sexta-feira, 13 de outubro de 2006

"Ao fechar a porta do quarto de Sohrab, fiquei imaginando se era assim que brotava o perdão, não com as fanfarras da epifania, mas com a dor juntando as suas coisas, fazendo as suas trouxas e indo embora, sorrateira, no meio da noite".
(Khaled Hosseini - O Caçador de Pipas)



´Cabei!
Meu Deus, como chorei com esse livro! Chorei tanto que fiquei com os olhos ardendo. Que livro triiiiiiste! Affe!!!

Meu Deus, como sofro! Feriadão e eu tendo que ir trabalhar. Estou agora tontinha, nem sei mais que dia é hoje.

E meu carro que não sai da oficina. Parece que já se passou um século.

Ontem, dia das crianças, minha cunhada me chama pra um almoço com a sobrinhada na casa dela. Comprei 5 presentinhos para os 5 sobrinhos-diretos de Fábio, mas nem me toquei que as meio-irmãs dele também iriam com os filhos e uma neta (sim, Fábio já é tio-avô, mesmo só tendo 25 anos). Pense no problema! 14 milhões de crianças e a sobrinha mais velha de Fábio veio logo me cobrar: "Você não lembrou da minha filha, né?" Eu fiz de conta que não tinha ouvido. E pense num povo indiscreto! Logo quando cheguei a primeira coisa que me perguntaram era se eu estava grávida, isso porque eu estava com um vestido soltinho do tipo meu-amor-me-deixou-assim, só que meu amor não tinha me deixado de forma nenhuma e o povo já estava de olho. Família-ê! Mas até que foi divertido ver aquele monte de crianças felizes com seus brinquedos correndo pela casa... deu até vontade de ter um bebê também... mas foi só uma vontade. Já passou.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Pisei em rastro de corno - Parte II

Fiquei aqui relutando pra não ter que falar sobre esse assunto. Mesmo depois de uma semana, às vezes quando fecho meus olhos posso sentir meu coração se partindo ao ouvir o barulho do impacto. Agora eu tenho certeza que pisei mesmo em rastro de corno. 

Na hora eu não quis acreditar que tinha acontecido de novo. Abri os olhos e permaneci sentada. Parada. Incrédula. Em menos de um ano arrombaram a porta do meu carro duas vezes: a primeira pra roubar o som, meu som, tão caro, tão chique; a segunda vez, de maldade, roubaram o caderno e a farda de Fabinho. E pensar que naquela noite eu pressenti, e tanto falei pra não deixar nada dentro do carro que ninguém atentou para o diacho daquela sacola velha de plástico esquecida no banco traseiro. Fiquei só com o prejuízo enquanto Fábio lamentava o assunto da faculdade que tinha perdido. É incrível como eles danificam a tranca da porta, não dava pra abrir direitinho sem deixar aquele buracão? São uns incompetentes mesmo esses ladrões. 

Em fevereiro, por causa de uns cavalos que apareceram do nada, em plena manhã, em meio a uma das avenidas mais movimentadas de Aracaju, uma menina resolveu que a melhor opção para desviar dos eqüinos seria jogar o carro dela pra cima do meu, num violência estúpida que acabou com a porta, com o eixo do carro e com as duas rodas traseiras. Até hoje o volante é meio torto, não conseguiu se recuperar do choque, ou então o mecânico era muito ruim como terapeuta. 

Há uma semana atrás, em pleno domingo de sol, depois de um banho de praia, eu, alegre e saltitante com as minhas primas e o namorado, paro num semáforo e um louco, do nada, resolve colidir violentamente com a traseira do meu lindo (mas sem sorte) carro. 
Diz ele que estava tentando desviar de um cara que o fechou no trânsito metros atrás. Sim, e a melhor opção era jogar o carro dele em cima do meu? Ninguém nunca pensa em freiar? O impacto foi tão grande que as duas gasguitas que estavam atrás sem cinto foram projetadas pra frente e quando retornaram (tudo que vai, volta) bateram com força a cabeça. Kedma ficou gritando de dor, enquanto os outros dois não sabiam o que fazer. Fábio não sabia nem em que lugar estava, ficou parado, olhando, com a boca aberta, e Iris, quando foi verificar a cabeça da irmã, viu restos de tinta vermelha no couro cabeludo dela e pensou que era sangue. Fez um escândalo no meio da rua, culpando o cara do outro carro. Pense! Foi um Deus-nos-acuda! 

É incrível. Eu que fiz a prova para tirar a habilitação 3 vezes porque me recusava a pagar a esses avaliadores corruptos, sempre dirigi com o maior cuidado, fico com dor de cabeça de tanta atenção que tenho no trânsito, ando devagar e nunca bati no carro de ninguém, sou agora vítima constante de ladrões inescrupulosos e da incompetência desses motoristas que preferem desviar dos seus problemas em cima do meu carro! Não, não venha me dizer que essas coisas acontecem, porque comigo já está acontecendo demais. Logo eu que sempre fui tão cobrada ("Você é engenheira e não tem carro? Faz o quê com tanto dinheiro? Tá entocando, né?"), me sacrifico pra pagar as parcelas do carro, pra pagar seguro, IPVA, multa (aqui em Aracaju tem 145.168 radares de velocidade, 37.568 sensores de sinal vermelho, 259.148 lombadas eletrônicas e 697.263 blitz policial por semana), percebo então que não tive sorte com o bichinho. Será que é inveja e mal-olhado? Pensei em procurar um pastor pra ungir... 

Kedma passou dois dias com o colar ortopédico no pescoço e mal podia falar porque a bichinha já não tem muito pescoço e o negócio ia até o queixo dela, prendendo os movimentos da mandíbula. O meu carro está há uma semana na oficina e os mecânicos parecem que sofrem de algum retardamento mental, porque eu nunca vi povo mais lerdo... e... e eu não quero mais falar sobre isso. Pronto, me irritei. Dá licença que eu vou embora. Ah!

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Banheiros Públicos

Mais um post pra quem nao tem o que falar.

(veja episódios passados aqui!)

ATENÇÃO: Esse é mais um daqueles posts de quem não tem o que falar.
E se você é uma dessas pessoas que sempre esperam que os outros tenham o que falar, que só escrevam em seus blogs coisas interessantes e se escandalizam com posts sem conteúdo, então não recomendo a leitura deste.
Banheiros Públicos

Tem coisa mais constrangedora do que ir a banheiros públicos? Aquela meia-parede que não lhe deixa nem um pouco à vontade, aquela divisória que não lhe dá nenhuma privacidade, uma brecha na tranca na porta por onde você vê as pessoas esperando você sair do lado de fora e, enquanto se equilibra pra não sentar naquele vaso imundo, com a outra mão segura a porta tapando a brecha indiscreta.

Tem banheiro que dá até pra ouvir o outro fazendo força, um "Hum... hum!" espremido, o xixi caindo na água, o "plof-plof" do cocô. (Engraçado, meu xixi tem cheiro de pipoca... sempre quis comentar isso com alguém...)

Tem gente que tem a sorte de trancar o boró e não conseguir fazer as necessidades fora de casa, como muitos componentes daquela comunidade do orkut. Outros, não, cagam fora de casa e em qualquer lugar.

Imagino o cidadão quando sente o beliscar do urubu se retirando da mesa de trabalho e em passos miúdos correndo para o banheiro. Vira esquina, passa corredor, os colegas querendo falar com ele e o cara seguindo resoluto até o local de salvamento.

Vamos imaginar uma mulher, coitada, que precisa manter a pose pra esconder a cara amarela e as tripas dando nó. Corre pra o banheiro rezando pra que não tenha ninguém porque, pelo chamado, o negócio vai feder.
Chegando ao local de destino, vê que das três portas ali, apenas uma está ocupada, dá graças, e se controla pra o negócio não sair muito alto, mas na pressa, as coisas chacoalharam lá dentro e virou uma bagaceira. Senta, se controla, mas sai algo assim:

"Vrááááá!!!!" (pausa curta)
"Prá-prá-prá-prá-prá!" (outra pausa curta)
"Prá!" (uma pausa maior)
"Pfuuuuu!!!!" (mais baixo pra finalizar).

Percebe que o barulho ecoou no banheiro quase vazio. Sente o silêncio pesado da pessoa que está na casinha ao lado. Constrangimento. Ouve passos. Ouve outra pessoa entrar, a vizinha sai e conversa algo com a colega. Finge-se de morta. Espera todo mundo sair. E odeia de todo coração a acústica daquele ambiente.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Finalmente terminei de ter o livro Quase Tudo de Danuza Leão.
Apesar de não conhecer metade das celebridades que ela cita no livro, até que a leitura foi interessante.
A forma como fala da morte dos seus ex-maridos, seu filho, sua irmã e sua mãe é comovente.
Agora eu não entendi porque ela sempre diz que a grana era curta, mas viajava o mundo inteiro e estava sempre em festas.
Queria eu ter uma grana curta assim.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Beijo é bom


"Eu quero mais que um, mais que mil, mil e um,
Beijo é muito bom
mais que mil mais que bom..."
Beijo é bom


Quem não gosta de beijar? Beijo é bom, né?
Quando éramos adolescentes, eu e minhas primas catalogávamos os ficantes pela forma de beijar. Não que a gente ficasse com muitos, mas juntando todos de todas, dava uns vinte e resenhas de montão.

Língua de Fuso tinha uma forma estranha de beijar. Pregava os dentes no lábio superior da menina e com a língua rotacional e nervosa percorria toda a concavidade bucal, descobrindo até possíveis cáries. Uma coisa horrorosa!
Língua de Fuso era até bonitinho, mas brega de dar dó.
Certo dia ele espiou a cor do meu sutiã pelo decote da blusa e disse: "Sabe qual a minha cor favorita?"
Eu, incrédula: "Não."
Ele: "Hã, hã, tem muita coisa sobre mim que você precisa saber".
E completou piscando o olho e dizendo "miau".
Minutos depois minha prima vem correndo me contar que Língua de Fuso tinha acabado de dizer pra ela: "Sabe qual a minha cor favorita. Hã, hã, tem muita coisa sobre mim que você precisa saber. Miau". Quem ´güenta?

Terrível foi quando a gente empurrou uma amiga pra beijar um amigo que estava a fim dela. "Beija, beija", e ela beijou sentada no meio-fio da calçada do condomínio. Beijou e "esmudeceu". Ficou sem graça, pediu pra subir para o apartamento. Só foi o menino virar as costas e a bichinha correu pra lavar a boca no banheiro.
A gente: "Mulher, como é que você faz uma coisa dessa?"
Ela: "Cheira aqui, cheira aqui. Carniiiiiçaaaaa!"
Rapaz, nos lábios da menina era um fedô de merda pura! O que era aquilo? Ela lavou e foi pior porque ficou um fedô de merda molhada. Esfregou tanto a cara no colchão que esfolou a pele. Quase ficava em carne viva. Enquanto ela se desesperava a gente ria e engulhava.

E quem já engulhou durante o beijo? Eu já, com esse mesmo amigo que era meu namoradinho antes de ficar com minha amiga e antes de ser conhecido como o lendário Bafo da Morte.
Ele beijava feito peixe, abrindo e fechando a boca durona. Eu lutava pra encaixar até que a saliva ficava seca, eu engulhava infinitas vezes e ele nem notava, só ali, no beijo de peixe. Credo!

Uma das minhas primas uma vez saiu com um carinha que estava a fim dela. Foram passear na orla, brisa marinha, lua cheia, sentaram num banquinho e o cara como não sabia o que fazer pra se aproximar, abriu a boca e falou: "Vamos lá?"
Pra quê? Uma fumaça verde de bafo de cebola foi de cheio no rosto da minha prima. Ela quase caiu dura. Uma tristeza!

Tem cara que só de beijar o rosto da menina já deixa a catinga de fedô. Aí ela tem que sair rindo, disfarçando, mas quando bate um vento que leva o cheiro pra o nariz dela, afe, pense que é o fim!

Enfim, beijo é bom, mas vamos escovar os dentes antes e depois das refeições, ao dormir e ao acordar... vamos colaborar!
Claro que tem aqueles que se cuidam direitinho e beijam maravilhosamente bem, mas entre amigas e primas a gente não conta quem é pra não abrir concorrência.

Beijinhos!!!!!

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

"Não podemos retomar os caminhos percorridos. 
A vida é o momento e a quota de erros e acertos que cometemos".

sábado, 2 de setembro de 2006

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Correr atrás do vento




"Então olhei de novo para toda a injustiça que existe neste mundo. Vi muitos sendo explorados e maltratados. Eles choravam, mas ninguém os ajudava. Ninguém os ajudava porque os seus perseguidores tinham o poder do seu lado.

Por isso, cheguei a esta conclusão: aqueles que morreram são mais felizes do que os que continuam vivos.

Porém mais felizes do que todos são aqueles que ainda não nasceram e que ainda não viram as injustiças que há neste mundo.

Também descobri por que as pessoas se esforçam tanto para ter sucesso no seu trabalho: é porque elas querem ser mais do que os outros. Mas tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento.

Dizem que só mesmo um louco chegaria ao ponto de cruzar os braços e passar fome até morrer.

Pode ser. Mas é melhor ter pouco numa das mãos, com paz de espírito, do que estar sempre com as duas mãos cheias de trabalho, tentando pegar o vento.

Descobri que na vida existe mais uma coisa que não vale a pena: é o homem viver sozinho, sem amigos, sem filhos, sem irmãos, sempre trabalhando e nunca satisfeito com a riqueza que tem. Para que é que ele trabalha tanto, deixando de aproveitar as coisas boas da vida? Isso também é ilusão, é uma triste maneira de viver".

(Eclesiastes 4:1-8)

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Está ficando cada vez mais difícil conviver diariamente com gente tão mesquinha.
Agora mesmo eu só queria sumir daqui. Puff! Só deixando uma fumaça mágica.
Todo dia eu peço a Deus pra me dar outro emprego.
Alguém mais aí quer orar por mim também?
Estou precisando e serei enormemente grata.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Triste. Tristinha.
Engordei. Engordei, não, ganhei massa muscular. Quase 50Kg. Obesa. Uma bunda do tamanho do Brasil. Pernas quase torneadas. Gostosa. Será que a Jennifer Lopez tem problemas com a bunda dela? É que eu nunca vi tantas referências a mim por causa dessa parte do meu corpo. Já tá enchendo o saco.
Mas não é por isso que estou triste. Cansada de passar o dia inteiro com pessoas mal-amadas. Tento ser agradável, mas só tomo patada. Agora entro muda e saio calada. Cansada. Proibida de viver. Proibida de rir ou conversar:

- Fulano, você teve que devolver o cachorrinho que comprou?
- Não quero falar nesse assunto.

- Sicrano, o que foi? Você falou que está com muita coisa pra fazer...
- Afe, como você é chata. Cala a boca.

(...)

:(

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

A gente se acostuma...mas não devia




A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.

A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.

A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.

Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.

E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

(Marisa Colasanti)

Eu não me acostumo é nunca!