quinta-feira, 10 de março de 2016

O caminho é este
tem pedra, tem sol
tem bandido, mocinho
tem você amando
tem você sozinho
é só escolher
ou vai, ou fica.

Fui.

Martha Medeiros

terça-feira, 8 de março de 2016

Poeminha Amoroso

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...


Cora Coralina

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Nadinha

Amanhã é um novo dia. Um novo outro qualquer. Eu queria te dizer que eu sinto muito, Zé. Mas eu não posso te dizer isso porque a verdade é que eu não sinto mais nada. Nadinha, Zé. 

Tati Bernardi

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê"!

 Florbela Espanca

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Para a posteridade

Sentimento de posse e de pertencimento. Eu sou delas e elas são minhas. Por elas mato e morro. Brigo por elas, choro com elas e, o melhor de tudo, dou altas gargalhadas com elas. A gente se entende no olhar, no silêncio e no barulho também. No "zuada, meninos", na gaiatice, nas piadas internas, nas caretas. Minhas primas. Minhas irmãs. Meus sobrinhos. Minha vida.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca...

Mario Quintana

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Toda alegria é assim: já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino.

Millôr Fernandes

domingo, 10 de janeiro de 2016

Karina: - Desprezo é quando a importância da pessoa escapole do pensamento da gente por conta própria, Antônio. Eu tou tangendo tua presença da minha cabeça mas é só para facilitar o cabimento de muitas outras coisas.

 --Adriana Falcão

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

"Eu não necessito de um motivo especial para ser feliz. Felicidade são pedacinhos de ternura que colho aqui e ali."

(Cecília Meireles)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ela é de Aquário

Não é por mal que ela desaparece.

Se parece que ela não se importa: isso não é, necessariamente, verdade. Em alguns casos, é. Mas normalmente o que acontece é que ela, cheia de dúvidas e anseios e mergulhada até o pescoço em tudo o que não consegue resolver, prefere erguer as sobrancelhas e mudar de assunto. Às vezes dói. Pra ela, na verdade, dói sempre.

Ela não consegue ver o todo. Se apega aos detalhes. Checa. Verifica. Cutuca e analisa até ficar irritada com a sua própria mania de não ficar na superfície. Às vezes gostaria de não afundar, mas não consegue. O abismo, o buraco, o mar, a correnteza – todas essas coisas lhe são caras e atraentes e ela prefere morrer nos braços das sereias do que só molhar o pé na areia.

Se preocupa tanto que não sabe se as bolsas sob os olhos são por conta das dificuldades pelas quais passa aquele amigo de longa data, ou por medo de acordar e descobrir que o mundo acabou em napalm, ou por medo do que mora dentro dela e que ela nunca quer ver sair de novo. Tem receio de se perder (e não percebe que é perdida por natureza – torta das ideias, coitada).

Coleciona besteiras. Papéis antigos, embalagens coloridas, bitucas de cigarro. Apega-se aos que passaram pela sua vida com um amor tão avassalador que nunca pede para que eles voltem. Acredita que são lindos mesmo quando estão do outro lado do mundo, e quer que permaneçam lá se estão bem. Ela os quer bem, no final das contas – até tenta guardar rancor, mas tudo passa. Tudo é inconstância, delírio, adeus. Segura o que precisa segurar. O resto, joga ao vento.

Tem mania de dizer o contrário, e pode trocar de lado no meio da conversa porque ou quer te provocar ou porque, realmente, sabe que eu nunca pensei nisso? É orgulhosa até o momento em que não precisa ser mais. Reconhece. Aceita. Às vezes se morde um pouco, quebra um vaso na parede, arrebenta um souvenir, mas: reconhece. Aceita. Se recusa quando precisa e não foge. Foge. Foge demais porque quer ser passarinha (e às vezes ela pensa que já passou da idade de querer qualquer coisa assim). Muda. É uma pessoa nova quando acorda, outra diferente quando vai dormir.

Beija as mãos que lhe estendem porque acha que amor tem que ser dado assim: na palma aberta, para cima, em oferenda. Em doses que escorrem pelos dedos. Não quer nada que caiba dentro de um punho fechado.

Ela não sabe onde cabe. Às vezes, não cabe.

(J. Del Rosso do site http://entretodasascoisas.com.br)

sábado, 14 de novembro de 2015

Acho que nem sempre colhemos o que plantamos. Eu por exemplo, sou mestre na arte de colher o que não plantei. Essa minha mania de acreditar nas pessoas, na vida e em suas providências, me deixa vulnerável demais. Planto amizade, colho ingratidão. Planto sorriso, colho indiferença. Planto saudade, colho orgulho. Olha, por mais bola pra frente que sejamos, tem hora que cansa. Aquela vontade de jogar pro alto o que não acrescenta. Aquela saudade de nada, sede de estrada sem rumo. Ando preferindo desconversar, ser indiferente com o descaso. Não saboreio mais desamor. Se a gente colhe mesmo o que planta, eu não sei, mas de uma coisa não abro mão: eu me recuso a amargar ingratidão, metades e incertezas.

(Autor Desconhecido)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Sem expectativas

Eu não faço mais tanta questão, sabe? Se quiser ir, eu me dou o trabalho de te levar até a porta. E se quiser ficar, o sentimento persiste dentro de mim. Mas a escolha é tua, sempre foi. E eu vou me esforçar o máximo pra aceitar, porque entender é pedir muito pra alguém tão sentimental quanto eu. Não me interprete de forma errada, por favor. O meu amor é visível. Mas você tem o livre arbítrio. Repito, a escolha cabe exclusivamente a você. O que eu quero dizer é que permaneço aqui. Com ou sem você. A vida não é tão massacrante quando não se tem expectativas. Quando o médico corta o cordão umbilical, é a forma que a vida encontrou de nos dizer: pronto, agora é você por você. 

(Nicholas Sparks - Querido John)