quarta-feira, 6 de julho de 2016


É um misto de incredulidade, raiva, vazio, saudade e mais incredulidade... Uma mistura de lembranças boas e ruins. O caixão, o velório, o enterro, o cemitério, as lágrimas, a lente embaçada de tanto chorar. Gente, muita gente, conhecido e desconhecidos. Gente com muitas lembranças boas a repetir. Amigos e parentes a lembrar da sua risada, piadas, histórias, das manias, do espirro "chiquinha", do "me compre um jumento", do doce roubado no casamento, da unha grande passada na perna só para perturbar e tantas outras coisas que nem me lembrava mais. Meu pai, um homem irascível, destemperado, passional, emotivo. Foi embora da noite para o dia, sem se despedir, sem "avisar". Que feiúra, hein? Sair de fininho, ir embora assim sem nada a declarar. É o que sempre ouvimos: "não deixe para amanhã, fale agora que ama, grite, repita à exaustão". Amanhã pode ser tarde demais. Com o meu pai nada nos faltou, sempre fez de tudo nessa vida por a gente. Meu pai que sempre se despediu com "eu te amo", nem isso ficou a ser dito. Foi embora calado porque já tinha dito tudo. Não houve amanhã porque viveu o presente. Tchau, beijos, te amo. Também te amo, meu pai... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo...

domingo, 26 de junho de 2016

Que não nos falte vontade de sorrir apesar dos pesares. Que sejamos leves. Que sejamos livres de preconceitos. Que nenhum de nós se esqueça da força que possui. 
Que não nos falte fé e amor. 

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 23 de junho de 2016

"O traço mais cafona da sociedade contemporânea é a necessidade de ser feliz todo tempo"
Leandro Karnal

quinta-feira, 16 de junho de 2016


"Um dia não iremos mais chorar
Viveremos todos unidos em amor
Confiando nas promessas do Senhor
Estaremos juntos pra sempre".

Ontem de tarde bateu uma tristeza na gente, sem motivo, hoje meu pai amanheceu morto. Tem coisas que não se explicam e que a gente só tenta aceitar. Meu pai era (que estranho falar no passado...) uma dessas pessoas bravas mas de coração mole, popular, comunicativo, que contava a mesma piada mil vezes e ria mesmo assim. Eu ainda não estou acreditando. E fica aquele vácuo, aquele espaço de futuro que tinha tanta coisa pra acontecer, só que não vai mais.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

TIAGO IORC - Um Dia Após o Outro


Pra começar
Cada coisa em seu lugar
E nada como um dia após o outro

Pra que apressar?
Se nem sabe onde chegar
Correr em vão se o caminho é longo

Quem se soltar, da vida vai gostar
E a vida vai gostar de volta em dobro
E se tropeçar, do chão não vai passar
Quem sete vezes cai, levanta oito

Quem julga saber
Esquece de aprender
Coitado de quem se interessa pouco

E quando chorar
Tristeza pra lavar
Num ombro cai metade do sufoco

O novo virá
Pra rearmonizar
A terra, o ar, água e o fogo

E sem se queixar
As peças vão voltar
Pra mesma caixa no final do jogo

Pode esperar
O tempo nos dirá
Que nada como um dia após o outro

O tempo dirá
O tempo é que dirá
E nada como um dia após o outro

Pode esperar
O tempo nos dirá
Que nada como um dia após o outro

O tempo dirá
O tempo é que dirá
E nada como um dia após
E nada como um dia após o outro
E nada como um dia após o outro
Dia após o outro

Compositores: Thiago Iorczeski, Daniel Sequeira Lopes. Somente para uso não comercial.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Guerreiros que leem poesias


 

"Lutam melhor aqueles que têm sonhos belos. Somente aqueles que contemplam a beleza são capazes de endurecer sem nunca perder a ternura. Guerreiros ternos. Guerreiros que leem poesias. Guerreiros que brincam como criança".

(Rubem Alves)

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Tchau, minha querida

Dia desses li um texto de uma renomada escritora sobre o uso frequente de uma palavra tão doce como 'querida' de forma pejorativa e de como era ruim não poder mais usar essa palavra sem parecer irritada ou debochada porque, pode apostar, se a pessoa usou o termo querida ela ou está sem paciência ou tratando a outra com escárnio. Já os homens quando se referem uns aos outros como queridos o apreço parece genuíno ("Fala meu querido, vai chegar lá no bar hoje?"). Mais do que adversária política, Dilma é mulher. E como mulher foi atacada como todas nós somos quando incomodamos alguém: "aquela puta", "vaca", "piranha", "mal amada", "isso só pode ser falta de piru", "a tortura foi pouco" e outras barbaridades. Com a sua imagem simularam um adesivo de carro com suas pernas abertas indicando um estupro, com a sua imagem simularam queima na fogueira (alguém ainda lembra da Inquisição?), seus discursos foram ridicularizados e sua aparência julgada dia e noite, noite e dia. Ela emagreceu a olhos vistos e suas olheiras já lhe pesam o rosto. Dilma tem 70 anos, ela poderia ser minha avó. Ou sua. Você consegue imaginar alguém tratando a sua avó dessa forma? Parece doentio e bizarro, e de fato é. Não importam seus motivos para odiá-la (repare a banalização do ódio), você diz que odeia todos os bandidos e ladrões, mas não vejo ninguém chamando o Cunha de bruxo, brocha, vadio, crápula ou mal caráter (aliás, pra atacar o Cunha foi bem comum usarem a imagem da mulher dele para ridicularizá-lo). Contra a imagem e a reputação da Dilma fizeram o que puderam. Xingaram, humilharam, pisotearam, ameaçaram, e até uma conversa informal com um velho amigo que a chamava de querida foi motivo para usarem contra ela. Eu senti muito afeto na voz do amigo ao se dirigir a ela, um apreço verdadeiro e até mesmo pontadas de preocupação. Não tardou a usarem o bordão 'Tchau, querida' para continuarem a chicoteá-la em praça pública. Dilma, minha querida, você daqui a pouco não será mais a minha presidente, mas com certeza sai dessa lama que te envolveram com a dignidade e a força de uma guerreira. Politicamente, você errou muito, porém nenhum desses erros subtraem a mulher que você é. E como mulher, eu sinto sua dor e no meio de tanto ódio envio meu amor. E de um jeito carinhoso eu e milhares de mulheres enchemos nossas bocas e nossos corações para lhe dizer: fica com Deus, minha querida. A gente ainda se vê por aí.

(Tchau, minha querida, por Natalia Alves. Mas queria que eu tivesse escrito)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Tchau, queridos!

Para registrar um momento histórico e triste da política brasileira.


"Demorou, foi difícil aceitar e conviver, mas está chegando a hora dos pobres voltarem ao seu lugar. Ninguém aguentava mais aeroportos cheios como rodoviárias, que absurdo pobre voando. Congestionamentos imensos nas grandes cidades, culpa desse governo comunista que criou condição de pobre ter carro, onde já se viu? Pobre tem que andar de ônibus ou a pé. E nas universidades, além de pobres, pretos. Universidade não é lugar de preto, porque não ficam nas favelas? Gastaram nosso dinheiro financiando a juros baixos milhões de apartamentos para pobres, outro absurdo. Porque não ficam nos morros e nas áreas de risco? Porque querem se misturar conosco? Bolsa Família? Dinheiro que sustenta pobre que agora nem quer mais trabalhar. Ninguém pode mais nem ter uma empregada doméstica porque a infeliz ganhou desse governo imundo o direito de ter carteira assinada e CLT. Tomara que já privatizem tudo e acabem logo esses malditos concursos públicos, já viram a quantidade de pretos e pobres nas repartições públicas? Quem aguenta isso? Graças a Deus vem aí Michel Temer ao lado do PSDB/PMDB e da FIESP. Pobre voltará a ser pobre e não vai mais se meter a besta. Já tinha passado da hora. Já estavam se achando de classe média. Tchau queridos"!!!

Autor: Eduardo Carvalho

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Ela queria acreditar


 "Não, ela não era tola. Mas como quem não desiste de anjos, fadas,

cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria
acreditar".

(Caio Fernando Abreu)

sábado, 23 de abril de 2016

"Ela colecionava atrevimentos. Andava pela sua vida vestida de liberdade e chocava aquela gente cheia de pudor que não ousa ser dona do próprio destino." 

 Zack Magiezi

domingo, 10 de abril de 2016

Vai me perdoando



Vai me perdoando
Esse meu jeito estranho
Eu sei que fez você sofrer
Tudo era mentira
E você quis pagar pra ver

Sei que é a hora
Hora de dizer adeus
Vai me perdoando
Esquece aqueles planos
Tudo o que eu te prometi
Sei que é difícil encarar que seja o fim
Mas vai me perdoando enfim

Vai perdoando alguém que sempre só quis o seu bem
E vai lembrando que o ser humano erra também
Nunca mais chore por amor
Perdoa, por favor, entenda

Vai perdoando que o destino te trará alguém
E com os anos você vai se esquecer, meu bem
Nunca mais chore por amor
Perdoa, por favor, entenda