quarta-feira, 23 de junho de 2010

Todo sonho é feito de estilhaços

Todo sonho é feito de estilhaços

Do que o olho crê
Que a imagem
Faz no espaço,
E o tempo encontra
No ar que passa
Invisível,
Peso e cor


Todo encontro é o jeito do acaso
Achar no sonho
Uma miragem
Onde o oásis
Água inventa
O mar do nada é
Impossível
Erro e dor


E o que estava longe está aqui
dentro e tão perto
De um jeito tão certo que só cabe mesmo em mim
Beijo e abraço
No tempo que passa
Lento e à jato


No gesto que toca
A gente na alma
No modo, dois jeitos

Mas diferentes
É que somos
Iguais


Livros lidos
Discos preferidos
Filmes vistos
Sempre
Um
Sinal


Indo e vindo
vivo ouvindo
O instinto
Mesmo quando
Eu não entendo nada
Eu não entendo nada
E eu não entendo nada
Só o que diz
O lábio no beijo
No sopro
A paixão


(Mosaico Abstrato - Nando Reis)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Eu estou aqui é pra incomodar!

Eu é que não excluo e-mail, msn e/ou orkut por causa de alguém.
Eu é que não me dou ao trabalho de criar outros e-mails, msn e/ou orkut pra fugir da comunicação de personas non gratas.
Eu é não me presto ao trabalho de mudar número de celular, de endereço, de cidade, por causa de outra pessoa.
Eu é que não vou me esconder de nada, nem de ninguém, por motivo nenhum.
Os incomodados que se mudem, eu estou aqui é pra incomodar.
Conheço gente que por se achar muito importante, faz questão de mostrar: "ei, psiu, ei, (insiste) eu não ligo mais pra você".
Ha-ha-ha! Eu desdenho, com o olhar faço pouco caso, meneio a cabeça e com estalos na língua, lamento: "Tsk, tsk, tadinho".
De você me lembro, sim, porque não sofro de amnésia, mas por você não tenho nenhum sentimento, nem de amor, nem de ódio, nada, vazio total, indiferença. E se ainda guarda o rancor que criou de mim, te digo que Tô nem aí! Quero mais é que se dane!
Continue se escondendo e fingindo que não me conhece, eu te conheço muito bem. Não lamento suas mentiras, lamento só por não poder mais acreditar em você, nunca mais. 
Mas isso é problema seu, você que perdeu uma grande amiga. Eu poderia te fazer rir e rir com você (não de você, como acontece agora).
Poderia te ajudar, poderíamos trocar idéias variadas sobre tudo, poderíamos voltar a conversa longamente por horas, poderíamos desabafar, ou até mesmo, só fofocar, falar de coisas interessantes, falar sobre nossos planos particulares, nossas conquistas, nossa vida, simplesmente, poderíamos contar um(a) com o outro (a) como amigos/ amigas, sempre.

Enfim, eu é que não me dou ao trabalho de acabar com possíveis amizades.

Sim, isso eu escrevo pra você, pra você que se esconde de mim, mas sabe bem onde me encontrar, aqui e ou em qualquer dos outros lugares que você costumava me encontrar. Continuo com meus e-mails, msn, orkut e blog de sempre.
Sim, Isso é pra você, ô... ô... ei... psiu, menino (a), como é seu nome mesmo?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Penso, logo não durmo.

Penso, logo não durmo.

Quando trabalhava, não dormia preocupada com o dia de amanhã (até pecado isso) e no pouco que dormia, tinha pesadelos com o gerente de produção mandando fazer a cobertura da vala comigo dentro! Desesperador.

Se antes se eu sonhava, agora já não durmo. Penso o tempo todo no que tenho que resolver do casamento e como vou pagar tanta coisa. Lembro que preciso voltar a trabalhar pra ter mais dinheiro pra pagar o casamento. Mas como trabalhar pra ter mais dinheiro pra pagar o casamento se não tenho tempo pra isso? Os preparativos do casamento consomem todo o meu tempo! E nesse dilema sigo noite afora (ou a dentro?) até dormir de cansaço, mas isso só bem depois de ouvir o galo cantar.

Sair um pouco do trecho e voltar pra Aracaju tem seu lado bom (acho que muito mais o bom do que o ruim). Só sei que é bom poder estar com minhas primas. Ontem fomos assistir Sexy and the City 2 no cinema. Nossa, como amo minhas primas! Somos tão parecidas, mas ao mesmo tempo diferentes, e nessas diferenças somos completas.

Durante o filme brincamos de associar cada personagem com nós mesmas e a Carrie Bradshaw me fez lembrar o quanto sempre quis ser escritora (me tornei engenheira porque era o que tava pagando melhor).

Já é tarde e como sempre não consigo dormir. Toda noites é assim e, enquanto não durmo, escrevo mentalmente mil textos que nunca serão postados nesse blog.

Desde os meus sete anos que escrevo em diários. Ou “faço agenda” como se dizia na minha adolescência. Ler esses diários hoje é muito engraçado, ler e relembrar, por exemplo, o dia em que um colega passou a mão na minha bunda, e eu achei aquilo a coisa mais obscena do mundo a ponto de escrever em códigos pra que ninguém mais pudesse saber.

Tantas histórias engraçadas tenho pra contar, tanto a relembrar, tanto a dizer nas entrelinhas, bem queria voltar a escrever como antes, mas ainda não consigo me sentir confortável aqui. Queria também escrever, mas sabendo que alguém me lê. Não só por curiosidade para saber da minha vida, mas por gostar do que escrevo, por se identificar com o que escrevo, como acontecia antes.

Pode ser que eu volte, agora que estou desobrigada a dormir cedo por ter que acordar cedo, e em vez de rolar na cama venho escrever os pensamentos desencontrados que me trazem a insônia. Mas... será que alguém aqui vai ler?

domingo, 6 de junho de 2010

Carta de despedida

Colegas
Escravos,
Chegou a minha vez de me despedir de todos vocês. Os últimos anos foram magníficos no desenvolvimento da minha carreira, mas é hora de partir em busca de novos desafios profissionais.
Estou caindo fora desta merda. Após anos de exploração sem sentido, baixo salário e horas-extras não remuneradas, finalmente consegui arrumar um emprego melhor que este (o que não quer dizer grande coisa).
Gostaria de deixar meus agradecimentos a todas as pessoas que de alguma forma me ajudaram durante todos estes anos. Sei que posso acabar esquecendo alguém, mas algumas delas merecem uma saudação a parte:
Abaixo segue a lista das pessoas que transformaram a minha vida num inferno durante todos estes anos. Existem muitos outros fdps, mas não consigo lembrar o nome de todos:
1) Em especial fica um forte abraço para o Teixeira, meu chefe ao longo desta jornada, pelo aprendizado, dicas e também broncas;
1) Filho da puta do Teibicha, maldito corno, jamais cumpriu sequer uma das promessas que me fez. Sempre de mau humor, consegue a todo o momento desmotivar a equipe com sua incompetência e métodos pré-históricos de trabalho.
2) Para toda a equipe da Área de Pessoas, em especial para a Luciana, pela simpatia, disposição em resolver meus problemas e também por ter me selecionado (hehe);
2) A vaca do RH, pelo mau humor cotidiano e clara insatisfação em ajudar quem quer que seja.
3) A toda equipe de TI, que prontamente solucionou inúmeros problemas em nosso sistema;
3) Aos incompetentes da área de sistema, que demoram uma eternidade pra resolver qualquer problema em nossas máquinas, e normalmente o fazem com cara feia e má vontade.
4) A equipe do nosso escritório Regional do Rio de Janeiro, pela ajuda com nossos eventos;
4) Aos sanguessugas do escritório regional, incapazes de resolver qualquer problema por conta própria, fizeram eu perder inúmeros finais de semana para ajudar em situações que eles criaram.
Fica aqui o meu grande abraço para todos vocês, pelas risadas, happy-hours, problemas resolvidos e desafios enfrentados. Tenho orgulho de ter feito parte desta família maravilhosa.
Adeus para todos. Chega de fofoca, baixo nível, picuinha e palhaçada. Sei que conversaremos em breve.Nunca mais quero ver nenhum de vocês.
Abraços
Vão todos tomar no cu!

Adorei! A Carta de despedida que gostaria de ter escrito.

sábado, 5 de junho de 2010

Nosso lar!


Quero consagrar meu lar a Ti
O nosso futuro para Te servir
Com toda minha força e entendimento
Quero dedicar o meu lar a Ti
Eu e minha casa serviremos a Deus
Com alegria
Será abençoada minha descendência
Frutificará à Sua presença
Com um bom perfume meus filhos irão
Perfumar todas as nações.
(E a ansiedade pela entrega no dia 29 de julho!!!)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Casamento de Rachel


Ultimamente só assisto filmes sobre casamento (por que será?) mas esse último não tem nada dos comuns água-com-açucar que venho assistindo nos últimos meses.
Sinopse: A festa de casamento de Rachel tem tudo para ser perfeita. Amigos e familiares reunidos numa bela cidade de Connecticut, num fim de semana repleto de comida, música e carinho. Mas quando Kim, a irmã mais nova de Rachel, chega após um longo período numa clínica de reabilitação, todos se preocupam. Com seu histórico de crises e conflitos familiares, Kim tem o dom de provocar grandes dramas em qualquer situação. Na festa, sua postura sarcástica faz reviver antigas feridas e transforma o casamento dos sonhos num campo de batalha.
Vale citar a festa com vários estilos musicais, dentre eles até uma escola de samba. Bem original.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Uma lembrança

Uma lembrança é reincidente a minha memória todas as noites e eu não sei por quê. Uma lembrança de quando eu estudava Engenharia Química. Faz um tempinho bom.
Lembro que combinei com alguns colegas de fazer um trabalho, agora não lembro de que matéria era, na verdade hoje eu não lembro mais a diferença entre Química Analítica Qualitativa e Química Analítica Quantitativa, ou entre Química Inorgânica e Físico-Química, eu só sei o que é Química Orgânica por causa do Carbono. (ou não tem Carbono?), enfim... marcamos de nos encontrar todos no terminal de ônibus pra esperar a colega dona da casa onde íamos fazer o trabalho.
Ela bem se atrasou, mas chegou, veio com uma aparência meio cansada, meio deprimida, triste mesmo.
Durante todo o trabalho ela ficou sentada calada na mesa com ar choroso, depois de algum tempo pediu licença dizendo que ia tomar um banho e saiu, entrou no banheiro e chorou copiosamente. Não lembrou da  da acústica que o banheiro tinha, nem da janelinha que ventilação que dava bem pra sala onde estávamos. Chorou durante um bom tempo. Um choro de quem tinha perdido alguém. Um choro dolorido como nunca tinha ouvido até então.
Ao voltar, com o rosto e olhos vermelhos, sentou a mesa, pediu desculpas e contou sua história.

Tinha passado o final de semana passado inteiro com seu amado, foram pra uma fazenda, andaram a cavalo, fizeram juras de amor. E então, naquele dia, naquela tarde, uma quarta-feira da mesma semana, ela tinha ficado sabendo que ele se casara com outra.
Eu ainda não conhecia as dores do coração. Não entendia as "razões" que o amor tem. Não entendi porque ela chorava por alguém que não era seu, que nunca fora seu, por que tinha se envolvido a tal ponto num relacionamento que tendia previsivelmente ao fracasso. Nem eu entendi, nem ninguém que estava ali.
Mesmo abalada, ele se ofereceu pra terminar o trabalho, encaderná-lo e entregá-lo para apresentação no dia determinado. Incrível como a gente permitiu isso.
No dia da apresentação ela mandou o trabalho inacabado por uma outra pessoa mas não apareceu. Depois disso abandonou a faculdade e nunca mais apareceu. Aquela tarde foi o último dia que a vimos.

Por que tenho lembrado disso quase todas as noites eu não sei. Hoje eu entendo e conheço a dor que ela sentiu aquele dia, conheço o pranto chorado no banheiro frio, entendo os motivos. Queria ter dito alguma palavra de conforto, ter feito alguma coisa, mas não disse, não liguei.
E hoje nem sequer lembro mais do nome dela.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Insistência

"Estou sozinho e nunca aprendi a estar sozinho. Estou sozinho.
Sinto falta de palavras. Estou sozinho. Estou sozinho.
Sinto falta de uns olhos onde possa imaginar. Estou sozinho.
Sinto falta de mim em mim."

José Luís Peixoto - Insistência

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Crônica de um amor anunciado

Toda pessoa apaixonada é um publicitário em potencial. Não anuncia cigarros, hidratantes ou máquinas de lavar, mas anuncia seu amor, como se vivê-lo em segredo diminuísse sua intensidade. O hábito começa na escola. O caderno abarrotado de regras gramaticais, fórmulas matemáticas e lições de geografia, e lá, na última página, centenas de corações desenhados com caneta vermelha. Parece aula de ciências, mas é introdução à publicidade. Em breve se estará desenhando corações em árvores, escrevendo atrás da porta do banheiro e grafitando a parede do corredor: Suzana ama João.

A partir de uma certa idade, a veia publicitária vai tornando-se mais discreta. Já não anunciamos nossa paixão em muros e bancos de jardim. Dispensa-se a mídia de massa e parte-se para o telemarketing. Contamos por telefone mesmo, para um público selecionado, as últimas notícias da nossa vida afetiva. Mas alguns não resistem em seguir propagando com alarde o seu amor. Colocam anúncios de verdade no jornal, geralmente nos classificados: Kika, te amo. Beto, volta pra mim. Everaldo, não me deixe por essa loira de farmácia. Joana, foi bom pra você também?

O grau máximo de profissionalismo é atingido quando o apaixonado manda colocar sua mensagem num outdoor em frente a casa da pessoa amada. O recado é para ela, mas a cidade inteira fica sabendo que alguém está tentando recuperar seu amor. Em grau menor de assiduidade, há casos em que apaixonados mandam despejar de um helicóptero pétalas de rosas no endereço do namorado, ou gastam uma fortuna para que a fumaça de um avião desenhe as iniciais do casal no céu. A criatividade dos amantes é infinita.

O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado.

--Martha Medeiros

terça-feira, 4 de maio de 2010

Regresso

Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro, 
Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim. 
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei. 
Eu reinei no que nunca fui.
Fernando Pessoa