terça-feira, 14 de julho de 2009

Comercial

A idéia é a rotina do papel...
O céu é a rotina do edifício...
O inicio é a rotina do final...
A escolha é a rotina do gosto...
A rotina do espelho é o oposto...
A rotina do jornal é o fato...
A celebridade é a rotina do boato...
A rotina da mão é o toque...
A rotina da garganta é o rock...
O coração e a rotina da batida...
A rotina do equilíbrio é a medida...
O vento é a rotina do assobio...
A rotina da pele é o arrepio...
A rotina do perfume é a lembrança...
O pé é a rotina da dança...
Julieta é a rotina do queijo...
A rotina da boca é o desejo...
A rotina do caminho é a direção...
A rotina do destino é a certeza...
Toda rotina tem sua beleza...

Descubra a Sua.
(sim, é de um comercial de cosméticos. Mas eu gostei, deixe!)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

De Mala e Cuia

Na minha casa tá sobrando espaço
Guardei de mim um pedaço
Reservei só pra você
Na minha casa está sobrando rede
Sobra torno na parede
Amor pra da e vender
Na minha casa toda hora é hora
A gente ri a gente chora a gente se diverte
Nesse flerte você botando as unhas de fora
Nosso amor não demora logo acontece

Pode vir de mala e cuia amor
Que eu não vou tá nem aí pro povo
Nosso amor tá cobiçado
Mas não vai ser maltratado por ninguém de novo




--
"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio".

terça-feira, 16 de junho de 2009

Campos de concentração

"Todos me perguntam o que aprendi nos campos de concentração. Só que os campos de concentração não eram terapia. O que acha que eram? Universidades? Não íamos lá para aprender. Isso ficou muito claro pra mim. Um conselho: se está atrás de catarse, vá ao teatro. Por favor, recorra a literatura. Não vá aos campos. Não vai adiantar nada. Nada".
(O Leitor)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Aprendendo a ser feliz

Eu estou aprendendo a ser feliz. Tem que se educar. Que nem você tem que aprender a ler, a escrever, tem que aprender a ser feliz. Eu só vou parar no dia que morrer. 
--Cazuza

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Inverno

"Inverno é apenas inverno
Um inverno não é nada
Mas quando na madrugada
a gente olha pra gente
cabelos em desalinho
Um olho dentro do espelho
o outro batendo no peito
E descobre de repente
que não importa a estação
Lá fora outono ou verão
Que não importa o sol
se aqui dentro sempre chove
aqui dentro só faz frio
aqui dentro é só inverno
".

--
"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio".

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Super sincera.



O motorista do táxi veio o caminho todo conversando comigo sobre tudo. Contou que estava no segundo casamento com uma garota 20 anos mais nova do que ele. Falou sobre a vontade da menina em fazer faculdade de engenharia civil, mas que não queria que ela trabalhasse assim, como eu trabalho, no meio de tanto homem.

Como não? Falei. Mulher continua sendo minoria na engenharia. Sempre trabalhei com uma multidão de homens e só eu de mulher. Na construção de um edifício eu era a única no meio de mais de 100 homens. É assim mesmo, pelo menos por enquanto ainda é assim. Assédio? Sim, há paquera, brincadeirinhas, homem é bicho besta, mas a mulher tem que se impor, essas coisas e tal.

O taxista pareceu meio assustado, pensativo.
Chegamos ao destino e ele completou ao final: "Vou falar pra minha esposa escolher outro curso na faculdade"...

"Não adianta, casado com uma mulher de 17 anos, acabado do jeito que você está, com certeza você vai ser corno, sendo ela engenheira ou não".

Mas só pensei. Paguei e saí. Homem é cabeça ruim mesmo, não tá vendo que isso nunca dá certo?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Deustch


Manchmal verliere ich den Mut,
Morgen vielleicht ist es hier...
Wann kommt das glück auch zu mir?

(Às vezes eu perco a coragem
Amanhã talvez ela esteja aqui
Quando a felicidade vem também para mim?)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Somente Você.

Ele chega falando rápido como é de costume, diz que encontrou a música da gente. Coloca no celular um pagode pra tocar. Ouço quietinha a melodia e a letra enquanto ele canta junto...

"Somente você pode me fazer feliz
É o ar que eu respiro
É tudo que eu sempre quis
Adoro os seus carinhos
Adoro os seus beijos, só você
Pra avivar os meus desejos
No mundo não tem outra igual
Aceita meus defeitos
Faz tudo direito pra me agradar
É minha mulher, esposa, amante pra variar
É você menina que me faz sonhar
É você que me ensinou o que é amar"...

Bonitinho, né? :)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Conheço uma mulher, já quase cinqüentona, que passou boa parte da sua vida apaixonada pelo primeiro namorado. Eles tiveram um romance caliente lá nos seus 18 anos, depois se separaram e cada um tomou seu rumo. Ele casou e teve filhos, ela casou e teve filhos. Nas raras vezes em que se cruzavam pelas ruas da cidade, cumprimentavam-se, perguntavam como andava a vida de um e de outro, mas nada além disso. A verdade é que ela preservou o sentimento que tinha por ele por muitos anos, mesmo sendo feliz no seu casamento. Era um amor de estimação. Até que esse amor, tão sem ressonância, tão sem retribuição, tão sem aditivos, um dia evaporou. Perdeu o prazo de validade. Expirou.

Dia desses esta mulher recebeu um telefonema. Era ele. Oi, tudo bom? Há quanto tempo? Trivialidades de quem não se fala há anos. Ela perguntou: o que você conta? Ele respondeu que estava ligando para dizer uma única coisa: eu te amo.

Corta. Não teve happy end. Ela agradeceu o telefonema, desligaram e ambos seguiram suas vidas. Conversando com ela sobre isso, senti sua felicidade e desilusão ao mesmo tempo. Felicidade, logicamente, por ter deixado marcas profundas no coração dele: nem em sonhos ela imaginou que ele também tivesse levado esse sentimento tão adiante. E a tristeza veio da falta de ressonância, mais uma vez. Por que a demora? Por que a falta de sincronia? Como teria sido se ele houvesse dito isso alguns anos antes? Agora já não adiantava.

A beleza e a tristeza da vida podem estar em situações como esta: descobrir, tarde demais, que se ama uma pessoa. Pode acontecer até com quem está ao nosso lado neste instante. Parece que é um amor morno e sem graça, e que se acabar, tanto faz, e só daqui a muitos anos descobrir que nada era mais forte e raro do que este sentimento. Tarde demais é uma expressão cruel. Tarde demais é uma hora morta. Tarde demais é longe à beça. Não é lá que devemos deixar florecer nossas descobertas.

--Martha Medeiros


"Ela acreditava nele, mas não mais na vida. A vida a magoaria de novo havendo oportunidade. Coisas terríveis ocorreriam se ela abrisse a guarda e o deixasse entrar completamente no seu mundo. Poderia perdê-lo, ou ele poderia traí-la, abandoná-la ou morrer. Nada mais era seguro, ela sabia bem disso. Não poderia confiar em ninguém e em nada, nem mesmo nele. Não tão intimamente. Percebeu então que tinha sido tola em pensar que poderia".

terça-feira, 28 de abril de 2009

Que fique muito mal explicado
Não faço força pra ser entendido
Quem faz sentido é soldado
Para todos os efeitos meus defeitos não são meus

Que importa o sentido se tudo vibra?
Não importa o sentido
O bramido do meu canto mudo
Comporta bemóis e sustenidos
Convoca ouvidos surdos
Ao silêncio suave
Da melodia sem conteúdo

Está escrito
Quem não quiser ceder ao canto das páginas
feche os olhos
ou tape com cera os ouvidos

(Sentido - Alice Ruiz)