sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Carta de amor recebida a algum tempo atrás.

Todas cartas de amor são ridículas, mas essa é no mínimo, criativa. Encontrei por acaso na minha caixa de e-mail e achei que tinha que deixar aqui registrado.
Carta de amor recebida a algum tempo atrás.

"hum... Será que eu devo pedir, para a fábrica de sabonete, permitir que eu beije cada sabonete, para que o meu beijo chegue ate voce, na hora em que voce tomar uma ducha... no calor que faz... nessa cidade linda?...
Ohhhh... Mas assim os meus beijos podem atingir outras pessoas!!! E isso nao pode acontecer, pois os meus beijos sao só seus...

Eu abri, no meio da floresta, um buraco numa rocha. Foi dificil. Foi muito dificil. Quando eu terminei, eu cavei a terra. Toneladas de terra eu tirei de lá de dentro. Atingi novamente uma camada de rochas. Estava escuro. Eu só podia tentar quebra-las quando o sol estava alto. À noite, enquanto eu descansava, eu falava com os bichos da floresta. As corujas e os grilos sao muito amigaveis. Questionavam o motivo de eu estar fazendo aquilo. Mas eu nada respondia. Alguns me ajudaram a levar as pedras e terra, para longe. E as aproveitaram. As formigas gostaram de ter suas casas em morrinhos novos e revoltos. Os castores aproveitaram as pedras, para reforçar suas represas. Cavei e quebrei rochas, ate chegar num vao subterraneo. Senti algo borbulhar. Subi ate a superficie, e cortei um bambu. Peguei um pedaço de pele de onça, e amarrei no bambu. Depois eu peguei uma lasca do bambu, de uns 70 centimetros, e o usei tudo como um arco e flecha.

Acertei no fundo do buraco que eu abri. Foi o suficiente para um jato de agua subir com toda a força. Seu diametro de 3 metros, foi tomado por uma coluna de agua limpida que subia uns 200 metros. Eu nao perdi tempo. Abri uma valeta, na direçao de Sergipe, e na direçao da Bahia. A agua notou o meu intuito, e me seguiu, formando um rio volumoso, e rapido. Às suas margens, cresceram lindas flores, lindas plantas, e arvores de todo tipo de especie. as macieiras, em especial, mostravam suas maças grandes como melancias, vermelhas e doces, como mel... as abelhas vieram velozes, e construiram suas colmeias na beira do rio. Eu pedi para elas abrirem uma portinha na parte de baixo da colmeia. Assim, o que fosse feito a mais de mel, cairia no rio. e seguiria junto com a agua, que ja ia num ritmo apressado. Eu ficava 24 horas ali, abrindo a valeta que se estendia por centenas de quilometros. E os castores, formigas, e abelhas, resolveram me ajudar nisso tambem. Com suas maozinhas pequeninas, eles retiravam quilos e quilos e ate toneladas de terra. Os elefantes tambem vieram me ajudar, replantando arvores em outros lugares, para nao atrapalhar o fluxo da agua. As girafas tiravam os matinhos mais altos, que poderiam cair no rio, e dificultar a passagem da agua. uma delas, eu reconheci. ela era a girafa que tinha comido as fotos minhas, que eu deixei perto da janela do meu apartamento.

Finalmente, a valeta que eu abri, chegou em aracaju. A outra valeta, chegou em paulo afonso. Com cuidado e em silencio, eu fiz uma canalizaçao ate às suas duas casas. Corri de volta ate o buraco que eu fiz, e lá, na nascente desse novo rio, eu coloquei um beijo meu em cima de uma folha (folha de arvore). E eu disse: este vai para a casa da minha Kinha, em paulo afonso. E coloquei outra folha, com outro beijo meu, no rio, dizendo: este vai para aracaju. Mas depois de alguns minutos, um hipopotamo me disse, quase sem folego: "olha, a folha chegou em aracaju, mas ela nao consegue chegar no apartamento da Kinha. é lá no ultimo andar...". Entao eu contratei 300 beija-flores. E expliquei o que eles deveriam fazer. Eles deveriam ir ate o seu condominio, perto do seu predio, e ficar um embaixo do outro, e ir passando a folha que eu mandei, de bico em bico. E quando chegasse lá em cima, no ultimo beija flor, ele deveria deixar a folha no parapeito da sua janela. Eu disse para uma abelhinha, no ouvido dela, que colocasse um pouquinho de mel, junto com o meu beijo. e, se possivel, um pote de suco de laranja. E gagau tambem. E cuscuz com leite. Daí, a abelhinha me disse que a vaquinha estava viajando. perguntou se poderia usar leite em pó. e eu disse que sim.

Deu certo? Hoje voce olhou a sua janela? Viu quantas folhas estao aí?

mas eu quero ficar perto de voce, minha amada.
a sua voz, pelo telefone, me faz muuuuuuuuuito bem...
e me corta o coraçao, quando voce está dengosa, e eu nao posso te
beijar.

eu te amo muito".


É... meus namorados sempre foram surreais...
Pode rir.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Pequenos bons momentos da vida.





Dias desses aí eu aceitei participar de uma festa na academia.
Até o último dia eu estava relutante, mas reclamaram que eu nunca participava de nenhum dos eventos, então acabei aceitando. Enfim, pensei que é sempre bom aproveitar cada minutinho da vida, nem que seja pra fazer um programa de índio, numa academia bizarra com seres antológicos e caricatos.

Cheguei atrasada propositadamente e estranhei quando vi a academia vazia, alguns gatos pingados na porta e o povo meio desanimado.
Já entrei com vontade de rir, mais ainda quando eu vi o cara-mais-lindo-da-academia em pé, folheando uma revista de halterofilismo com a maior cara de quem diz: "O que é que eu vim fazer aqui?"
Acabei me aproximando dele e conversa vai, conversa vem, eu rindo pra me acabar, mangando da situação, o professor chama pra começar a festa.

O professor é o personagem mais interessante da academia e nem podia ser diferente.
O bichinho fez uma cirurgia na cabeça e acabaram deixando uma cicatriz enorme. Normalmente ele vive de boné, acho que por isso tem uma coceira brava no couro cabeludo, vive levantando o boné e com as unhas faz "ruco-ruco" em tempo de rancar o resto do pixaim. Em eventos aonde vai arrumadinho e o boné não combina, ele coloca uma meia peruca, e assim estava quando começou o discurso no meio do salão pra poder começar a festança.

Quando disseram, "pode vir que tá na mesa", o povo timidamente ficou arrodeando a mesa, comendo um amendoinzinho, um milhinho, quando soltaram o Vinho do Frei, aí a galera se animou. Eu, claro, que já estava impaciente, apesar de ter a companhia do surpreendentemente-lindo, aticei o professor pra apagar as luzes e ligar o globo estilo discoteca que tem no meio do salão. A negada aprovou, caíram no forró e eu ri mais ainda com as qualidades dos dançarinos. A animação tava massa, eu me sentindo no Quilombo dos Palmares, os ancestrais clamando, a zabumba cantando e olhos-verdes-uma-sentença-de-morte de colírio ali do meu ladinho.

Vale a pena frisar que as mulheres da academia não gostam muito de mim. Acho que é inveja porque quem conseguiria ser magra e gostosa como eu sou? Mas, enfim, nessa noite estavam todas minhas amigas. Por que será? Oh, mas elas estavam falantes! Altos papos e ele só ria, eu ria, todo mundo ria.
A mais ousadinha era uma Hérica (parece que toda Erika, seja como for a ortografia, é ousada) que é até bonitinha: loira, rosto bonito, assistente social, mas bem gordinha, e a bicha tanto conversou que acabou roubando a atenção de olhos-verdes-que-homem-é-esse-me-mate só pra ela. Eu recolhi-me a minha insignificância e sai pra circular.

No meio da bagunça improvisaram uma quadrilha de São João que mais parecia uma quadrilha de assalto a bancos. Olhos-verdes-uma-perdição já cansado da maresia entrou na dança. Aliás, todo mundo entrou, eu inclusive que fiz par com Alcidar´t (este deixou de ser Boiolar´t, largou os cabelos aloirados de franjinha e agora adota um modelito cavanhaque, cabelo arrepiado, mais masculino). O estonteatemente-maravilhoso fez par com a Hérica (claro, e ela ia largar o osso?), mas, pra minha surpresa, ele só queria estar comigo. Ri horrores com essa quadrilha que não saía do lugar. "Quebrar o caranguejo" foi uma luta, ou como diria o matuto: "Uma lôitcha!".

Depois da quadrilha frustrada, um casamento matuto. A noiva que já é feia, se esforçava pra parecer mais feia ainda pensando que isso era bonito, e enfronhada num vestido branco estava parecendo a besta-fera-saída-das-profundezas.
No meio do bafafá, faltou gente pra fazer alguns papéis, sobrou pra mim e pra olhos-verdes-já-quero. Ele, na maior simplicidade, aceitou participar de tudo. Sem nem lembrar que sendo o mais alto, mais forte, mais lindo, com aquele rosto tipo Thiago Lacerda, destava-se na negrada, ou melhor, na marronzada.
De última hora puxaram a gordinha-loira pra fazer o papel da "mulher" dele. Hum, sei! Mas ele não se empolgou muito não.
Sei que ri de dar dor na queixada com a encenação. Misericórdia, o que era aquilo? Que povo engraçado!

Resultado da festa: até que não foi ruim.
Ri bastante, conversei muito, sujei e limpei as vistas repetidas vezes, tive uma boa companhia e no final deu tudo certo. No final até que foi muuuuuito bom. No final valeu à pena. Valeu o programa de índio, valeu à pena meeeesssssmo.
E já que o post ficou grandão e eu não vou poder contar mais nada, apenas repito: é sempre bom saber aproveitar as-coisas-boas-da-vida. Hehehe!!!!

Falei e Disse.

sexta-feira, 28 de julho de 2006





"Só sei que o mundo vai de lá pra cá
Andando por ali
Por acolá
Querendo ver o sol que não chega
Querendo ter alguém que não vem".

(Onde Ir - Vanessa da Mata)




 


quarta-feira, 26 de julho de 2006



Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem


(Sophia de M. B. A.)

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Expert em micos


 
Tem gente que parece que é expert em pagar micos. Parece que tem prazer nisso e faz até questão de pagar, porque o mico é tão micado que só um especialista no assunto pra alcançar tal situação.

Minha cunhada, outra noite, foi jantar num restaurante chique com meu irmão. Ficou toda empolgada, fazendo pose de quem anda sempre em lugares daquele nível, e não sei como, não sei se foi a emoção, só sei que ela, estabanada, quando estava entrando no restaurante derrubou a bolsa.

Na queda a pobre bolsa se abriu e as coisas que estava dentro se espalharam no meio do salão. Um pacote de absorventes que ela tinha acabado de comprar escorregou pra longe. O que ela podia fazer? Toda envergonhadinha, só podia se abaixar e catar de volta o pacotaço e enfiar de novo na bolsa. Morta!

Outro dia eu saía do banheiro e o cara-mais-lindo-da-empresa estava saindo do banheiro masculino. Notei que tinha algo estranho naquela rapaz de cabelos negros e lisos que anda sempre arrumadinho. O que seria aquele ONI pregado na sua roupa?

Olhei bem e vi um pedação de papel-higiênico pendurado no cós da sua calça. O mais engraçado foi vê-lo andando todo formoso, ensacadinho, sem perceber a tira de papel comprida, parecendo um rabo, presa na calça, a balançar no ritmo do seu passo.

Meu colega que também ia saindo do banheiro quando viu aquilo franziu o cenho, olhou direito, olhou pra mim, olhou pra o rapaz e caiu na risada. Saiu correndo pra espalhar para os colegas. Gente ruim!

Não acompanhei o desenrolar dos acontecimentos, daí não posso contar se alguém tirou o rabo dele, se ele mesmo percebeu, ou foi pra casa assim mesmo, todo concho.

Sorte dele que o papel estava limpo. Agora como é que aquele negócio foi parar lá? Não quero nem imaginar onde estava um das pontas do papel.

Tem gente que sabe mesmo como pagar um belo mico.

domingo, 23 de julho de 2006


" (...) cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquela fato sem explicação que iguala tudo que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo que é vivo, morre (...)"
Ariano Suassuna - O Auto da Compadecida.


Acordei pra ir direto ao enterro de uma tia de Fábio, uma senhora de sessenta anos que morreu da noite pra o dia.
Em dois anos, desde que comecei a namorar Fábio, esse é o terceiro velório que vou com ele. Coisa triste.
Depois da sexta-feira de opressão em que meu chefe teima em me tratar com uma débil mental, um sábado que só foi divertido à noite, e um domingo estranhíssimo, estou agora me sentindo justamente do jeito que sempre odeio me sentir.

Dia frio, escuro e chuvoso.
Aquela chuvinha fina que não pára de cair.
Uma tristeza aqui dentro.
A indecisão e a incerteza de sempre.
A opressão de agora.
De repente as coisas ficaram sem graça novamente.
Tento sorrir, mas é em vão.
Parece que na vida estou sempre buscando fugir da depressão,
mas ela está sempre dentro de mim,
meio escondidinha entre um sorriso fugidio e alegrias voláteis.
E a saudade de tudo que ainda não vi e nem consegui,
e talvez nunca consiga.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Em boca fechada não entra mosquito



Mais uma história que poderia ser da série "Não me faça te pegar nojo".



Em boca fechada não entra mosquito
Eu sou uma pessoa com um senso de humor que muitos estranham. Muitos que não me conhecem. Eu sei que sou assim, como já me disseram: "Não é o que você fala, mas COMO você fala". Isso pra mim é desculpa de pessoa recalcada e complexada que não agüenta ouvir nada. Ou talvez meu humor seja negro, sei lá.
Só sei que por saber que sou assim, eu prefiro muitas vezes ficar caladinha quando estou num ambiente onde ninguém me conhece ainda. Mas ninguém agüenta ficar calada a vida inteira, então de vez em quando, ou quase sempre, eu falo e acabo dando uns forões por conta disso.


Já aconteceu aqui no blog. Chamei a mim mesma e as minhas primas de "vacas" - forma carinhosa de nos comunicar, e um babaca da igreja se doeu e resolveu que, por ser obreiro da Reforma, deveria me dar uma lição de moral, mesmo que anonimamente e com infantilidades. Acabou que a baixaria foi grande. Enfim, o blog é meu, as primas são minhas, e eu falo o que eu quero, como eu quero e quando eu quero. Ninguém tem nada a ver com isso.


No trabalho eu entrei e fui logo oprimida pelo meu feitor. Fizeram me passar pelo teste do ar-condicionado, ou melhor dizendo, teste do frigorífico, e eu não podia me levantar pra fugir do vento gélido, tinha que ficar grudada na cadeira, "produzindo", como uma máquina. Sendo assim, eu era uma pessoa calada, taciturna, quieta, triste. Algumas pessoas acharam que eu era assim mesmo, e quando me viram rindo e brincando estranharam. Fui chamada de "engraçadinha", dê dinheiro, mas não dê ousadia, recebi algumas lições de moral e a vida seguiu.


Eis a conversa que se deu por e-mail, quase na íntegra.


Alguém manda e-mail pras colegas na hora do almoço: "Atenção, atenção, tá quase na hora do almoço. E ponto final".
Outra responde: "Parágrafo: o que acham de 12:15?"
Eu digo: "(vírgula e travessão) Acaba sendo12:30 mesmo pq Fulana sempre se atrasa (hehehe!!!)"
Fulana responde: "Mas olha a audácia da outra... Há um mês atrás nem abria a boca pra falar nada, agora já está querendo dar uma de engraçadinha... É como dizem, dê dinheiro, mas não dê ousadia..."
E eu: "Piu!" (calei a boquinha)


Até aí tudo bem. Outro dia foi melhor.
Uma amiga conta que saiu da academia e foi jantar com o marido. Esqueceu os tênis e acabou indo com a bota do trabalho e a malha da academia, uma coisa linda. Eu, claro, rindo e achando tudo engraçado, brinco na hora do almoço:


"Ainda bem que não foi almoçoar comigo de malha de academia no meio da canela e essa bota de segurança linda!
Porque se fosse assim eu preferia almoçar sozinha".



E a pessoa responde:
"Obrigado pela consideração mas mesmo assim não to nem ai, porque aparência de roupa não quer dizer nada, meus valores não estão na vestimenta muito menos em um par de bota, (quando se gosta da pessoa e reconhece seus valores isso não tem importância ) a não ser que eu estivesse nua.
Quem poderia se incomodar nem ligou, foi o meu maridinho, comi e paguei do mesmo jeito que se estivesse com sapato de ouro."



Eu, de novo, "piu".


E teve mais:
Reclamei que estava fazendo um trabalho chato e o meu colega disse: "Chato é o meu, que tenho que refazer a mesma coisa trilhões de vezes".
Eu respondi: "Colega, está desmerecendo a chatice do meu trabalho?"
Outro colega, se mete na conversa e vem dar lição de moral: "Ele não está dizendo isso. Não deturpe as palavras dele. Eu entendi exatamente o que ele disse e blá-blá-blá".
Ô, colega, se mete não na conversa alheia que não lhe diz respeito!


Mas será que as pessoas ao meu redor são estressadas ou sou eu que não estou entendendo o senso de humor dos outros?


Piu.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Vazio


"Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais mas sabe menos do que eu
porque a vida só se dá pra quem se deu
pra quem chorou, pra quem amou, pra quem sofreu.
"

(Vinicius e Toquinho)


Eu ando vazia.
Nem amando, nem odiando.
Nem triste, nem alegre.
Vazia.
O sorriso é sem graça, a pele macia arranha, os beijos não têm gosto, abraços não acolhem
O verde não me encanta, os olhos não brilham pra mim.
Estou sem alma...
Talvez seja melhor assim.
Talvez.
Mas hoje uma esperança entrou voando pela minha janela.
Veio junto com o vento frio.
Entrou e se apoiou na minha parede cor de canela.
Corri achando que fosse algum inseto asqueroso.
Fugi da Esperança, como se fosse um bicho horroroso. 

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Copa do Mundo 2006

(comentários tardios)

É, acabou cedo.
Eu nem vou comentar aqui de quem foi a culpa da derrota do Brasil. Se foi culpa do Parreira, da Palmeira ou do Coqueiro. Se foi culpa do estrelismo dos nosso jogadores-estrelas, a mim não importa, perdeu, tá perdido. Mas perdeu feio, hein?
Eu só lamento que quando eu estava começando a xingar durante um jogo com um verdadeiro torcedor-homem, aí acabou.
Eu e as meninas começamos como "eita" - interjeição feita quando algum gol era perdido, no segundo jogo já saiu um "eita, bexiga!" e até o "eita, c@&@lh$!" ainda tinha mais alguns jogos.
Minhas primas ainda estavam tentando entender a diferença entre escanteio e tiro de meta, enquanto eu ainda tentava explicar a elas. Infelizmente vamos ter que esperar pra próxima Copa.
Fora isso, diante de tantas pernas torneadas, homens fortes e italianos bonitos, eu já estava pensando em deixar de ser engenheira pra virar Maria-Chuteira, fico só imaginando a PJ que receberia de um desses, mas acho que não tenho vocação.

Mudando de assunto,
Depois do post "Magrinha-Rabudinha", recebi vários telefonemas com amigas me contando as presepadas que os paqueras, namorados ou maridos já falaram pra ela. Eu só queria entender porque existe homem assim.
Que qualidade de homem mandaria um torpedo pra uma paquera, dizendo: "Beijo na Xota!"? Será que ele acha que assim vai conquistar de vez? Só de escrever já me bate uma vergonha, agora imagine a garota toda feliz: "Ah, recebi um torpedo do meu amor" - e de repente lê isso?
Que tipo de marido falaria "Pula, pula, macaquinha!" bem na hora do "vamo ver"? Rapaz! Macaquinha? Foi demais!

ISSO É QUALIDADE???!!!!

quinta-feira, 6 de julho de 2006


"A vida não é quantas vezes você respirou, mas os momentos que tiraram o seu fôlego".
Como uma mulher deve se portar se lhe contam que um cara lhe chamou de "magrinha rabudinha"?

a) fica lisonjeada, enfim, foi apenas um comentário sobre um de seus "atributos".
b) morre de vergonha, porque que qualidade de homem falaria uma coisa dessas?
c) morre de raiva, porque ninguém lhe admira por ser inteligente e sim por aspectos físicos menos relevantes.
d) não dá a mínima, porque isso é comentário de homem sergipano machista e superficial que só merece ser tratado com indiferença.
e) nenhuma das anteriores.

Enfim, existem comentários piores.

terça-feira, 4 de julho de 2006



Olha o que eu achei! Tinha que ser coisa de Kedma.
Essa escrevia bilhetinhos até em papel higiênico.
Nesse tempo ainda aceitava seu nome esdrúxulo com dois m´s.
Isso há 11 anos, do túúúúúúúúnel do teeeeeeemmmmpoooooo!!!!!!
E há 11 anos nasceu a coisa linda de Titia: Milena.
A cada dia que passa fica mais gostosa. Eu não sei como uma criança tendo uma mãe doida, um pai demente e tias malucas pode ser tão centrada. Tenho certeza que quando ela crescer vai ser uma moça fina e educada, verdadeira Top de Linha.
Parabéns, Mimi, sua tia-madrinha te ama muitão!!!!!!!

terça-feira, 27 de junho de 2006

Ai de mim que sou romântica



Uma nova série:
Ai de mim que sou romântica

É estranho encontrar uma agenda do ano 2000, ler coisas de um tempo passado e ver todo o meu presente ali escrito.
É como se nada tivesse mudado, como se eu tivesse parado no tempo, congelado. São as mesmas histórias com coadjuvantes diferentes, mas as mesmas lágrimas, os mesmos sonhos e desilusões, o mesmo romantismo ridículo.
Mudou nada não. O pior é pensar que talvez não mude nunca e eu tenha que morrer desiludida, velha, seca e sozinha.
Em 28 anos de vida (abafa o caso!) tive muitos amores. TER não é o verbo correto, mas ao conjugá-lo tento manter, mesmo que em vão, a ilusão que a mim persegue por tanto tempo.
Amei... isso é verdade, ou talvez não, mas não vamos entrar em detalhes... gostei,pode ser, de Ricardo, Douglas, Nailton, Elvo, Ronald, Fábio, Beto, Anselmo, Carlos... ah, Carlos... amei-os, mas não necessariamente nessa ordem. Mas quantos deles me amaram?

Ele era lindo como um deus grego. Destacava-se na multidão. Destacava-se no meu colégio, na minha cidade, na minha casa, meu sofá. Tinha sotaque engraçado de matuto do interior de Pernambuco, mas nem por isso perdia seu charme. Lembro bem da primeira vez que o vi.

Lembro do sábado à tarde com meu soninho costumeiro sendo interrompido pelo meu irmão que gritava: "Erika, Erika, um cara que é a cara do cara do Papa-Tudo está aí na sala!"
Nessa época eu era louca por Brandon Walsh e Dylan McKay do Barrados no Baile (Beverly Hills 90210) e pelo César Filho, quando este ainda era namorado da Angélica e apresentava uma loteria eletrônica na Globo chamada Papa-Tudo.
Por causa desse papa-tudo fui despertada pelo meu irmão alardeando o ilustre visitante. Levantei imediatamente com os cabelos em desalinho e limpando as remelas dos olhos, quando dei de cara com um rapaz lindo sentado na mesa da minha cozinha de paredes verdes pintadas à óleo.

Se eu fechar os olhos hoje posso ver toda a cena em câmera lenta e fundo musical romântico (algum sucesso da época) e o vejo olhando pra mim lentamente, sem dizer uma palavra. Vejo ele baixar os olhos e nem sequer tocar mais no lanche que minha mãe tinha feito pra ele.
Ele estava ali na minha casa porque sua tia, alguma parente distante da minha mãe, tinha falecido no hospital de Paulo Afonso. Ele era sobrinho-neto da minha avó. Ou seja meu primo em terceiro grau (ou seria quarto?) e que primo! O cara que era a cara do cara do Papa-Tudo - ao meu dispor!

Faz tempo que isso aconteceu, eu tinha exatos 16 anos e acho que foi quando amei pela primeira vez. Se não foi, fica sendo, mas me lembro muito bem.
Lembro do primeiro olhar, ele indo embora e sorrindo pra mim pelo vidro traseiro do carro. Lembro da camisa branca de malha e mangas compridas cheirando a limpa. Lembro da sua mão segurando a minha no escuro do carro do meu pai. Lembro dos beijos no sofá numa tarde luminosa, das suas visitas a minha escola, do riso fácil, da alegria, da inveja que fazia as outras meninas, dele segurando minha mochila na saída da escola, da primeira caixa de bombons, dos desenhos que fazia pra mim, das mãos entrelaçadas, dos beijos ao virar a esquina... do cartão que ele escreveu pra namorada.

Foi aí que surgiu a dúvida que às vezes ainda me atormenta no dias atuais: eu era a outra? A outra é que era a outra?
Essa foi a primeira de muitas desilusões. Nem quando fui traída pelo meu namorado e minha prima num beijo furtivo no sofá da sala de tia Marinalva doeu (eu dei o troco depois). Mas um cartão que ele fez no computador da minha casa pra uma namorada da cidade em que morava doeu muito mais. Essa foi minha primeira desilusão e a primeira importante decisão: aceitar a situação ou dolorosamente dizer não? (ou viver a vida inteira fazendo rimas pobres como essas?)

Ah, disso eu também me lembro bem. Era Natal e ele cruelmente foi me visitar na casa dos meus avós com a namorada à tira-colo. Senti-me mortalmente ofendida e vestindo então o tubinho justo e vermelho de amante ressentida contei toda a nossa história pra ela.
Lembro bem, como se fosse hoje, também em câmera lenta e com fundo musical romântico (ainda algum hit da época), ele olhou pra mim e nada disse. Virou as costas, foi embora e nunca mais voltou a falar comigo.

O cara que era a cara do cara do Papa-Tudo partiu meu coração numa noite de Natal e me deixou chorando só e baixinho, calada, enquanto ao longe se ouvia uma música triste ecoando na noite.
Eu tinha apenas 16 anos, há 12 anos, do túnel do tempo e descobri pela primeira vez como dói ficar sem a pessoa que a gente gosta.

Ele acabou se casando com essa mesma garota tempos depois, tiveram uma filha e até hoje vivem juntos, felizes para sempre.
Pelo menos pra alguém essa história tinha que ter Happy End.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

O primeiro jogo do Brasil ontem foi cômico


Não estou falando do jogo em si, estou falando da platéia, do local e dos comentários de um bando de mulheres. Dá pra imaginar? Vamos então à análise do resultado:

Os homens que lá estavam assistiram todo o jogo sentados na beira da cadeira e com um copo de cerveja do lado. Quando acontecia um lance a gol todos se levantavam como se tivessem treinado a coreografia num pinote seguido por braços levantados. Se o gol não saía, xingavam um palavrão, passavam a mão na cabeça e em seguida sentavam novamente na beirada da cadeira, espigados, prontos para o próximo lance.
Mulher já é diferente. Eu estou falando "mulher" se referindo as que estavam comigo na casa de Gis no jogo de ontem, porque se fossem mulheres como a minha mãe, que entende de futebol mais do que o próprio treinador, aí sim, os comentários e as reações seriam outras.
Mas normalmente mulher senta de perninha cruzada e fazendo cara de que sabe pelo menos pra que lado os jogadores devem correr. Quando acontece um lance e o gol não sai, grita: "Eeeeeeiiiiitaaaa!!!!" - com um voz estridente, pra em seguida perguntar: "O que foi que aconteceu?". Conversa o tempo inteiro e perde os melhores lances, mesmo assim grita mais um "eita" sem nem entender nada.

Ah, mas quando o gol acontece a reação de homens e mulheres é a mesma: gritaria, pula-pula, abraça-abraça, corre-corre. A única diferença é que quando o gol é feito por alguém como Kaká sempre tem uma mulher pra gritar: "Meu marido! Meu marido! Aaaaaahhhhh!!!!!". Outra se empolga com as pernas do Adriano e exclama: "E esse é meu!!!!! Aaaaaaahhhh!!!!". E riem muito.

No jogo de ontem eu nem vi o primeiro gol porque Iris estava me contando sobre o baiano que conheceu no msn. Antes disso a gente estava até concentrada, mas fazia tempo que a gente não se falava, e sabe como é, ela precisava me contar os ba-ba-dos.