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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Pisei em rastro de corno.

Eu pensava que o mês do meu aniversário fosse o meu mês. Mês de sorte, prosperidade, felicidade... mas o meu mês, esse ano, foi de qualquer um outro, menos meu.
No dia do meu aniversário, logo pela manhã, estava eu feliz da vida por ter recebido do meu amor uma mensagem fonada e uma cesta de queijos e vinhos.
Detalhe: foi ele mesmo quem comprou tudo, escolheu as flores e pediu pra montar a cesta. Lindo não?

Estava tudo azul, eram 8 horas de uma bela manhã, estava indo pro trabalho com meu amor ao lado, ouvindo Diante do Trono, quando alguns cavalos, com crise de identidade, se atreveram a competir com os carros numa avenida movimentada.
Detalhe: resolveram passear na contra-mão. Uma moça em outro carro tentou desviar e bateu na porta traseira do lado direito do meu carro. O meu carro! Meu lindo carro!

Mas foi "muito legal" porque, como estava chovendo, depois de bater no meu carro, ela rodou na pista, deu uma "rabada" num motoqueiro que vinha atrás de mim e com a frente do carro bateu num táxi.
Detalhe: o pneu traseiro esquerdo do meu carro bateu no canteiro e o eixo ficou empenado. O carro, coitado, não obedecia mais à dona só queria dançar de um lado pra outro na pista. A porta? Só outra.

Isso foi na sexta-feira, dia 03 de fevereiro. No dia 07, uma bela terça-feira, fui literalmente despachada pra Salvador.
Detalhe: Fui, crendo que ia apenas pra fazer um trabalho urgente, e na verdade já era pra ficar de vez. Como assim, Bial? E meu carro batido, minhas coisas, minha casa, minha família, meu namorado, minha vida? Tá certo que eu tinha sido comunicada da minha transferência, só não sabia que ia ser assim do nada, sem negociação.
A única pessoa de quem me despedi foi Suellinha. Mico geral a gente chorando no meio da rua. Choramos a noite toda.

Fiquei apenas quatro dias em Salvador. A única coisa boa foi o tratamento que recebi lá. Viagens de avião pagas pela empresa, hotel novo e chique, motorista pra me pegar e levar no trabalho, tava me sentindo uma executiva. Nunca fui tão importante.
Os amigos me pegavam na porta pra passear, nem soube o que é andar de ônibus em Salvador. Apesar de estar angustiada foi muito bom ver a minha prima Zeni e sua família, dei boas risadas e me diverti muito.
A pior coisa: O triste pôr-do-sol que assistia da mesa onde estava trabalhando. Ui, que ele me doía a alma! Não suporto o pôr-do-sol e a idéia de que o dia estava acabando e eu estava longe das pessoas de quem eu gosto, do meu cantinho, minha casa, meu refúgio, meu amor, me torturava o coração.

Sei que eu dei a louca e convenci o gerente que eu precisava resolver a minha vida pra eu poder voltar de vez pra Salvador. Agora eu tô aqui, rezando a Deus, pra que ele me deixe quieta no meu canto e me esqueça.

Até aí estava tudo bem. Consegui voltar pra Aracaju temporariamente na sexta-feira, peguei meu carro que já tinha sido consertado e no sábado fui pra formatura de Nayanne. Lá arrombaram a porta do meu carro, detonaram a luz interna e roubaram meu som e uma sandália novinha que eu tinha comprado em Salvador. Meu som, meu lindo som! Com apenas dois meses de uso. E minha linda sandália baiana? Oh, céus!

Definitivamente pisei em rastro de corno.
Não vou nem falar que a igreja de repente virou um pedaço do inferno. Perdoem-me a expressão, mas essa foi a única que encontrei. Fui tão julgada e condenada que Maria Madalena antes da conversão seria a Virgem Maria perto de mim. Não só eu, mas outras pessoas também foram julgadas. Religiosidade, tradição, formas, ritos, dogmas, tudo isso foi defendido a unhas e dentes por alguns da igreja e no final das contas ficamos com os danos emocionais e espirituais. Não vou nem falar nos morais, porque esses dá até cadeia e imagine um irmão condenando outro por isso. Em que ponto quase chegamos!

Mas disso tudo o que mais me consome é esse lance de mudar sem ter escolha.
É irônico, pois passei 10 anos aqui em Aracaju desejando ir embora desse lugar. Achava tudo ruim. De repente o sol brilhou, consegui ter tudo que sonhava e agora vou ter que abrir mão e viver longe novamente, sofrer, sentir solidão, passar por tudo que passei.

Tudo o que era lindo ficou cinza. A igreja, o trabalho, minha vida. A minha casa, o meu refúgio, lugar que tanto procurei, tenho que abandonar. As coisas que conquistei aqui terei que largar. Quando pensei que era feliz, veio a vida e levou tudo embora. Agora volto a estaca zero, aos dias intermináveis e ao desejo de voltar pra casa.

Sabe quando tudo te cansa e você nem consegue mais chorar e só tem vontade de sentar no chão, ficar olhando pro horizonte, catatônica, estática, alheia a tudo?
Sei que tenho que trabalhar e seguir, resignada ao saber que na vida um dia tudo que é bom se acaba. Fica apenas o vazio e a saudade.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Tem gente reclamando que sumi.
Verdade. É que a vida anda meio doida, mas tenho zilhões de coisas pra contar.
Ah, meu aniversário! Ninguém quis me parabenizar aqui. Ninguém lembrou. Tem problema não, pior seria se pior fosse.
Fora isso, minha vida está prestes a mudar, infelizmente tudo contrário dos meus desejos.
Tenho que tomar decisões e resolver problemões que parece vieram junto com mais um ano de idade.
Vixe como é ruim crescer!
Tô no trabalho, aqui tá vazio e minha vontade é ir pra casa e dormir. Dormir e só acordar quando a vida for azul novamente.

Beijos a todos e volto logo (espero!).