sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Recomece - Bráulio Bessa

 Quando a vida bater forte e a sua alma sangrar.

Quando esse mundo pesado lhe ferir, lhe esmagar.
É hora do recomeço. Recomece a lutar.

Quando tudo for escuro e nada iluminar.
Quando tudo for incerto e você só duvidar.
É hora do recomeço. Recomece a acreditar.

Quando a estrada for longa e seu corpo fraquejar.
Quando não houver caminho nem um lugar pra chegar.
É hora do recomeço. Recomece a caminhar.

Quando o mal for evidente e o amor se ocultar.
Quando o peito for vazio e o abraço faltar.
É hora do recomeço. Recomece a amar.

Quando você cair e ninguém lhe amparar.
Quando a força do que é ruim conseguir lhe derrubar.
É hora do recomeço. Recomece a levantar.

E quando a falta de esperança decidir lhe açoitar.
Se tudo que for real for difícil suportar.
É hora do recomeço. Recomece a sonhar.

É preciso de um final pra poder recomeçar.
Como é preciso cair pra poder se levantar.
Nem sempre engatar a ré significa voltar.

Remarque aquele encontro. Reconquiste um amor.
Reúna quem lhe quer bem. Reconforte um sofredor.
Reanime quem tá triste e reaprenda na dor.

Recomece! Se refaça! Relembre o que foi bom.
Reconstrua cada sonho. Redescubra algum dom.
Reaprenda quando errar. Rebole quando dançar.

E se um dia lá na frente, a vida der uma ré,
Recupere a sua fé, e recomece novamente

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Velha infância

Não sei por quê, mas ultimamente tenho lembrado demais da minha infância, da minha cidade natal, das minhas origens. Uma saudade que, apesar de honita, dói. O caminho pra escola repleto de ipês amarelos dos dois lados, os jardins tão bem cuidados (que soube que nem existem mais), o rio, os gramados, as árvores. Uma espécie de paraíso, pelo menos na minha lembrança é, um lugar seguro onde eu estava protegida.

Chegando em casa hoje encontrei o jardineiro com uma mangueira molhando o jardim. Imediatamente fui transportada pra minha infância com banhos de mangueira em tarde de muito calor como as de hoje. Lembrei até do cheiro de grama molhada, do uniforme da escola molhado, grudando no corpo. Deu vontade de me jogar na frente daquele jato de água fresquinha e me molhar inteira, mas o medo da confirmação de loucura me deteve. Subi o elevador, entrei em casa, sentei na frente do ventilador e chorei, chorei, chorei.

Em que momento eu me perdi do meu futuro?

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Ainda sobre a morte

Ontem recebi a triste notícia de que minha avó paterna faleceu. Na verdade, não recebemos a notícia, descobrimos por acaso.

Minha avó paterna não era a mãe biológica do meu pai, ela era mãe por adoção. Adoção à brasileira, mas adoção. Mas o que importa a nomenclatura? Ela era a única mãe que ele conhecia e reconhecia, ela era simplesmente sua MÃE. Ela não era minha "avó de criação" ou "avó por adoção", ela era puramente minha AVÓ.

Ninguém da família nos avisou do seu falecimento, mas sentimos mesmo assim. Eu e meu irmão, seus NETOS, não netos por adoção ou netos de criação, a amávamos. Meu pai a amava. Amor é amor, independente da nomenclatura, do sangue ou do que está no papel. A gente amava nossa avó.

Não, não fomos informados do seu falecimento, não sei por quê não nos avisaram, mas tb já nem quero mais saber. Vou guardar pra sempre a imagem dela na última vez que a vi, seus cabelos lisinhos e seu rosto já bem enrugado. Ela era meiga e carinhosa e apesar de não a ver com tanta frequência eu a amava.

Minha avó Menininha, descanse em paz. Junto com você vai o pouco que restava das minhas origens. Já não existe mais nada. Mas a vida é daqui pra frente. Guardo somente boas lembranças. Dona Odete, pra sempre nos nossos corações.

terça-feira, 2 de abril de 2019

"Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente infeliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional".

(Dizem quem esse texto é de Agatha Christie, será?)

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Pode ser que nada aconteça


"Pode ser que nada aconteça
Nem hoje, nem algum dia...
Mesmo assim, prefiro a dor que a solidão por não te ter me traz
Do que a dor que uma simples solidão me traria e trairia
Sonho com você por toda a noite
E passo horas acordada sob efeito da paixão
Que paixão!!
Mas ainda faz tanto frio aqui que eu nem sei de verdade se isso é chuva de verão
Pode ser que nada aconteça
Nem hoje, nem algum dia..."

(Chuva de Verão - Renata Arruda)

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Apnéia

Tenho pra mim que depois que a gente se torna mãe nunca mais respira direito.
Pareço estar sempre em apnéia, num mergulho profundo...

terça-feira, 19 de junho de 2018

Inverno



No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais se esclareceu:
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei?
Lá mesmo esqueci
Que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
Reuniu-se a terra um instante por nós dois
Pouco antes do Ocidente se assombrar


Canção de Adriana Calcanhotto

domingo, 20 de maio de 2018

Idealismo

Maldito idealismo que não me deixa desistir...
Quanto mais difícil, mais otimismo, mais vontade de seguir em frente.
Treino meu cérebro pra ele desistir. É mais fácil, menos doloroso. Dura um segundo.
O coração diz, vai, teima que dá certo, teima que uma hora dá certo.

terça-feira, 6 de março de 2018

"GRAVIDEZ NÃO É DOENÇA"




Não, não é doença. Mas, dói! Dói de dentro pra fora e as vezes de fora pra dentro. Dói a coluna, as pernas, e todas as articulações. Dói na alma, na mente e até uma dorzinha no coração as vezes dá.
Falta ar, falta disposição, é, falta muito ânimo. Deita, vira de um lado, agora, do outro lado, levanta, senta. Pressão sobe, pressão desce. Mas conseguir dormir que é bom, nada.
Não pode comer sal, açúcar e nem pensar em refrigerante ou chocolate.
Come, come, come, come, para! Enjoei, vai tudo pra fora. Mas não é doença!
Terceiro trimestre. Não pode ficar mais sozinha, depender de um e de outro. Quase não se anda mais.
Não, gravidez não é doença. GRAVIDEZ É MILAGRE DIVINO. Aguentar tudo isso e ainda amar incondicionalmente o filho, se doar por inteira por alguém que você ainda nem tem por inteiro e mesmo assim se sentir a pessoa mais feliz do mundo por ser mãe. Isso que eu chamo de amor verdadeiro. Quem ama tudo suporta, tudo crer, tudo espera...
Mas, não custa nada ajudar, cuidar, apoiar, e amar uma gestante. Gentileza gera gentileza, amor gera amor e, uma vida gera uma nova vida!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Efeito borboleta

"No caso das borboletas, o bater de asas de uma delas em um determinado lugar do mundo pode gerar uma movimentação de ar que, intensificada, desencadearia a alteração do comportamento de toda a atmosfera terrestre, para sempre". 

E minha filha essa noite resolveu me dar vários "ois", mexendo-se sutilmente, como o bater das asas de uma borboleta. Coisa incrivel sentir outro serzinho vivo dentro de você!!! 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Mas o que foi que eu fiz?


Tem coisa que não tem jeito não. Tem coisas que por mais que você se esforce, não-vão-dar~certo. Tem coisas que acontecem e você nem sabe por quê. E acontecem. Você não sabe o que fez. Mas aconteceu. 

Lembro de uma época em que fazia terapia com uma psiquiatra muito esquisita, e no meio do  poço de depressão que eu tava, rodeada do lamaçal de somente coisas ruins que me acontecia, ela seeeempre me dizia que a culpa era minha. Eu tinha feito alguma coisa pra estar passando por aquilo. Eu tinha que descobrir que merda que eu andava fazendo. Rapaz... se eu soubesse, não estaria ali pagando uma pequena fortuna toda semana. Fali e nunca descobri. 

Esse final de semana me aconteceram coisas semelhantes com pessoas diferentes, coisas desagradáveis que com certeza eu devo ter feito alguma coisa pra merecer. O quê? Não sei. E se eu não descobrir, se Deus não me revelar (porque só Deus!), eu não vou poder fazer nada a respeito. 

Juro que a princípio fiquei bem chateada. Os hormônios da gravidez (e do meu temperamento  também) me fizeram chorar. Depois lembrei dessa frase que sempre gostei de citar:


"De que adianta lamentar o vaso quebrado quando todas as forças do universo se uniram para derrubá-lo das nossas mãos". (W. Somerset Maughan)

Você acredita em sorte? Eu, sim. Já tive algumas sortes na vida. Quando não fiz nada pra merecer algo e coisas boas aconteceram, assim, do nada. É a mesma lógica para as coisas ruins, que não quero chamar de azar, mas vou falar, esse final de semana tive um pouco de azar, com consequências um tanto quanto catastróficas (afinal melhorou em anda minha vida, muito pelo contrário). O vaso foi derrubado algumas vezes das minhas mãos. Quebrou. Lamento. Não tem conserto. Algumas coisas são assim. A gente só aceita e segue. 



sábado, 17 de fevereiro de 2018


E eu senti mais falta do meu pai como nunca. Falta de quando eu me sentia protegida e achava que nada ia me atingir. Hoje eu vi, mais uma vez, em mais um momento, o fim de tudo que se foi junto com ele. Porque hoje eu tenho 40 anos e choro como uma menininha de 4 que teve sua boneca quebrada na hora do recreio. Meu pai consertaria tudo. Hoje nada pôde ser consertado.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

"Para algumas coisas, se reza baixinho,
se pede em silêncio.
Um pouco de fé, no tempo exato.
Talvez com calma.
Talvez dê certo.
Fecha os olhos, que logo chega.
E vai ser bom..."
(Paula Pfeifer)
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