. Desnecessário também. Lembro de uma prima esbravejando por uma conta que cobrei dela. Lembro de um e-mail que recebi de outra pessoa, que por ser tão grosseiro, tão descabido e sem motivo, nunca o esqueci. Até hoje tento entender o por quê de palavras tão agressivas, ferinas, desnecessárias, vindas de uma pessoa que não me parecia, nem de longe, ser tão mal educada e mal amada.

Mas as pessoas são o que são. Umas são folha fina de sulfite, algumas papel de enrolar prego, outras, papel higiênico. Cada uma serve a seu propósito. Eu só faço lamentar. Quando posso, me desculpo. Quando dá, sorrio. Quando não, cato os oclinhos espatifados e saio cega no meio do tiroteio, certa que a única coisa que sobeja em muitos é a ignorância,  o mau humor, a grosseria. Ainda bem que sou bem amada.

sobejo |â ou ê ou âi|
(origem duvidosa, talvez do latim super, sobre)   

adj.
1. Que sobra ou excede. = EXCESSIVO
   2. Que supera o necessário. = ENORME, GRANDE, INTENSO, NÍMIO
3. Que mostra ousadia. = ATREVIDO, AUDAZ, OUSADO

s. m.
   4. O que resta. (Mais usado no plural.) = RESTANTE, RESTO, SOBRA


adv.
   5. Em grau elevado. = BASTANTE, MUITO, SOBEJAMENTE

segunda-feira, 19 de março de 2012

Ingratidão

Muita gente odeia o Big Brother Brasil, eu já gosto. Não gosto das baixarias, nem das putarias, mas gosto, sim, de dar uma espiadinha, de observar os comportamentos. Percebo que não é muito diferente do ambiente de vivemos, seja no trabalho, na faculdade, na igreja, nos grupos de convívio obrigatórios ou opcionais. Gosto de observar as personalidades mais polêmicas e tento fazê-las de modelo - um modelo que não quero seguir. Foi nessas minhas observações que decidi ser menos briguenta, que tento controlar meu temperamento explosivo, que tento ser mais sociável, menos "boca dura", mais diplomática. Aprendi que nem sempre ser barraqueira resolve as coisas, mas às vezes uma grosseria bem dita, na hora certa, é que põe as coisas nos eixos. É preciso saber dosar. Até mesmo porque não quero morrer de câncer, e minha retocolite reclama quando fico guardando o desaforo dentro do intestino.  
Hoje o que mais observo é como as pessoas, mesmo se sabendo erradas, teimam em querer e se justificar como certa. Como aquela pessoa que se diz "amiga de todos" e que faz a política da boa vizinhaça, tem o poder de agredir um desconhecido, e até mesmo um amigo ou um parente querido por pouca coisa. As pessoas são cheias de complexos, traumas e problemas pessoais, oukêi, mas isso não lhe dá o direito de falar o que quiser e sair por aí disparando sua metralhadora cheia de mágoas.

No meio de um turbilhão de reações, personalidades diferentes e comportamentos, para mim o pior de todos, é o da ingratidão. O cuspir no prato que comeu. O desprezar quem deu a mão, quem apoiou, quem tratou bem. Talvez esse seja o único comportamento que, por mais que eu observe, jamais irei compreender.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

sábado, 4 de fevereiro de 2012

I don´t give a shit

Essa noite fui ao circo e, sabe-se lá por que cargas d´água, aquele ambiente colorido e meio mágico me fez pensar em tanta coisa. Pensar que, por mais que o tempo passe, tem certas coisas que nunca mudam. 

Pensei também em algumas pessoas que passaram os últimos anos da sua vida vivendo em função de mim. Tudo o que fez foi para me provar que pode, que tem, que sabe, que é melhor. Cara, só tenho uma coisa a dizer: "I don´t give a shit"! Sinceramente, nunca me orgulhei de nada que eu tivesse, muito menos que outra pessoa tenha. E só posso dizer que sua vida continua não tendo nada que possa ser invejado por mim. Aceite!

Na minha solidão, a única coisa que queria era ter amigos ao meu redor. Independente de eles terem ou serem mais ou menos do que eu. Infelizmente só eu não entendi o real sentido de algumas palavras. Eu esqueci o que significa "excluída" e que consideração ou se tem, ou não tem, e ponto. Por que hei de lamentar? Não sou do tipo que se liga em bens materiais, não sei marca de carro nenhum, muito menos de ninguém, não me interesso pelos bens materiais que outra pessoa possa ter, ou se a casa dela é mais bem arrumada ou mais bem localizada. Agora, se eu sirvo de exemplo, de molde, de modelo, fico feliz por isso. Mentira... não fico não. Vivam suas vidas e deixem-me viver.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sento e observo

Observo, calada, as pessoas e seus ataques de sociabilidade restrita. Observo, durante uma festa, um círculo fechado de colegas de profissão. Observo como eles conversam e como facilmente rotulam outra pessoa (que mal conhecem) que tenta se aproximar. Preferem rótulos como medíocre, burro, insignificante. Preferem manter distância a mostrar educação, bons modos e simpatia. Oukêi, oukêi, ninguém pode dar aquilo que não tem, mas me enoja ver o ar de superioridade de quem se acha melhor por ter títulos, cargos e empregos de renome. É muita arrogância intelectual... se é que posso dizer que são intelectuais, pois muitos mal sabem fazer um "O" com o copo e só escrevem/falam um português "bem dizido".

Gostaria de observar e rir, mas não posso negar que minhas observações me trazem pesar e descontentamento. Mas fazer o quê? Só me resta pegar nojo.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

FDP

Estava vasculhando uns e-mails antigos à procura dos telefones da UFBA. Preciso entrar em contato e tentar resgatar meu diploma da pós-graduação (um dos, o outro já peguei) que fiz em 2008. Quão surpresa fiquei ao ver uns e-mails que o coordenador do curso trocou comigo e com outra colega. Tinha esquecido completamente que o cara era um tremendo Filho da Puta (me perdoem o baixo calão, mas é que a outra definição que tinha para ele é pior ainda). O cara era grosseiro, ignorante, sem nenhum bom senso, mal educado... sem contar que, certo dia, minha amiga entrou na sua sala e deu de cara com uma cena pornográfica em seu computador. Algo, tipo assim, bem aberto, escancarado, vergonhoso. Também era ridícula a forma que ele tratava bem certo(a)s colegas em detrimento de outros. Ao reler o e-mail, fiquei triste. Triste por lembrar de quanta gente ruim já apareceu na minha vida. Com quantos ZBs (não queira saber o que significa) fui obrigada a conviver, na faculdade, no trabalho, em cursos isolados, na vida. Sorte minha, por pouco período de tempo. Juro que não lembrava de nada disso, prova de que não sou de guardar rancor de ninguém, mas foi até bom relembrar. Agora já irei preparada, sei que ao solicitar meu diploma depois de tanto tempo, posso ouvir muitos impropérios. Só lamento. Mas é isso mesmo que gente pobre de espírito tem para oferecer. ¿Y que puedo hacer yo?

O homem, que, nesta terra miserável, mora entre feras,
sente inevitável necessidade de também ser fera.
(Augusto dos Anjos)

sábado, 5 de novembro de 2011

Amor e honestidade

Tá aí uma coisa que eu nunca vou entender. Hoje em dia ninguém é obrigado a casar com ninguém, muito menos a permanecer casado, então por que cargas d'água ainda tantos casamentos são feitos pelos motivos errados? 

O cara acabou de casar, nas redes sociais ainda pipocam fotos da sua união, noivado, casamento, passeios, festinhas, beijos, abraços, declarações de amor, o que for, enquanto em off, na surdina, por debaixo dos panos, ele ainda pensa e procura pela ex namorada, pela ex amante ou ex qualquer coisa. Manda recadinhos, diz que sente saudades, fala em arrependimento... cara, isso me intriga! Mais do que isso, me irrita! Para que casou, então? Para que empatar a vida de outra pessoa se a última coisa que quer é fazê-la feliz? Se ainda deseja a ex, por que não ficou com ela? Por que, covardemente, deu pra trás, magoou, abandonou? Usou tantas palavras absurdas, ferinas, assassinas, e agora, depois de tanto tempo, depois de tanto silêncio, volta com palavrinhas soltas adoçante de ouvidos? Isso só pode ser um caso de psicopatia, uma doença horrível, onde o sentimento do outro é posto em último lugar. 

Eu abomino a mentira. Abomino o fingir e o querer enganar. Nesses casos minha primeira reação é "rasgar o galo", abrir o verbo. Sou sanguínea demais para pôr panos quentes na situação, sou dessas que vão atrás das partes envolvidas, colocam as cartas na mesa, acentuam todos os is, até que a situação esteja toda esclarecida. Já tomei essa atitude algumas vezes e mesmo saindo por ruim na história, me senti vitoriosa por pensar que nunca mais seria enganada, não pela mesma pessoa. Ainda uso e abuso da máxima: "o que não quero para mim, não desejo para os outros". Da mesma forma que não aceitaria ver o meu marido apaixonadinho e saudoso por uma ex ou por outra qualquer, também não aceito que o marido de outras se digam apaixonado por mim (ou por quem quer que seja) e mande mensagens de arrependimento ou desculpas. Se ex fosse bom, não seria ex, seria atual. Se casou, tá casado, ado, ado, ado, cada um no seu quadrado. E seja bem feliz.

Sou a favor da conversa aberta, sincera e honesta. Casos mal resolvidos só tendem a estragar uma nova relação (ou uma antiga que foi reatada), então converse, criatura, dialogue, se abra, só não queira enganar. Lembre-se: uma união madura é baseada na honestidade e no amor. O que passar disso é anátema. 


domingo, 9 de outubro de 2011


Uma queda de energia acabou com o meu roteador e esse simples fato me irritou profundamente. Por tabela irritei o marido. E TPM é uó.

Segue minha indignação contra gente recalcada e mentirosa. Não sei com que cara de pau conseguem passar estórias inventadas adiante. Eu fico boba! Que diacho de mente doentia é essa desse povo? Vão se tratar, cambada. Pronto, falei.  

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Observando pessoas

Iudicium praeceps, insani iudicis index
(Julgamento apressado, juiz aloucado)


E mais um: Não me faça te pegar nojo

Gosto de observar o comportamento das pessoas. Penso que nutro uma relação de amor e ódio com o seres humanos. Ao mesmo tempo que eles me atraem, me repelem. Atração e repulsão. Alguma lei da física deve explicar isso. 

Vamos aos fatos: o carro novo da vizinha apareceu arranhado no pára-choque esquerdo, exatamente do lado da nossa garagem.

Essa vizinha é uma caso à parte. Antes de vir morar aqui, quando ainda estava reformando o apartamento, sempre que me encontrava trocava altas idéias. Várias vezes me convidou para conhecer seu ap, me perguntava onde eu tinha comprado certos objetos, e por algumas vezes solicitou nosso pedreiro para alguns serviços em sua casa. Depois que mudou pra cá, também mudou de comportamento. Não respondia mais aos nossos bom-dias, quando nos encontrava no hall do elevador mudava a direção e esperava o próximo, fechava a cara, torcia o nariz. Eu e marido meu, encrencados com aquilo, resolvemos perguntá-la se tinha havido algum problema.

Ao ser indagada, me contou um monte de histórias, que alguém a tinha acusado de pôr objetos na janela, que a portaria ligou reclamando, que estava pensando em se mudar do condomínio, gaguejou bastante, e eu sem entender onde ela queria chegar, tive que ouvi-la explicar que parou de falar com a gente porque a gente não falava mais com ela.

Como assim, Bial? Em momento nenhum isso aconteceu, muito pelo contrário, ela nunca respondia os nossos cumprimentos, desviava o caminho, baixava a cabeça... não dá pra entender. Eu e Marido Meu ficamos boquiabertos. 

Dessa vez com o arranhão no seu carro novo, ela soltou que tinha pensado que "tivesse sido alguém do condomínio", porque bateram no carro e fugiram, mas depois ela concluiu que isso aconteceu no estacionamento do dentista. 

Bom, "alguém do condomínio" obviamente seria a gente, já que a batida era justamente do lado da nossa garagem, mas como nosso carro estava intacto, acho que teve que buscar por outras hipóteses. 

Fiquei pensativa no que se refere a duas questões: 
  1. como alguém bate num outro carro dentro do condomínio e foge, uma vez que existem câmeras por todos os lados? E foge pra onde, se mora neste mesmo condomínio??? 
  2. Como alguém pode pensar (e afirmar!) que foi o vizinho quem fez isso e omitiu o fato? Baseando-se em que critérios? Não seria um julgamento precipitado? 
Cheguei à conclusão que tais desconfianças baseiam-se em critérios próprios e pessoais:
  1. Ela pensou que fosse o vizinho porque ela mesma teria coragem de fazer aquilo - bater num carro, fugir e fingir que não tinha sido ela.  
  2. Ou pior: ela pensou que nós fôssemos responsáveis pelo arranhão porque talvez ela tivesse pensado em arranhar nosso carro motivada por vingança! 
Elementar meu caro Watson. Faz sentido. A mente do ser humano é complexa... Agora estou aqui pensando... será que foi um(a) vizinho(a) apaixonado(a) que fez um arranhão em formato de coração na pintura do nosso carro?

domingo, 31 de julho de 2011

Misantropia


Olho o facebook e tudo é tão "aff".
Entro no orkut e me sinto entediada.
As pessoas falam e eu pego nojo.
Há vários dias ando completamente misantropa.
Senhor, me ajuda a amar os outros como a mim mesma.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O portão

E continua minha indignação - (porque quanto mais tempo moro aqui, menos me acostumo) - por que o povo dessa cidade é tão grosseiro?

Estava eu indo ao salão de beleza que fica no primeiro andar de um pequeno prédio comercial. Quando cheguei na entrada uma senhora já vinha descendo e alcançamos a fechadura do portão ao mesmo tempo. Retirei a mão e ela abriu o ferrolho, no entanto o portão não se abriu. Pensei eu que estivesse emperrado (já que era de ferro) e tentei ajudá-la segurando uma das barras e balançando um pouco o portão, nesse mesmo tempo eu observei que havia mais um ferrolho na parte de cima que ela já estava tentando abrir, mas, coitada de mim, foi tarde demais. Por causa da minha atitude de tentar abrir o portão balançando o mesmo, recebi um gritão na cara: "CALMA, MINHA FILHA, EU VOU ABRIR"! No mesmo instante meu cérebro já processou e identificou: sergipano mal educado. Respirei fundo, esperei ela sair e depois que ela passou por mim eu disse: "Desculpe-me, eu apenas pensei que estivesse emperrado". O que ela respondeu com o mesmo tom irritado e arrogante: "Emperrado? Nem tem como". Eu, tonta, ainda tento acrescentar: "Tem sim, isso aqui é um portão de ferro". A feia completa: "Se você não sabe aí em cima trabalha gente". Não, Pedro Bó, eu não sei não, tô subindo só pra olhar a vista de lá de cima, a avenida engarrafada me é tal qual a vista a Torre Eifel. 

Depois disso ela ainda retornou ao salão, sentou na cadeira ao lado da minha, e ai que vontade de tirar satisfação... mas por que faria isso? Não sou daqui e preciso fazer o diferencial. Agora me diga, como é que não se toma nojo?

sábado, 4 de setembro de 2010

Análise

Todos somos responsáveis por tudo, perante todos. Dostoievski

Hoje em dia raramente um filme me surpreende, sempre costumo adivinhar o final antes que ele acabe. Com as pessoas acontece o mesmo. Nem sempre foi assim, mas penso que ter escrito por tantos anos sobre as pessoas, sobre mim, sobre os acontecimentos e sentimentos, faz com que hoje, ao reler, eu possa compreender e decifrar as pessoas antes que elas falem, antes que elas se expressem, antes do final, antes mesmo de acontecer.
Continuo curiosa em relação às pessoas. Gosto de observá-las, observar suas reações... todas tao previsíveis Continuo observando ela. Não a conheço, nunca a vi, mas como pode mesmo assim ser tão transparente, tão óbvia? Ela reage a cada provocação minha, faço tudo propositalmente e ela corresponde a cada provocação tentando fingir descaso, tentando fingir que é superior. Ah, sim, foi assim que ela se definiu de uma forma tão pueril que cheguei a ficar comovida: " sou sim muito mais muito superior a você e agradeço ao Senhor por isso..."  Eu sei que você é, gata, eu sei.


Ela responde as minhas comunidades no orkut, ela bloqueia as suas fotos para em seguida fazer uma montagem com todas elas e me mostrar, ela cria vídeos pra me mostrar com está a sua vida, implora para que os amigos em comum me excluam das suas páginas de relacionamento Ela se mostra, ela me mostra. Ela faz tudo pensando em mim. Ela lembra de todas as nossas conversas e as transforma em imagens. E como me é interessante observar! Como me diverte ver o esfoço que ela faz pra dizer que me odeia, que quer distância, o esforço em me hostilizar, agredir, expulsar. Isso tudo em páginas e páginas, em milhares de letras e palavras. O esforço que ela faz pra acreditar que eu a odeio. Absolutamente. Nao há motivos para odiá-la. Nenhum. Mas se pensar o contrário a faz se sentir melhor, então permito, de certa forma até alimento. Meu lema: "Mais feliz vendo o outro ser feliz".


Mas enquanto ela se preocupa, eu me divirto observando. Acho que mais uma vez estou na profissão errada, eu deveria ser psicóloga, sou muito boa nisso. Nisso e em um tanto de outras coisas mais. 

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Culpamos as pessoas das quais não gostamos pelas gentilezas que nos demonstram. 
Friedrich Nietzsche

Interesssante como as pessoas estã tão acostumadas a serem maltratadas que repudiam qualquer demonstração de carinho. Mais um aspecto a se analisar...  talvez hoje não haja compreensão por completo de todo a situação. Hoje não. Mas talvez daqui a anos e anos, relendo esse blog eu, você, nós, possamos entender, e talvez possamos nos desculpar pelas palavras de agressão. Talvez voce possa me entender, ou menos que isso, apenas ver, enxergar e poder dizer "obrigada". Ou talvez não. Whatever.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007


Não há nada encoberto, que não venha a ser revelado [pelo orkut]; nem oculto, que não venha a ser conhecido". 
(Palavras de Jesus, segundo Mateus, 10:26. Com grifo da autora).

Cada vez mais amo esse tal de orkut (lembrando que amar é sofrer).
Continuo dizendo que quem não deve não teme e sigo rindo de quem apaga todos os scraps, de quem reclama quando acessam seu perfil, daqueles que odeiam quando olham suas fotos e acabam deletando o perfil "porque só viviam fuçando" (leia frase entre aspas com tom de nojo)... ora, se não 'güenta pra quê veio?
Mas vou ter que concordar... ô bichinho dedo-duro esse orkut, viu?

"E conhecereis o orkut e a verdade vos libertará". 
(Palavras de Soberana)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Não me faça te pegar nojo!

Pela mãe do guarda, eu imploro:

Não me faça te pegar nojo! Porque se tem uma coisa que mais me irrita é quem fala de mim sem me conhecer, quem toma conclusões precipitadas a meu respeito, baseando-se em fatos superficiais, ou quem se preocupa demais com meu bem-estar físico-psíquico-emocional-amoroso-financeiro. Gente chata Parte II - "Porque pagar minhas contas ninguém quer"!

Aconteceu com uma amiga que gosto muito, não sei se foi mal entendido, mas ela andou muito preocupada com minha integridade moral. Sei que foi com boa vontade, mas não gostei quando ligou pra saber se eu estava no cinema mesmo ou se tinha ido ao motel com o amigo do namorido dela. Também me alertou para o fato dele só querer estar comigo por causa do meu título e do emprego do meu irmão. Além disso, me mandou um daqueles e-mails que conta a história de uma menina ingênua que foi se encontrar com um cara que conheceu no orkut e lá foi violentada, espancada e morta, complementando "Tome cuidado". Sim, somente EU tenho que tomar cuidado? Desgraças desse tipo não acontecem o tempo todo no mundo com qualquer pessoa? Por que eu tenho que tomar cuidado e ela não? Mas, entendi e perdoei, sei que ela gosta muito de mim, por isso a preocupação, mas agradeço.

Tem aqueles que se preocupam com o meu salário. Tem coisa mais irritante? Teve gente que esteve na minha casa e depois saiu comentando: "Para quem é uma engenheira a casa dela deveria ser melhor". Sim, se eu não quero comprar um sofá de R$1.000,00 não é da conta de ninguém! Se eu só posso ter um carro popular não é da conta de ninguém! Pagar as prestações ou o seguro do meu carro ninguém quer, né? Outros ainda são mais atrevidos, se eu digo que não tenho condições de comprar ou fazer certas coisas, indagam: "Você e solteira, ganha bem, faz o quê com seu dinheiro?" Sim, pagar meus telefones, minha internet ninguém quer, né?

Também tem outros que se preocupam enormemente com meu relógio biológico ou meu estado civil e se acham no direito de falar pra mim:


Tá escolhendo muito!

- Vai acabar ficando a pé!

- Pegando papel na ventania!
- No caritó!
- Ou se preferir, vai virar noiva de Jesus Cristo!
- Já está na idade de casar, constituir uma familia, ser mãe, vai por mim, deixe um pouco essa correria que é a sua vida de lado e pense mais em você, aproveite essas ancas de boa parideira que tem e faça uns 4 filhos.
- O tempo passa e quando a gente vê, está sozinho, tendo vontade de ter uma criança sem poder mais, um dia vai sentir falta e espero que não seja tarde demais!
- Não te desejo mau, apenas acho que precisa de alguém, precisa de um norte, um sentido pra realmente viver intensamente, já está com 29!
- Seja menos exigente, mais compreensiva, aprenda a viver com a ignorância dos seus pretendentes, e seja mãe.
- E com a minha ajuda vamos resolver esta situação.
- Quer que eu te arranje um namorado? 


Agora veja se eu agüento ouvir isso tudo? Não inventei, não, viu? Mandaram isso pra mim no msn. De uma tacada só. Sem comentários.
Mas eu estou muito preocupada com isso tudo, viu? E nem dá pra ficar, porque quando eu penso em me preocupar com a minha integridade, meu salário e minha vida amorosa, vem alguém e se preocupa antes de mim.

Sinceramente... vomitei de tanto nojo. 



Veja também: Gente Chata Parte I 

quinta-feira, 10 de maio de 2007


Não me faça te pegar nojo!
Pessoas que, infelizmente, caíram enormente no meu conceito:

  
Seu Madruga, Lula Molusco e até o Ursinho Puff.
Como diria a Vaca Profana: "De perto ninguém é normal". Ouvindo isso, Alice gritou: "Eu não quero me encontrar com gente louca"!, mas o Gato replicou: "Você não pode evitar isso, todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco. Você é louca." 

Triste de Alice, que por ser louca, só se relaciona com gente anormal. Deleta, Alice.

Nojo anterior: 20/04/07

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Demorou, mas voltou:


Não me faça te pegar nojo!
A série tolerância zero agora com um misto de "Aderbal"
Já de início, mais uma vez, peço desculpas se alguém se reconhecer nessa série de histórias, mas é que de repente me deu vontade de ser extremamente sincera, portanto não irei poupar nem amigos a quem gosto muito. Por favor, não se chateiem comigo.

Gente chata Parte I - "Leitura incorreta, tente novamente"

Não sei se eu é que sou chata, se é culpa da TPM-nossa-de-cada-mês ou se realmente gente chata de vários lugares do mundo resolveram me chatear.

Estava eu no caixa-eletrônico tentando pagar minhas contas que já estavam atrasadas, um calor da pêga dentro daquele biongo e a porcaria do cash que toda hora avisava: "Leitura incorreta, tente novamente". Lá fora um cara nervosinho achou pouco o meu desconforto e resolveu bater na porta de vidro com força e gritar:

"Minha filha, agilize, que eu estou atrasado"!

Virei para ver a cara do cidadão e pensei comigo, com as tela do cash e com o cartão do banco: "Sim, e o que eu tenho a ver se ele está atrasado"? Só o cash me respondeu: "Leitura incorreta, tente novamente". Consegui pagar as contas depois de muito sacrifício, mas me demorei a tirar um extrato. O cash repetiu mil vezes: "Leitura incorreta, tente novamente".Tirei, de propósito, extrato de vários meses, fiquei olhando pra eles, depois saí, parei na porta e disse calmamente, com toda a minha baianidade-nagô:

"Quando a gente pede com educação, as coisas se resolvem mais facilmente, viu?" Ele não olhou pra minha cara, ficou olhando pra o lado, só disse: "De hoje que eu estou aqui".
E eu, ainda calmamente, pude completar:

"Se você não tem educação, procure ter, se esforce um pouquinho".

Ele continuou de cara virada. Eu fiquei irada. Sábio é Deus quem não me fez alta, forte e amante de artes marciais.


Capítulo anterior: 26/01/2006

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Bruuuuutaaaaa!!!!!



Eita, que eu ando numa fase de brutalidade! Normalmente eu sou muito complacente (será?), mas outras vezes eu perco a paciência, a tolerância chega a níveis negativos e para deixar um rente com o chão é como quem vai ali e volta. Principalmente gente metida a inteligente falando merda, ou gente metida a engraçadinha que gosta de tirar onda e mangar da cara do povo por causa de besteira. Affe! Tenho paciência não.

Tem um idiota no orkut que resolveu descontar a dor de corno dele em mim, quer discutir comigo sobre a igreja. Mas! Nem sabe a raiva que eu tenho de pessoa metida a santa que gosta de corrigir os outros.
Outra vez entrou um obreirinho da igreja aqui no meu blog para me esculhambar, achando que o anonimato seria para sempre. Quebrou a cara! Porque eu sou ruim e o cabelo ainda ajuda.
Mas ultimamente, além de bruta, eu ando seca. Sei não o que é isso. Estou fria. Racional. Realista. Sem ilusões. Tratei uma amiga assim através de e-mail, justo ela que sempre esteve comigo nos meus mais loucos devaneios. Não sei o que deu em mim.

Hoje um colega me manda um desses e-mails engraçadinhos criticando a Igreja Universal. Tá certo, eu também não sou muito fã da Universal, mas só acho que para criticar é preciso ter conhecimento de causa. Aí, estava eu muito compenetrada com meu trabalho (trabalho de corno, que eu nunca vi uma coisa render tanto, parece que dá cria, porque por mais que eu me esforce pra terminar, sempre tem mais alguma coisa. E esse parênteses ficou tão grande que agora eu perdi o fio da meada, mas enfim...) quando recebo um e-mail falando sobre uma cartilha de sexo supostamente escrita pela Igreja Universal, falando quais as posições aceitáveis ou não por Deus, e como deveria ser feito o sexo apenas para procriação.

Estranhei porque em certo ponto li que "o homem (...) não deve encostar seu peito nos seios dela, deve manter uma distância pois a fêmea deve estar rezando aos santos para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois do ato sexual, os dois devem rezar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência, o açoite com vara de bambu é aceito como forma de purificação".

Então, respondi ao meu colega: (que mandou esse e-mail pra mim porque sabe que eu sou evangélica e só estava a fim de tirar onda com as minhas crenças, achando que eu também ia achar engraçado)

"Tem algo errado nessa cartilha. Ela está mais para a igreja católica do que para a igreja universal. Pois na igreja Universal, dita evangélica, não se fala "rezar" e muito menos "aos santos", já que não se idolatra os santos que só existem no catolicismo ou em algumas seitas africanas como a umbanda, candomblé, essas coisas. E outra, a punição só é incentivada pela igreja católica, como é conhecido historicamente. Antes de repassar um e-mail, procure pesquisar sua veracidade.
Um abraço".


Assim... Numa boa.
Mas ele se irritou e me respondeu em letras garrafais, quase gritando:

"NÃO ESTOU PRECISANDO CRITICANDO O QUE É CERTO OU ERRADO, MAIS VC ADORA CUTUCAR A ONÇA, TUDO BEM, NÃO VOU PERDER MEU TEMPO ENVIANDO MEUS EMAIS PARA TI, AINDA EXISTEM PESSOAS QUE LEVAM NA ESPORTIVA, VOU PROCURAR SELECIONAR MELHOR MEUS CONTADOS, PASSE BEM".

Olha, que grosso! Mas como eu sou uma pessoa "muin´tranqüila", tive meu direito a réplica cedido por mim mesma:

"Nem eu estou criticando. Só acho que antes de mandar e-mails engraçadinhos, precisa saber se eles são verídicos ou não. Foi só um alerta, mas já que não aceitou, me desculpe por ter desperdiçado meu vernáculo com o senhor.
E tenha um bom dia.
p.s.: está nervosinho assim pq? É falta? Pena que não posso nem quero lhe ajudar. Beijos!"


E estou esperando a resposta. Hehehehe! Tenho que confessar: eu adoro uma discussão. Fazer o quê? Não vou mentir. Que é? Tá reclamando de quê? Vai querer encarar?

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Não me faça te pegar nojo





E me deixe, que hoje eu tô azeda!
Mas quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece!
Ultimamente tenho dado de cara com cada tipo de gente que Deus me livre. Ô povinho complexado! Estou começando a achar que o problema é comigo, só pode, porque eu nunca vi ninguém atrair tantos problemáticos como eu.
Começando pelo povo da Reforma, que não sei por que cargas d´água eu continuo insistindo em pensar que são gente boa. Na verdade eu nunca vi um lugar pra ter tanta gente mesquinha.
Discuti com uma ex-amiga da igreja no orkut e depois por e-mail. Tudo isso por causa do babado de ter sido expulsa do grupo da igreja. Aliás, eu fui literalmente expulsa da igreja, mas isso é outra história. O que eu quero dizer é que no meio da confusão fiquei sabendo que outro amigo (também componente do grupo) deu graças a Deus por eu ter saído, e completou dizendo: "Deixa essa encrenqueira ir, só é uma pena por causa do carro e dos cds dela". Pense o quanto eu fiquei decepcionada em saber disso, logo eu que tinha a maior consideração por ele.

No trabalho está acontecendo quase a mesma coisa. Um cara era a maior coisa comigo vivia me enchendo de mimos, de doces, chocolates, comidinhas e de repente, da noite pra o dia, me soltou uma piada e nunca mais falou comigo. Eu, hein? Acho que na verdade ele estava a fim de mim, mas ele é casado e velho, não dei bola então resolveu agir dessa maneira comigo. Que estranho um homem velho ficar de mal de outra pessoa, assim do nada, como se fosse guri de escola!

Agora tem outro, vizinho de mesa, que também vive a me dar piadas e já está passando dos limites. Outro dia no refeitório foi bem desrespeitoso comigo dizendo: "Kkkkkk!!!! Olhando de lado assim como você está, só dá pra ver a bunda". Eu fiquei pretérita e logo em seguida completou em voz alta: "Tá vendo? Aqueles caras ali estão de olho na sua bunda!" e apontou pra uma mesa rindo novamente.
Menina, eu virei na pêga e estava escrachando ele quando outra colega chega e vem me repreender dizendo que ele era gente boa e que se ele tinha dito aquilo é porque eu tinha dado ousadia e que eu tinha que parar de encrencar ele.
Veja se alguém merece ouvir tamanha idiotice! Eu já não estou suportando mais.

Antes disso teve o lance do e-mail cheio de incoerências.
A gerência da empresa convidou algumas pessoas do meu setor pra um jantar, eu inclusive. Ao ser convidada fiquei preocupada se eu seria a única mulher a ir, se era só o nosso setor (que só tem 3 mulheres e nenhuma ia) ou se outros setores também foram convidados. Na verdade eu estava procurando algum conhecido pra poder ficar conversando no jantar, que seria num restaurante japonês onde eu não como coisa alguma e com a companhia de japoneses e turcos falando inglês.
Mando, então, um e-mail pra esse colega de sala dizendo:
"Fulano, você também foi convidado pra esse jantar?"
E olha a resposta que eu recebo:

"Isto ainda não me pertence. Um dia chego lá.
Quem sabe aos 47 do segundo tempo. Estamos aqui somente para a labuta".


Na verdade o jantar era só para os engenheiros, e os supervisores, assistentes, auxiliares técnicos não foram convidados. Só que eu não sabia disso, então respondo:

"'Estamos' se referindo apenas a você, né?
Porque eu fui convidada, mas não estou nem um pingo interessada em 'chegar lá'. Nem comida japonesa eu como!"


E então ele se retou e me mandou o discurso:

"Ok! Você não foi muito clara na sua frase já que é toda excluída, oprimida. Realmente pensei que estivesse falando dos outros convidados do qual sei que seu radar capturou tudo. Inclusive que ele não veio até mim. Você realmente é muito ligada a pequenas coisas. Vou para reuniões onde posso ir e nem por isso tiro onda com quem é menor que eu. Quanto ao interesse de ir, não conheço uma mulher em tentativas de ascensão que não fosse curiosa o suficiente para não saber do que vai rolar neste jantar. (...) Ah! Tenho faculdade que no momento é a coisa mais importante pra mim".

Fiz cara de "oxe!" e não acreditei no que li.
Na verdade ele estava pensando que eu estava humilhando ele como se dissesse: "Eu vou, você não va-ai! Porque eu tenho nível superior e você não tem-em!"
Ah, me poupe! Eu não agüento mais isso. Definitivamente peguei nojo e agora não tem mais jeito.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Em boca fechada não entra mosquito



Mais uma história que poderia ser da série "Não me faça te pegar nojo".



Em boca fechada não entra mosquito
Eu sou uma pessoa com um senso de humor que muitos estranham. Muitos que não me conhecem. Eu sei que sou assim, como já me disseram: "Não é o que você fala, mas COMO você fala". Isso pra mim é desculpa de pessoa recalcada e complexada que não agüenta ouvir nada. Ou talvez meu humor seja negro, sei lá.
Só sei que por saber que sou assim, eu prefiro muitas vezes ficar caladinha quando estou num ambiente onde ninguém me conhece ainda. Mas ninguém agüenta ficar calada a vida inteira, então de vez em quando, ou quase sempre, eu falo e acabo dando uns forões por conta disso.


Já aconteceu aqui no blog. Chamei a mim mesma e as minhas primas de "vacas" - forma carinhosa de nos comunicar, e um babaca da igreja se doeu e resolveu que, por ser obreiro da Reforma, deveria me dar uma lição de moral, mesmo que anonimamente e com infantilidades. Acabou que a baixaria foi grande. Enfim, o blog é meu, as primas são minhas, e eu falo o que eu quero, como eu quero e quando eu quero. Ninguém tem nada a ver com isso.


No trabalho eu entrei e fui logo oprimida pelo meu feitor. Fizeram me passar pelo teste do ar-condicionado, ou melhor dizendo, teste do frigorífico, e eu não podia me levantar pra fugir do vento gélido, tinha que ficar grudada na cadeira, "produzindo", como uma máquina. Sendo assim, eu era uma pessoa calada, taciturna, quieta, triste. Algumas pessoas acharam que eu era assim mesmo, e quando me viram rindo e brincando estranharam. Fui chamada de "engraçadinha", dê dinheiro, mas não dê ousadia, recebi algumas lições de moral e a vida seguiu.


Eis a conversa que se deu por e-mail, quase na íntegra.


Alguém manda e-mail pras colegas na hora do almoço: "Atenção, atenção, tá quase na hora do almoço. E ponto final".
Outra responde: "Parágrafo: o que acham de 12:15?"
Eu digo: "(vírgula e travessão) Acaba sendo12:30 mesmo pq Fulana sempre se atrasa (hehehe!!!)"
Fulana responde: "Mas olha a audácia da outra... Há um mês atrás nem abria a boca pra falar nada, agora já está querendo dar uma de engraçadinha... É como dizem, dê dinheiro, mas não dê ousadia..."
E eu: "Piu!" (calei a boquinha)


Até aí tudo bem. Outro dia foi melhor.
Uma amiga conta que saiu da academia e foi jantar com o marido. Esqueceu os tênis e acabou indo com a bota do trabalho e a malha da academia, uma coisa linda. Eu, claro, rindo e achando tudo engraçado, brinco na hora do almoço:


"Ainda bem que não foi almoçoar comigo de malha de academia no meio da canela e essa bota de segurança linda!
Porque se fosse assim eu preferia almoçar sozinha".



E a pessoa responde:
"Obrigado pela consideração mas mesmo assim não to nem ai, porque aparência de roupa não quer dizer nada, meus valores não estão na vestimenta muito menos em um par de bota, (quando se gosta da pessoa e reconhece seus valores isso não tem importância ) a não ser que eu estivesse nua.
Quem poderia se incomodar nem ligou, foi o meu maridinho, comi e paguei do mesmo jeito que se estivesse com sapato de ouro."



Eu, de novo, "piu".


E teve mais:
Reclamei que estava fazendo um trabalho chato e o meu colega disse: "Chato é o meu, que tenho que refazer a mesma coisa trilhões de vezes".
Eu respondi: "Colega, está desmerecendo a chatice do meu trabalho?"
Outro colega, se mete na conversa e vem dar lição de moral: "Ele não está dizendo isso. Não deturpe as palavras dele. Eu entendi exatamente o que ele disse e blá-blá-blá".
Ô, colega, se mete não na conversa alheia que não lhe diz respeito!


Mas será que as pessoas ao meu redor são estressadas ou sou eu que não estou entendendo o senso de humor dos outros?


Piu.