sexta-feira, 16 de julho de 2004

Conversa de bobalegres


Queria saber...
Por que meu cabelo em vez de crescer, encolhe?

(...)

Ele nem queria ir. Tinha passado a tarde na rua resolvendo as coisas da casa de praia pra o fim de semana, tinha limpado vômito da sobrinha no carro, era seu dia de folga e nem pôde descansar, mas eu choraminguei: "ah, vc não quer me ver!" - e ele foi.
Encontro de corais de Sergipe. Eu gosto... mas e ele?
Parecia concentrado, sério. Será que ele vai ficar entediado? - pensei.
Enquanto o coral se apresentava, me mostrou uma mulher que disse ele parecer uma sertaneja, uma raladora de milho, daí começou a chamá-la de Emília. Achou a pianista com cara da Nicete Bruno, e quando o coral saiu, bateu palmas e se despediu do Sítio do Pica Pau Amarelo.
Dessa vez a apresentadora anunciou: "Coral da COHIDRO" - então ele disse: "Trabalham com água, devem vir vestidos de azul".
E lá estavam. Azul turquesa. Blusas esvoaçantes. Risadas contidas.
"Coral do IBAMA!" - e dessa vez Jamille disse: "aposto que todos estão de verde".
Sim, verde musgo. Calça e blusa. Risadas.
Quatro crianças completaram o coral. Quando entraram na penúltima música, ele disse: "Aposto que vão imitar algum bicho" - e eu completei: "Sabia que quem trabalha no IBAMA ganha um dinheirão pra pegar urubu no aeroporto? - Mais risadas.
E quando anunciaram o coral do DER, eu logo deduzi: "Todos vêm vestidos de estrada. Roupa preta com duas faixas no meio".
Mas eles vieram vestidos de placas de sinalização. Risadas incontroláveis.
Psiu, psiu! Silêncio!

P.S.: Tem álbum de fotos novo. www.vejafoto.com.br/soberana. Uma foto por dia. Espiem e comentem. Começa hoje a sessão das fotos do aniversário de Pedrinho.

quinta-feira, 15 de julho de 2004

Dias frios



Eu agora tenho torcicolo todo dia. Não pulei mais de blog em blog em busca de inspiração. Não como antes.
Eu deixo a minha casa ficar sem luz. Eu continuo sem lugar pra guardar as minhas bagunças. Eu deixo o quarto bagunçado.
A minha internet é uma porcaria, as páginas demoram a abrir. Alguém ainda usa conexão discada? Eu, sim.
Ainda fico doída da academia. Ontem eu machuquei minha mão nos alteres. Doeu, mas todo mundo achou besteira. Ficou roxa, mas ninguém deu a mínima.
Tô com dor de cabeça. E Nel me enjôa. Ela quer que eu sinta seu perfume de amêndoas doce, que me faz vomitar. Ela não me deixa escrever esse post...

Não tenho mais inspiração pra escrever. Quero só viver. Quero rir.
Não fico mais triste. Nunca mais chorei. Mas acho que sinto saudade.
Eu dou risada quando ele explica pra os amigos onde me conheceu. Diz que foi na estrada de Paulo Afonso pra Aracaju. Diz que eu estava no meio da estrada e ele parou. Diz que eu estava vendendo mangas e ele parou pra comprar. Aí me levou junto. E ri, imaginando. Eu também, imaginando. Rimos juntos de tudo.
Ele passa trote pra mãe e ela cai.
Ele escolhe a melhor casa de praia porque a namorada dele não fica em qualquer muquifo e me imagina passando o final de semana numa casa com galinheiro na frente. E ri. Eu rio da risada dele.
Ele tem senso de humor. Ele é mais novo do que eu. Eu digo que ele é um menino e ele diz "sou um homem".
Ele é lindo, sim, ele é...

Agora...
Por que cargas d´água ainda continuo pensando em você?
E chego quase a sentir saudade da melancolia que me trazias...

"quando
te conheci

me deste
não um dia
igual ao outro

Livrei-me
do tédio
do corpo

o vento
não teve
pena de mim
e carregou
minha alma

....

mas hoje
te liguei
e você
esfriou
a voz
ao te dizer
- oi -

pesou
meu ser
que voltou
rachado
ao chão

aos passos
circulares
frios
dos dias

teu vento
agora esfria
congela" 

quarta-feira, 14 de julho de 2004




"Só uma palavra me devora
Aquela que o meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofri"


(Jura Secreta - Sueli Costa & Abel Silva)

terça-feira, 13 de julho de 2004



"...E quando vejo o mar, existe algo que diz:
- A vida continua e se entregar é uma bobagem.

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim.
Quero ser feliz ao menos.
Lembra que o plano era ficarmos bem?

- Olha só o que achei: cavalos-marinhos...

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora..."

(Vento no Litoral - Legião Urbana)

Nada como um dia atrás do outro... ai, ai!

Dizem, e é verdade, quem é vivo sempre aparece.
Domingo, minha amiga Liliu das Itabunas resolveu dar o ar de sua graça. Deu, no bom sentido, e ficamos quase 2 horas falando ao telefone. Com ela é sempre risada. Boas risadas! Conta as baixarias que apronta (baixarias no bom sentido, que ela é mulher "derecha") e a gente ri tanto que dá dor nas costelas.
Ontem, foi a vez do meu amigo de olhos verdes Rom também mandar dizer que está vivo e continua aquela perfeição. Conversamos por um bom tempo e gostei de ouvi-lo reclamando que só ele ligava (hahaha! Sempre era eu que reclamava).
Agora me deu saudade de outros sumidos... humpf!

Eitcha, que é bom pra mais da conta receber telefonemas inesperados! E dos amigos queridos, nem se fala!

A série Do Arco da Velha continua. Vá ver na Lata do Siri, oukêi?

segunda-feira, 12 de julho de 2004

Mudou de nome. Sempre achei mesmo o título pobrinho, então Kedma resolveu mudar o Dose Dupla pra Siri na Lata &Cia, achei a cara dela! A "Cia" sou eu, mas como ela disse que eu nunca apareço, a bichinha fica só mesmo...

Tem gente que acha que a gente é doida. É verdade, de vez em quando dou uma de louca. Acho bonito ver as pessoas pensando que estou falando sério, quando na verdade eu estou brincando pra ver a reação delas. Maldade? Que nada!
Fabinho, tadinho, fica maluco! Às vezes eu digo umas maluquices e ele fica injuriado. Mas tô com medo, ele já está quase tendo certeza... ops! Quero dizer... ele já está quase acreditando que sou doida mesmo. Mas ele acha bonito. Acha bonito e gosta... dá risada disso.

Mas, o que eu quero contar é que se eu e Kedma somos doidas, temos a quem puxar. Está no sangue, está nos genes.
Vou contar hoje a história de minha tia-bisavó Leonídia - nome bonito! Mas ela era conhecida com Tia Goló - nome mais bonito ainda...
mas não vou contar aqui, vou contar lá... na Lata do Siri. Confiram!

E sexta-feira de noite? Fui pra o ensaio na igreja e quando lá cheguei os portões estavam trancados e minhas amigas dentro da igreja... quando gritei, elas saíram correndo e rindo da minha cara! Coisa de doido? Coisa pra ser contada no Amigos de Jesus, pra vocês verem como a gente é dedicada ao louvor.

E quem manda ficar parindo blogs? Agora fica aí sem poder criar!
Aproveitem e vão no Tops de Linha, só pra completar a trilogia.

Falei e Disse.

sábado, 10 de julho de 2004

Conquistei.


"Namorado é a mais difícil das conquistas"

Nem lembrava mais como era bom andar de mãos dadas e saber que a outra pessoa quer estar comigo e faz questão disso.
Agora não tenho mais inveja de outros casais. Hahahá!
Agora fico deslumbrada quando o ouço dizendo: "minha namorada" e penso: "É comigo! É comigo!"
Agora posso ligar pra alguém todos os dias pra dizer: "Boa noite. Bom dia. Boa tarde".
Tenho cunhadas e sogra. Tenho sobrinhos.
Posso falar "meu amor, meu bem" e vê-lo sorrir de volta.
Posso dizer que ele é lindo, que é gato (e ele realmente é) e ouvi-lo me elogiar sempre.
Ele nota meu cabelo diferente, ele nota a minha roupa... ele diz que sou linda.
É bom saber que ele me valoriza. Ele enche a minha bola, alimenta a minha auto-estima.

Cara, é bom demais!
Ele faz com que eu me sinta menos só. Ele mandou a melancolia e a solidão embora.
Mesmo que de vez em quando alguém leia aqui e me veja saudosa de tudo que eu ainda não vi, saibam:
Estou feliz!!!!!

E dia 30 desse mês é aniversário dele? Helpem-me! O que compro????

"...quando você diz o que ninguém diz
quando você quer o que ninguém quis
quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
quando você arde alardeia sua teia cheia de ardis
quando você faz a minha carne triste quase feliz

você me faz parecer menos só
menos sozinho

você me faz parecer menos pó
menos pozinho..."


(Skap - Zeca Baleiro)

sexta-feira, 9 de julho de 2004

Entrem no blog Amigos de Jesus, e conheçam o Quarteto Luz da nossa igreja em São Paulo.
Pra quem já conhece, aproveite a música. 



Cavalos Cantando
 

Eu os conheci em Belo Horizonte. Pra falar a verdade, de início surgiu uma inimizade, pra depois a gente fazer as pazes como numa boa irmandade.

quinta-feira, 8 de julho de 2004

Mesmo Sozinho

(Titãs)

Uh... Baby!
Porque você foi pra tão longe?
Não precisava tanto
Bastava só não telefonar

Uh..., Baby, baby!
O que aconteceu?
O ar não foi suficiente?
Você não viu, você sumiu
Mudou de lugar

No mais, estou vivendo normalmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido o contrário

Estou feliz
Mesmo sozinho
Esse silêncio é paz
Nesse momento cai
Uma forte chuva
Quem vai ficar chorando?

Uh... baby!
Sabe do que eu sinto saudades?
Do seu sorriso de manhã
E do quarto tão desarrumado


Uh... baby!
Saiba que gosto muito de você
Espero que esteja feliz
E bem acompanhada(o)

Normal, estou vivendo, simplesmente
Não vou ficar pensando
Se tivesse sido o contrário
Estou feliz...

-----------------------------------------------------------
Tocava essa música.
Ele me trouxe pudim. Adoro pudim.
Tocava essa música, mas não era nele que pensava.
Ele é tão prolixo... cansa-me ouvi-lo falando.
Não gosto da voz dele. Não gosto do sotaque dele. Não gosto da toalhinha que ele passa constantemente no rosto pra enxugar o suor.
Olho pra ele e penso: jamais ficaria com ele. Jamais gostaria dele, mesmo ele me entendendo em tudo, mesmo ele nunca se irritando com as minhas irritações, mesmo ele pagando a conta, mesmo ele fazendo tudo o que eu quero.
Mesmo ele trazendo pudins.

Tocava essa música.
E ele ligou, mas não era nele que eu pensava.
Ele é tão alegre. Sempre... às vezes cansa-me vê-lo rir de tudo. Queria que fosse bem sério às vezes. Queria que fosse mais inteligente. Mais determinado.
Não gosto da voz dele. Não gosto do sotaque dele. Não gosto do jeito que ele mastiga... mastiga as palavras... mastiga um chiclete imaginário.
Olho pra ele e penso: acho que jamais me casarei com ele. Jamais me apaixonarei, mesmo ele me dando tanto carinho, mesmo ele me enchendo de beijinhos, mesmo ele me dando tanto valor, me apresentando pra todos os amigos, me levando pra passear, fazendo questão da minha companhia, mesmo ele me dando tudo o que quis.

Tocava essa música.
Ele nem lembrou de mim, mas era nele que eu pensava.
Ele nunca me deu pudins, nunca pagou a minha conta, nunca me apresentou pra seus amigos como sua, não me deu tanto valor.
Mal olhava pra mim, mal falava comigo...
Mas adoro a voz dele, adoro o seu sotaque. Tão inteligente. Tão claro, tão determinado.
Um dia olhei pra ele e pensei: com ele viveria pra sempre. Viajaria pelo mundo todo. Estaria apaixonada. Faria questão do seu sorriso e detestaria quando ele ficasse muito sério. Amaria...

Como são estranhas as coisas do coração.

Falei e Disse.

quarta-feira, 7 de julho de 2004



"Não queria, não queria mesmo...
ter você só por um momento
e ter a vida inteira pra me arrepender".

Não se engane. Nada muda, e se muda, é pra pior.
O erro que você comete hoje, não se arrependa, com certeza vai cometer amanhã e depois de amanhã.
Quem você ama, ah, essa pessoa vai te magoar um dia, mesmo sem querer, mesmo querendo.
Não sonhe, porque você precisará acordar. Isso é certo.
A vida é assim. Não se muda a escrita de Alá.
Ande sozinha. Não se apegue a ninguém, todo mundo vai embora um dia. Todo mundo morre. E se não morre, some. E se sumir e voltar a aparecer, já não te interessa mais.
Sorria, mas não se iluda, amanhã você vai chorar.
Não tenha ilusões. É só miragem. Só uma miragem.

terça-feira, 6 de julho de 2004

Vocês não querem saber? Senta que o post é gigante!

Quando cheguei no último degrau, já vi luzes acesas, a porta aberta e vozes. Gelei. Mas precisava ser corajosa e verificar o que se passava. Impostei a minha voz para aparentar autoridade e soberania e, num ímpeto, pulei para frente com os dois pés (como faz o Chapolim Colorado) gritando: "Que invasão é essa?". Com essa ação pude ver: dois baianos que não conhecia. Um sentado do lado esquerdo da porta e outro, uma mulher, sentada na frente do computador. O outro, que era conhecido, estava deitado no sofá com os pés apoiados no encosto. Com essa ação, só obtive uma reação: me olharam com total indiferença. Levantaram os olhos rapidamente das revistas que liam, me olharam de soslaio e voltaram a sua atividade. Fiquei com cara de pateta na porta, quando vi saindo de dentro dos quartos, filhotes de baiano. Corriam pra me abraçar. A baiana-mãe vinha da cozinha como uma espalhafatosa: "Chegou, nêga!!!!"
 

E assim começou o meu final de semana inesperado. Terminou no domingo, infelizmente, quando todos me libertaram, deixando uma devastação no meu apartamento e um vazio enorme. Tava tão bom!
Ah, foi uma festa. Literalmente. Minha prima Zeni, o marido Alex, e o filhos Bruno e Thiago e o casal de amigos (R) Helen e Júnior (que adorei conhecer) vieram de Salvador pra festinha de Pedrinho, filho do primo Sergival, artista daqui da terra, apresentador e personagem folclórico. Sabe como é baiano, não pode bater uma lata (nesse caso uma zabumba) que vem correndo.
Menino! Tanto baiano reunido que era um tal de "Ó paí! Ó, paí! Essa dhisgrama! Pico-lhe a zorra, v'u?" Se a gente precisasse de um sergipano pra fazer chá, não encontraria nenhum.

Apois! A festinha (festança!) era no sábado de noite. Eu tinha minha senha porque o anfitrião tinha me dado, mas e o restante? E o meu irmão que tinha acabado de chegar do Rio? Ligamos pra o dono da festa e ele avisou que não tinha mais nenhuma senha, mas que a gente fosse assim mesmo, bastava pedir pra chamá-lo quando chegasse na portaria.
Tsk, tsk, acho que ele pensou que eram apenas duas pessoinhas... lá vai nós. Levei Fábio, obviamente. Não ia deixá-lo solto num sábado à noite, e também, caso a gente precisasse de um sergipano pra fazer chá...
Felipe levou Vi e o amigo Danilo que tinha chegado de PA, também baianos. Zeni levou os (novos) baianos e fomos, mais de 10 pessoas, todos sem senha.
Chegando na portaria, avisei ao segurança: Ninguém tem senha!. Ele olhou pra multidão e riu, mas já tinha sido avisado e Sergival já estava na porta recebendo os convidados, então tudo deu certo.
Resumindo: vocês verão as fotos. A festa foi um sucesso! Como Pedrinho nasceu no dia de São Pedro, a festa foi completamente junina. Comidas típicas, bandeirolas, trio pé-de-serra, quadrilha e forró. A quadrilha foi a parte mais divertida, todo mundo entrou na roda. Tinha gente que não sabia pra onde ia, mas foi assim mesmo. Olha a chuva! Passeio dos namorados! Vamos quebrar o caranguejo! "Adeus, adeus, meu senhor e minha senhora!" - e eu ri até doer a barriga.

E só sei que foi assim. Lavei a jega e a alma esse final de semana. Agora é só esperar a próxima pra juntar mais baianos festeiros. Pode ser festinha de criança, casamento, formatura, batizado de boneca... bateu uma lata, tamo lá!

Falei e Disse.

Ei, galera! Comentem Tops de Linha, pela mãe do guarda (tô apelando mermo!)

domingo, 4 de julho de 2004


"Penso quando você partiu assim sem olhar pra trás
Como um navio que vai ao longe e já nem se lembra do cais..."

No momento estou com minha casa invadida por sem-tetos, sem-rango, descamisados e pior, baianos.
Estou sendo mantida em cativeiro, logo impossibilitada de escrever no blog.
Maiores informações, quando a polícia conseguir negociar ou mesmo arrancá-los daqui usando para isso os meios de violência cabíveis.
Se conseguir sair com vida, garanto dar entrevista a todos os canais de comunicação. E aguardem fotos de todos os momentos, porque eu só penso em uma coisa: Essa história vai dar um post massa!

E sabe o que é o pior disso tudo?
EU GOSTHO!!!!!

Falei e Disse.

sexta-feira, 2 de julho de 2004

Não era o que parecia ser


"Tenha calma, não se vá, meu pop star, tenha fé
Te prometo vir a ser do jeito que você quer
Um amor de mulher..."

(Djavan)

Folheando uma revista de notícias, viu um rapaz de quem gostou. O ano era 1998, e ele ainda era um garoto. Já era famoso, mas ela não sabia disso. Apenas viu. Apontou e disse: "Ainda vou lhe encontrar". Sabe-se lá porque falou isso. Falou e esqueceu. Fechou a revista. Guardou.

5 anos se passaram, quase metade de 2003. Por causa de um namoro frustrado, entrou em depressão profunda. Precisou se tratar. Saiu por aí viajando meio sem destino, meio vazia, meio sozinha. Acabou chegando num lugar de veraneio, mas era tempo de frio e sentiu-se mais fria ainda.
Até que no meio de tanta gente desconhecida, consegue ver alguém que não lhe era tão estranho. Ah, eu já o vi em algum lugar. Apresente-me, pediu a um amigo, que foi logo despejando: "Pra quê? Pra você ser mais uma figurinha do seu álbum?"
Nossa! Será que ele era assim tão promíscuo e leviano como todos as celebridades parecem ser? Quis responder: "Se eu for a figurinha que falta no seu álbum, pra mim não importa!" Quis dizer, mas se calou. Contentou-se em olhar a distância, em perseguir, em admirar platonicamente.
Tirava fotos com câmera objetiva. Parecia uma detetive. Olhava-o jogando. Decorava as suas roupas, seu modo de andar. Assim, à distância. Calada. Quieta. Fazia aquilo mais por diversão, que por obsessão.
Nome. Qual o nome? Fulano. Fulano??? De onde? De Tal Lugar. Nossa!!!! Seria coincidência?
Voltando pra casa, procurou pela revista há muito guardada. Leu a legenda: Fulano de Tal Lugar. Tudo batia. Tudo coincidia. É ele! É ele! Seria o destino?

Mais alguns meses se passaram. Resolveu fazer mais uma viagem. Pra sua surpresa, o encontrou por lá. O mesmo andar altivo. A mesma cara de quem procura novas figurinhas. Dessa vez pode ouvir sua voz. Falava numa língua estrangeira. Falava na sua língua natal. Cantava, entre muita gente. Era muito conhecido. Continuava famoso.
Novamente uma detetive. Perseguia. Filmava. Tentou se aproximar. Um contato. Apenas uma palavra. Ali! - foi a resposta que ela obteve pra informação inútil que pediu. Mas não pode ver seus olhos porque ele não a olhou. Sua beleza, se é que havia alguma nela, não o atraía. Contentou-se com tão pouco e voltou pra casa.

Mais alguns meses e não se sabe quando, não se sabe como, eles passaram a se comunicar todos os dias.
É certo que ela tinha procurado, quem procura, acha. Achou. Mas não se sabe quando, não se sabe como, ele passou a lhe falar da sua vida. Ele lhe contava seus problemas. Contava sobre o seu dia-a-dia. Falava sobre o mar, sobre o ar, sobre a terra. Falava sobre a fama. Ligava de manhã, de magrugada, no meio da tarde. Horas e horas de conversação. Ele em Tal Lugar, ela Aqui. E foi assim por 4 meses.
Fotos e fotos foram trocadas. Palavras e frases catalogadas. Tudo devidamente registrado, devidamente guardado. Até que veio a vontade de mais. Ele queria vir pra Aqui. Ela queria ir pra Tal Lugar. Eram amigos. Não havia pretensões. Foi tudo muito esclarecido, mas mesmo assim havia o desejo.
Tudo foi sendo preparado para o dia em que eles se veriam pessoalmente. O dia em que eles poderiam conversar olhando um pra o outro. Sem maiores interesses. Sem pretensões. Eram amigos.
Alguém tentou alertar. Isso é um sonho, menina! Nada disso existe! Mas ela acreditava demais na voz que ouvia todos os dias. Ela acreditava nas palavras digitadas.
Não poderia mais viver apenas com o garoto da revista, com a fotos, com os filmes, com a visão distante. Pagaria pra ter certeza de que ele existia. Estava cansada de ser apenas uma detetive e viver sempre buscando. Tinha que ir. Tinha que ver. E foi.

Sofreu com seu medo de voar. Sofreu com seu medo de tremer. Sofreu com sua vontade de logo chegar.
Depois desse dia, não se teve mais notícias dela. A última vez em que foi vista, estava sentada no banco do aeroporto de Tal Lugar. Esperava por Fulano, que nunca apareceu.
Não se sabe por quê, mas talvez ela não fosse tão bonita para atraí-lo. Talvez ela não fosse a última figurinha do seu álbum. Talvez fosse uma obsessão. Talvez não fossem amigos. Talvez existissem pretensões.Talvez fosse mesmo um sonho.

quinta-feira, 1 de julho de 2004


"Estou aprendendo a viver sem você
Já que você não me quer mais..."

(Vinte e Nove - Legião Urbana)

Passei a noite com febre. Dormia, acordava, dormia, acordava. Deitei no sofá. Coloquei meias. Frio glacial. Coloquei mais um casaco. Tirei o short. Tirei as meias. Tudo quente. Tudo frio. Corpo doendo. Cabeça doendo. Garganta doendo. Dia de repouso.

(...)

Gosto da minha casa quando tudo está vazio e silencioso pela tarde. Só o barulho da geladeira. Eu, enrolada num lençol, assisto Sessão da Tarde num volume bem baixo. Lembro da minha outra casa. Antes era de piso vermelho, agora é branquinho. Tudo tão calmo. Tão limpo. Também o barulho da geladeira. Pipoca com Sessão da Tarde. Um filme besta qualquer que me fazia chorar. Assistia TV e lia um livro. Minha mania de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Lia um livro atrás do outro, de férias na casa de mamãe. Lia até de madrugada e dormia até meio-dia. Tempo bom. Volta, tempo...

(...)

Meu namorado é lindo. Tenho que dizer.
Minhas primas achavam ele lindo, agora não acham mais. Graças. Que bom que é assim. Iris fala: "Pra mim ele era mais bonito..." e eu digo: Pra mim ele continua lindo.
O melhor disso: posso falar e falar, sei que ele não é convencido. Dou beijos e repito: Como é gato meu namorado! E ele ri, um riso brejeiro, um riso simples.
Manda torpedo dizendo que me ama, me assusto e penso: já? Mas ele chega rindo de mim: "Você acreditou?"
Safado, cachorro, bandido, trem...
Digo: Onde é que eu fui estacionar meu porsche? (sou chique, bem. Não amarro jeguinho...) - e ele ri mais ainda.
E suas irmãs são loucas. Quando ligo, logo gritam: "Minha cunhadaa!!!!" Seus sobrinhos me dão beijos... me ganharam... logo eu que sou tão família!

(...)