sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A Distância Entre Nós (Thrity Umrigar)

"Pensou que tinha se acostumado com a solidão da própria vida, que tinha aceitado aquele ponto anestesiado em seu coração, como se um médico lhe tivesse aplicado éter. (...) Talvez o tempo não cure as feridas de jeito nenhum, talvez essa seja a maior mentira de todas. Em vez disso, o que acontece é cada ferida penetra mais e mais fundo no corpo até que um dia você descobre que a própria geografia dos ossos – os traços do seu rosto, a forma dos seus quadris, o ângulo dos seus ombros, e também o brilho dos seus olhos, a textura da sua pele, a franqueza do seu sorriso – sucumbiu sob o peso das mágoas".
(pág. 65)

"Sabe, acho que ele poderia ter me ajudado... a enfrentar o que estava por vir na minha vida. Ele conhecia o segredo, sabe? O segredo da solidão. Como viver com ela, como enrolá-la no próprio corpo e ainda assim ser capaz de fazer coisas bonitas e coloridas como aqueles balões. E podia ter me ensinado, se eu tivesse pedido". (pág. 137)

"E, depois desse segundo funeral, depois que Pooja se transformar em cinzas diante dos meus malditos olhos, depois que eu tiver testemunhado o horror da minha própria filha morrendo diante de mim, vou querer derreter como gelo, vou querer desmoronar como um castelo de areia, vou querer me dissolver como açúcar num copo d´água. Vou querer parar de existir, entende? (...)
Uma mãe sem filhos, não é mãe de jeito nenhum. E, se não sou mãe, então não sou nada. Nada. Sou como o açúcar dissolvido num copo d´água. Ou como o sal que desaparece quando cozinhamos. Sou como o sal. Sem meus filhos, deixo de existir". (pág. 153)

"Para onde iam todas as lágrimas derramadas do mundo? (...) Se pudessem ser coletadas, poderiam irrigar os campos secos e esturricados da aldeia de Gopal, e outros tantos. Com isso, talvez essas lágrimas tivessem algum valor e todo esse sofrimento tivesse algum significado. Caso contrário, era tudo um desperdício, apenas um ciclo infindável de nascimento e morte, de amor e perda". (pág. 159)

"Ele não era exatamente o tipo de homem de quem se sente pena. Na verdade, olhando seus olhos tristes e delicados, o que se sentia era uma tristeza profunda, o tipo de melancolia que sentimos quando estamos num lugar bonito e o sol está se pondo". (pág. 204)

"O meu povo tem um ditado – principiou ele. – Os Deuses da Inveja percebem quando uma coisa é bonita demais. E aí­ têm que destruí­-la. Mesmo que seja sua própria criação, essa beleza desperta a sua inveja, e eles ficam com medo de que aquilo venha a ofuscá-los. E então destroem os próprios templos que construí­ram". (pág. 206)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Eu Quero Sempre Mais


Composição: Edgar Scandurra

A minha vida, eu preciso mudar todo dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei

Eu quero sempre mais
Eu quero sempre mais
Eu espero sempre mais de ti

Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe, longe de mim

Longe de mim
Longe de mim
Longe de mim

sexta-feira, 27 de julho de 2007

CONDICIONAL

Agora em Salvador. Ainda sem net livre pra escrever em blog. Vai música de Los Hermanos, complexa e bonita. Minha. E ainda rindo de quando ele disse que eu o consquiste quando mostrei a verruga no meu dedo mindinho.

CONDICIONAL
(Los Hermanos)

Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo céu
Fiz de tudo cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios
E quis ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu entendi
Sonho não se dá
É botão de flor
O sabor de fel é de cortar

Eu sei, é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim

Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu muito bem

Quis nunca te ganhar
Tanto que forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar
Todos os mistérios

Sei, tanto te soltei
Que você me quis
Em todo o lugar
Li em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso

Eu sei, é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu...

O que eu queria,
O que eu fazia,
O que mais?
E alguma coisa a gente tem que amar
Mas o que, não sei mais

Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim
Eu sei também
Existe alguém pra me libertar.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Você me deixa imensamente feliz



"Fiz uma lista sem fim
De como sem perceber
Você me deixa
Imensamente feliz".

(Lado Z - Leoni)


É comovente a forma como ele me olha enquanto choro. É engraçado a forma como ele tenta me consolar. É viciante como ele sacia a minha carência. Mas o que adianta eu gostar novamente de alguém, se a pessoa sempre se distancia da minha vida? Realidades distintas. Cada vez caminhando mais longe uma da outra.

Por um momento pareceu que nada mais existia além das ruas de paralelepípedo vazias e do frio que tornava o calor dos corpos unidos mais aconchegante. Por um momento tudo pareceu mais alegre, mesmo sentindo gosto de lágrima, e eterno, mesmo com a certeza do fim.

Mesmo sem querer, mesmo com todo ceticismo, me deixei levar pela ilusão. Talvez tenha sido pelo bosque no fundo de casa ou pelas estrelas vistas do corredor ao lado. Talvez pela chuva fina que caía naquela noite colorida. Talvez por culpa minha. Se não tivesse evitado o chulo, o profano, o mundano, o real, não teria caído no sublime, puro, santo, ilusório.

domingo, 15 de julho de 2007

....

E olha eu de novo tentando fugir da tristeza. Difícil não se sentir ninguém. Devolver, trancar, entregar, fechar, mudar - tudo isso me assusta. O coração de novo do tamanho de uma uva passa. Perdida. Gente, muita gente caminha pra lá e pra cá, e eu nem sei pra onde ir. Medo. Medo de não conseguir, de não saber tentar. Fracassar. Decepcionar. Pra quê tanta luta? Será que vale a pena tanto sacrifício? Parece que quanto mais eu luto, só me canso e nada produzo. O mundo gira e eu fico tonta, não saio do lugar. E quando é que vou ter um canto pra chamar de meu? Quando vou poder fazer planos para as férias do ano que vem? Quando é que eu vou ter um amor pra quem eu não precise dizer adeus?

segunda-feira, 2 de julho de 2007


"Nem uma verdade me machuca, nem um motivo me corrói,
até se eu ficar só na vontade já não dói"...

(Déjà Vu - Pitty)
Todo dia acordo e penso: Meu Deus, o que vai ser de mim?

Minha cama é um estrado de madeira, meu pescoço dói e eu não consigo dormir de bruços. Eu só durmo de bruços. Mesmo assim já discutem quem vai ficar com a minha cama quando meu quarto esvaziar, já repartem o espólio antes da guerra terminar, já enterram o defunto antes dele esfriar.

Sempre achei que se eu entrasse no Big Brother seria a primeira a ser eliminada. Seria alvo de polêmicas, beijaria na boca, seria excluída de um grupo formado pela maioria, ou ficaria até a antepenúltima semana sem nunca dormir no quarto do líder. Sairia sem ganhar absolutamente nada. Talvez ficasse com aquela mala com um olho grande. Será que a produção pede as malas de volta?

E se eu pudesse, hoje eu sumiria daqui. Só queria silêncio e escrever no meu blog. Queria lavar meus cabelos com água morna. Pelo menos uma dessas coisas eu poderei fazer hoje.

(arremedo de post do dia 27 de junho)

sábado, 23 de junho de 2007

Minha vida está dando uma reviravolta tremenda. Tenho tanta coisa pra falar, mas agora a fumaça das fogueiras não me deixa raciocinar.

Passei a semana na poeira do canteiro escondido numa estradinha de terra. Perdidas entre pilhas de pastas a serem arrumadas, sem internet, sem produzir nada de útil. Algumas horas sem energia, outras sem água, acordando mais cedo do que de costume, comendo sempre fora de casa.

Saí da minha cama-box-king-size-nela-eu-podia-me-revirar-à-vontade pra uma caminha-de-solteiro-com-um-colchão-de-madeira-bem-mais-estreito. Um lugar frio à noite, uma casa grande, pessoas estranhas. Continuo achando muito ruim crescer.

Mas os momentos bons permanecem, talvez fictícios, inventados, sonhados, como correr de mão dadas numa madrugada até a linha de trem, só pra ouvi-lo dizer, longe do barulho: "Estou apaixonado por você. Muito apaixonado. Você é linda. Muito linda. Queria ter você definitivamente na minha vida".

E o que vai ser de mim, meu Deus?

quarta-feira, 13 de junho de 2007




"Se o tempo hoje vai depressa
Não tá em minhas mãos
Cada minuto me interessa
Me resolvendo ou não.

Quero uma fermata que possa fazer
Agora o tempo me obedecer"...


(Temporal - Pitty)


É... a ficha tá começando a cair. Para quem não sabe nada de música, fermata é um símbolo musical que deixa o tempo de execução de uma nota a cargo do executante.
Mas a vida não é tão musical assim...

terça-feira, 12 de junho de 2007

A quem interessar possa....


A quem interessar possa....

Hoje é dia dos namorados e estou namorando. Voltei. Voltamos. Eu e Fábio. Fábio e Eu. Pela nonagésima vez. Terceiro dia dos namorados juntos. 3 anos. Foi num forró, época de São João, de frio, de chuvinha, quando tudo começou. Mas ano passado, também São João, a gente tinha terminado, pela segunda vez. Ou era terceira? Êta círculo vicioso! Mas estou numa fase boa. Fase de viver o presente. Fase de rir muito. De sonhar com os pés no chão. E nunca mais eu tinha tomado um banho de chuva. Sábado, 2 horas da manhã, chuva forte abraçada com Fábio. Risadas, muitas risadas. Dizem que o melhor da festa é o final. Sempre quis ir embora de Aracaju, nunca gostei muito desse lugar, e agora que só faltam alguns dias pra eu mudar de cidade, tudo ficou bom, muito bom. O trabalho ficou mais divertido, as coisas fluem, estou conseguindo estudar, estou conseguindo fazer o que gosto, posso até dizer que estou feliz, eu que estou sempre triste. Triste, não, melancólica. It´s different. Só uma coisa não mudou: continuo amando. Continuo apaixonada por tudo e por todos. Até pelas pessoas que não gostam de mim. Nossa, como é bom viver!

"Nessa nossa estrada
Só terá belas praias e cachoeiras
Aonde o vento é brisa
Onde não haja quem possa
Com a nossa felicidade
Vamos brindar a vida meu bem
Aonde o vento é brisa
E o céu claro de estrelas
O que a gente precisa
É tomar um banho de chuva..."


Ah, e estou feliz com as últimas visitas que meu blog recebeu. Feliz mesmo ao saber que algumas pessoas lêem o que escrevo e gostam, mesmo que nunca tenham comentado. Que bom! E sejam sempre bem vindos.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Gostei, gostei, gostei!

"Soberana é o nome de uma flor, um tanto rara dado que abre poucas vezes ao ano. Demora alguns dias para ela chegar no seu auge, mas quando completa o seu ciclo... nossa!, ela é uma rainha, uma verdadeira coroa em vermelho e amarelo, digna de reinar sobre o jardim. .... acho que você precisa apenas achar um jardim digno do seu reinado... ou de um jardineiro que saiba cultiva-la e portanto mereça que você o enfeite"...

(Ayres - A(s)normais)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Meros devaneios tolos


Bem certo que deleto pessoas... o problema é que ainda não aprendi a esvaziar a lixeira. Alguém aí pode me ensinar?


Meros devaneios tolos - Parte II

Sentada na cama apenas o via dando o seu sermão. Via, mas não conseguia ouvir. Ele, sentado no sofá... um metro e setenta e oito de sol em plena noite. Ele, que tanto falava fazendo com que eu o admirasse mais, apesar de estar detestando as palavras que ele dizia, incansavelmente, querendo me fazer entender o que eu já tinha entendido. Mas eu não ouvia. Apenas via aquela boca que há alguns minutos tinha acabado de beijar proferir palavras que na verdade eram repreensões. Senti-me envergonhada do papel que desempenhara até então. Fingia que não gostava. Fingia que não estava interessada. Fingia que era só amiga, quando na verdade queria tudo e muito mais. Queria ser a amada, a amante, a namorada. Queria mesmo sabendo que nunca teria, por isso fingia. Agora eu estava ali, tendo-o tão perto. Na minha frente. Falando as únicas coisas que eu não queria ouvir. Simplesmente porque eu tinha fingido demais.

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Eu deixei um recado no pára-brisa do carro dele. Depois ri de mim mesma, me achei ridícula, tipo aquelas menininhas de colégio. Acho que ele nem viu o bilhete. Ou viu e fez de conta que não. Não comentou nada depois. Na certa também achou ridículo. Indigno de comentários. Não sei porque fico procurando. Às vezes esqueço da minha situação. Esqueço que com ele sou apenas pra "de vez em quando", e que agora é a hora que sumimos um do outro de novo, mais uma vez, num grande círculo vicioso, até ele me ligar com sua voz grave dizendo: "Quer me ver?", e eu, claro, depois de relutar um pouco, sempre dizer "sim". De vez em quando. Talvez por muitos anos a mais. Ou não.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Seu tudo pra mim foi pouco

Eu Só Sei Amar Assim
(Hebert Vianna)

Muito pra mim é nada
Tudo pra mim não basta
Eu quero cada gesto, cada palavra
Cada segundo da tua atenção

Faça isso por mim
Leve a dor pra longe daqui
Estou cansada de ouvir
Que eu só sei amar errado
Estou cansada de me dividir
O que é certo no amor
Quem é que vai dizer
O que falar, calar e querer
Eu quero absurdos, quero amor sem fim
Eu quero te dizer que eu só sei amar assim.


E numa dia muito remoto da minha vida, eu ouvi:

"Eu tenho muito carinho por você, mas, enfim, não vou ficar te dizendo isso. Eu fiz tudo que pude por você. Desculpa se foi insuficiente, mas pode perguntar a qualquer pessoa que me conhece. Eu te dei muita atenção, eu fiz coisas por você que nunca fiz por ninguém, não porque eu fosse obrigado a isso, mas porque eu sabia que você merecia".

Êêê, desculpaê, mas... seu tudo pra mim foi pouco. (nem sei por que lembrei disso... essa mudança está afetando meu cérebro).
E quem disse que homem é tudo igual? Que nada! Tá certo que sempre mantenho vários na fila e estou aceitando currículos, mas como as coisas andam, determino a quem dou minha senha da conta poupança da Caixa Econômica e quem merece o meu cartão Itaú Personalité (Momento Revolta - num digo que a mudança tá me afetando?).
E pra acabar de acabar, uma coisa que eu ouvir que achei "massa": "Não digo que você pra mim é demais, porque o que é demais é excesso, e o que é excesso é sobra, o que sobra a gente joga fora. Digo que você pra mim é de menos, pois o que é de menos, é pouco, e o que é pouco faz falta, e se você faz falta é porque é RARO". Uau! (Definitivamente essa mudança vai acabar comigo).