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quarta-feira, 30 de junho de 2004

A revolta da bolacha

Não me faça te pegar nojo

A revolta da bolacha


Essa fico até triste em contar, mas aconteceu, não vou mentir, nem inventar. Tenho que falar. Quando falo, quando escrevo aqui, esqueço, mesmo que fique registrado pra sempre.
Fico triste porque aconteceu com um amigo de trabalho por quem eu tenho muita admiração. E tudo por causa de biscoitos que ele sempre levava e eu sempre filava quando estava morrendo de fome, o que era quase sempre.
Um dia, estava eu na sala dele depois de ter comido religiosamente os biscoitos, quando outro colega chega procurando por biscoitos: "Disseram-me que aqui tinha biscoito!" - todo animadinho.
O dono do biscoito foi tachativo: "Não. Não tem" - negando.
Eu, na brincadeira infantil, depois que o outro saiu, fiquei perturbando: "Rapaz, cê negou o biscoito a um faminto!" - e ele tentava se justificar, e quanto mais fazia isso, mais eu perturbava: "Meu fio, um biscoito não vai te fazer falta. Coitado do homem. Fiquei com pena. Qué isso! Custava nada alimentar alguém. Se ele veio aqui pedir foi porque ele estava mesmo com fome..." - e continuei falando, até que esse meu colega se irritou e alterou o tom de voz: "Agora! Espalhe pra todo mundo que aqui tem biscoito pra você ver se não vem gente de tudo quanto é banda!" - e eu, ainda achando que estávamos com bom-humor, acrescentei para o meu fim: "Vou mermo. Vou anunciar pra DESO toda!!!"
Pra quê??? O colega apontou o dedo pra o meu nariz e gritou: "FAÇA ISSO, FAÇA! E EU VOU FAZER VOCÊ PASSAR UMA VERGONHA TÃO GRANDE QUE VOCÊ NÃO VAI NUNCA ESQUECER!"
Levantei pianinha. Caladinha. Com os olhinhos piscando. A amiga dele que tudo assistiu veio me dizer que eu tinha culpa, que eu fiquei julgando, perturbando ele, que eu não devia ter dito ao outro colega que ele tinha biscoito lá. Que a raiva dele toda tinha sido isso, o fato de eu ter espalhado que lá tinha biscoito.
Misericórdia. EU NÃO TINHA DITO NADA A NINGUÉM!
E quem falou?
A outra colega que trabalhava comigo que sabia que eu sempre pegava biscoito na outra sala.
Veja a minha sorte em me meter em confusões. Sei que passei um bom tempo sem comer biscoito que ninguém levasse.
Pô, mas também tem gente que não sabe nem levar as coisas na esportiva!

Falei e Disse.

Ver capítulo anterior

A revolta continua!

Não me faça te pegar nojo

A revolta continua!

Esse é de 1995. Já estava aqui em Aju. Morava com meus tios e primos, marido da prima, filhinha da prima, uma multidão num apartamento de 3 quartos. Desde criança eu e minha prima fomos amigas, sempre unidas... até que um dia, do nada, percebi que ela estava diferente comigo. Não olhava pra mim, não falava comigo, não me dirigia a palavra. Vivia cochichando por trás das portas e escondido com a mãe, quando eu me aproximava mudava de assunto repentinamente. E assim foi por algumas semanas, até que eu flagrei elas falando mal de mim no supermercado.
Decidi interrogar e só obtive como resposta: "Depois a gente conversa" - é sempre assim, quem não tem coragem de dizer, sempre vem com essa frase, mas não desisti, até que ela sob tortura me explicou o por quê do desprezo. Veja só que babado!
Eu sabia de um segredo de outra prima que acabou vindo à tona. Quando a mãe soube que eu sabia, me humilhou no ponto de ônibus onde me encontrou, achando que eu tinha comentado pra outras pessoas, que agora todo mundo zombaria da filha dela e coisa e tal. Na verdade eu nem tinha contado pra ninguém. Depois dessa humilhação, ela nada satisfeita, resolveu inventar uma mentira maior que pudesse me desmoralizar por completo. Uma mentira tão feia que envolvia a prima com quem eu morava que nem tenho coragem de contar. Uma mentira absurda e sem lógica, que eu nem sei como alguém podia acreditar nisso.
Resultado: eu, de vilã na história, mesmo inocente, sendo desprezada sem saber por quê. Tem revolta maior????
Claro que depois tudo se resolveu, mas só porque eu fui atrás.
Mas é sempre assim. Sempre sobra pra mim. Acho que tenho a maior cara de culpada. Até no atentado ao World Trade Center me atribuíram alguma culpa mesmo que fosse indiretamente.
Eu mereço!

Falei e Disse

Ver capítulo anterior

Senta que eu tô revoltada!!!

Não me faça te pegar nojo

Senta que eu tô revoltada!!!

Acho que já falei sobre isso aqui, mas não custa frisar. Vamos contando em ordem cronológica. O não me faça te pegar nojo de hoje é do ano de 1993.
Quando eu era criança pequena em Paulo Afonso, tinha duas grandes amigas na escola. Vamos chamá-las de Caroço e Bagaço, era assim que elas se chamavam, enquanto eu era Ricota.
Éramos um trio, apesar delas já estarem na onda de ficar com todos em festinhas e eu ainda nem tinha dado meu primeiro beijo.
Sim, éramos muito amigas, até que, do nada passaram a me ignorar. Lembro que uma delas brigou comigo quando soube que eu estava gostando platonicamente do seu ficante, que também era nosso colega. O motivo era banal, mas se tornou tão sério a ponto da gente nem lembrar mais porque estava brigando. No final elas me excluíram do grupo. Disseram-me que havia um motivo forte pra isso, mas que não iriam me dizer (detalhe: só me comunicaram que eu não fazia mais parte do trio porque eu implorei pra saber).
Fiquei só. Sabe como é escola, todo mundo tem seu grupo. Chorei desconsoladamente.
Aos poucos fui me aproximando das outras colegas, e no ano seguinte, lá estava eu inserida num grupo maior com componentes até de outras turmas. Deixei de ser Ricota e passei a ser Erikinha. Junto com Helinha, Daguinha, Deinha, Helinha, Werllinha e Douglinhas aprontávamos muito. Ah, sem contar que esse último era o ex-ficante da minha ex-amiga... e adivinha quem ficou com ele o ano inteiro???
E quanto as minhas duas coleguinhas... uma foi embora e a outra ficou, sozinha, tentando se encaixar em algum dos grupos. Nem sei se conseguiu.
Depois de muito tempo, elas marcaram uma audiência na casa de uma delas pra conversar comigo. Pediram-me desculpas por terem me excluído.
Eu só queria saber o por quê, já que eu tinha sofrido tanto sem saber onde tinha errado. Perguntei. Elas simplesmente não sabiam.

Ah, eu tenho nojo, nojo, nojo de gente que se mostra amiga e da noite por dia some, me trata com indiferença, sabe-se-lá por quê e não me diz nada. Simplesmente mostra estar aborrecida, e eu inocente, fico catando nas fichas da minha memória, pensando: O que foi que eu fiz???. No final nem elas mesmo sabem. Não sabem nem mesmo a tristeza em que me deixaram.
Mas a praga de urubu sempre volta pra o feiticeiro. Deus é bom mesmo!!!!

Falei e Disse.

Capítulo anterior: 15/06/2004

"Só gosta da solidão quem não é sozinho"
(Erika Soberana Rúbia)

Choreeeeei que solucei ontem com a novela das 9.
Que judiação tirar o nenenzinho da mãe e ainda separar dos outros filhos!!!!

Tadinha de Carolina-Edwirges-Maria do Carmo.

terça-feira, 29 de junho de 2004

Choveu o dia todo.
Chove aqui dentro também.
Dias assim é impossível ficar melancólica.
Se eu gosto de me sentir assim? Não. Não.

domingo, 27 de junho de 2004


"Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você"

(Pra Rua me Levar - Ana Carolina)


Barbie, Pérola, Eu e Espalhafatosa - ontem à noite


Post "Meu querido Diário"

Tava em casa revendo a morte de Laura e Marcos (achei tão emocionante a cena estilo Bonnie e Clyde. Oh!) quando Gil liga querendo sair pra algum lugar.
Preguiça miserável! Sem vontade nenhuma de me arrumar pra sair, resolvi ir assim mesmo. Arrebanhei Manu e ele arrebanhou Bárbara. Tentamos levar a bêbada, mas essa estava muito Kedma, disse que ia pra casa dormir depois de ter tomado todas na festa de alguém.
Como sempre, ri muito e até demais! Fizemos coreografias dentro do carro, com Gil soltando o volante e o carro indo em direção ao canal. Brincadeiras à parte, seria uma morte nada glamourosa: "Casal cai no canal da Gentil Tavares. Mulher aparentando 14 anos..." - seria a notícia desencontrada do jornal local do dia seguinte. Mas a gente ria até disso.
Fomos parados numa blitz e o guardinha ficou reclamando de besteiras. Perdoamos sua ignorância pelo fato de ser um policial. Tadinho, sem nenhum preparo.
Chegamos no barzinho da orla, e lá ficamos nós e alguns pés de gente. Manu e eu cantávamos "Você me vira a cabeçaaaa... me tira do sérioooo..." junto com Alcione que estava no DVD.
Muitas conversas e risadas depois, pagamos a conta e eu pedi pra passar no trabalho do meu gatinho.
Beijos escondidos das câmeras. Hum... bom!

Falei e Disse.

sábado, 26 de junho de 2004


E fiquei assim o dia todo. Parecia que estava vivendo uma outra vida, uma vida que não era minha.
Mas é sempre assim. Paro e penso: será que aquela, naquele dia do passado, era eu? Não. Não pode ser. Eu não disse isso. Eu não fiz aquilo.
Estranho pensar que amanhã talvez eu não seja mais a eu de hoje, que seja outra pessoa fazendo coisas que eu não faria, dizendo coisas que eu não diria.
Tá tudo muito confuso.
Dormi de tarde e tive um sonho louco. Alguém me abraçava. Alguém que existe de verdade me abraçava de uma forma estranha, incomum. Eu queria mais daquele abraço.

"O tempo do passado tá em outro tempo
Lembrando de nós dois em um instante que não pára
Viver é um livro de esquecimento
Eu só quero lembrar de você até perder a memória"

(Elevador - Ana Carolina)


Não falei e não disse nada com nada.

sexta-feira, 25 de junho de 2004

Ontem dormi ao som dessa música aê. Vinha de longe, lá do palco do forró Caju. Loucura minha, me deu a maior vontade de estar lá. Queria que estivesse chovendo, chuvinha fina... e eu de braços pra cima cantando essa música em toda altura. Doidice, né?

O Amanhã é Distante
(Bob Dylan) (Versão de Geraldo Azevedo/Babal)

E se hoje não fosse essa estrada
Se a noite não tivesse tanto atalho
O amanhã não fosse tão distante
Solidão seria nada pra você

Se ao menos o meu amor
Estivesse aqui
E eu pudesse ouvir seu coração
Se ao menos mentisse ao meu lado
Estaria em minha cama outra vez

Meu reflexo não consigo ver na água
Nem fazer canções sem nenhuma dor
Nem ouvir o eco dos meus passos
Nem lembrar meu nome
Quando alguém chamou

Há beleza no rio do meu canto
Há beleza em tudo que há no céu
Porém nada com certeza é mais bonito
Quando lembro dos olhos do meu bem


Acho que vou fazer como meu amigo Gui e prometer: quando meu blog chegar na marca dos 11.000, eu revelo a ficha do meu namoradinho. Quem quiser aguardar...
Só adianto uma coisa... ele tem olhos lindos!

Por enquanto eu queria pedir uma coisa...
Gentem, visitem o Tops de Linha! Tá, eu sei, é uma porcaria. Tá abandonado, quase ninguém se preocupa com que vai escrever... mas me sinto desprezada com a escassez de comentários. Por favor, eu imploro...
Sede meus amigos, estou só!!!!

quinta-feira, 24 de junho de 2004



Eu e Pérola Negra - niver de Bárbara

Um amigo de Kedma aqui entrou e achou tudo muito melancólico. Confessou a ela que sentiu peninha de mim, sentiu vontade de me conhecer porque me viu triste, tristinha.
Kedma, claro, disse que assim eu escrevia pra chamar a atenção. Ora! Talvez seja, talvez não.
Mas não ando mais assim tristonha. Hoje não. Amanhã também espero estar feliz. Hoje... ah, hoje o dia estava tão bonito. O mar estava gostoso... Mais um dia de agradável companhia. Tudo tão simples. Tão calmo. Tão sem frescura. Tudo bem. Continuo zen.
Mas, pra não perder o costume... estou triste pelo meu amigo Gil. Já falei dele várias vezes, né? Ele é quem sempre me faz rir. Ele e o meu amigo Carlos, mas esse sumiu, me esqueceu, sei lá por quê... ou talvez eu saiba, mas isso não vem ao caso.
O que vem ao caso agora é ele... Gil... que me liga quando eu tô beeem pra baixo, e me conta histórias imitando Sílvio Santos, Mussão, Romário... e eu fico feito uma besta, rindo, rindo e rindo, sem conseguir me controlar, sem nada falar.
Ele, que sempre me faz rir, hoje me aparece no msn tããão pra baixo. Vixe! Fico agoniada!
Mas, pra que servem os amigos??? Aqui estou, pra elevar a auto-estima do meu amigo.

Gil, que nunca vi homem tão inteligente, que tem um bom coração, que é lindo, lindo, que é tão divertido, que imita um baiano como nenhum sergipano sabe... não pode ficar tristinho, viu?
Saiba que te amo e sou feliz porque te encontrei assim, nesse mundinho virtual, do nada... e sou feliz porque podemos ser amigos sem nenhuma outra intenção e assim continuaremos mesmo depois que você for para aquelas terras longínqüas e tórridas. Naquele calor infernal, lembra de mim, porque eu lembrarei de você. E morrerei de saudade de você-Mussão, você-Sílvio Santos, você-Romário, você-baiano... você-Pérola Negra. Por isso que qualquer uma não pode te ter. Você é caro demais.

Falei e Disse.

Gentem, quem quiser conversar comigo, basta adicionar o meu e-mail no msn: soberana_rubia@hotmail.com. Beijos a todos! Obrigada pelos lindos comentários.
E quem quiser conversar com Gil, adiciona sobrinho_silva@hotmail.com, logo, antes que ele me mate por ter divulgado o e-mail dele!


Pra finalizar, em ritmo de forró - eu e meus avós em Petrolândia/ PE. Agosto de 2003

quarta-feira, 23 de junho de 2004

Tá tudo tão bom que eu estou até com medo.


Update: Sim, estou feliz. Mas de repente fiquei com muito medo.
Veio-me à lembrança algo que ouvi:
"Você tem que parar de se apegar a todo mundo que lhe dá atenção só porque você é sozinha..."
Por que tive que me lembrar disso?




Ai, ai, ando feliz, por que será?
Tá tudo correndo bem.
Conseguiram que eu continuasse no meu emprego quando todo mundo está sendo demitido, estou trabalhando muito, estou amando malhar, tenho até paquera! Tá certo, é o guri, mas disseram pra que eu não encucasse, então... desencuquei... afinal de contas, é divertido vê-lo me procurando assim que chega na academia.
Consegui uma ótima professora de piano e estou voltando a tocar todos os dias, estou empolgada com a idéia de aprender mais uma língua (depois do inglês e espanhol, vou fazer biquinho pra o francês).
Agora, o melhor disso tudo: passei 12 horas em agradável companhia, abraçada ou de mãos dadas o tempo todo e ninguém enjoou, nem eu, nem ele, só os amigos que estava com a gente que já não aguentavam assistir tantos abraços e beijinhos sem ter fim.
Rapaz, tenho que aproveitar a maré boa antes que bosques de ciprestes me rodeiem.

Falei e Disse.

segunda-feira, 21 de junho de 2004

São João

"É que era São João
E mais ardente o amor se dá..."

 
Dizem que Sergipe é o país do forró. Festas de São João aqui são realmente valorizadas. O povo se acaba dançando quadrilha o mês todo, comendo até se empanturrar tudo o que é feito de milho e mais alguma coisa, enfeitam de bandeirolas as ruas, e vão pra tudo que é festa... dançar forró até o sol raiar. Como disse, vão pra tudo que é festa, agora eu penso: o que leva uma pessoa a se deslocar até outra cidadezinha próxima, se arriscando a sofrer um acidente, enfrentando engarrafamento, pra dançar ao som de bandas que também vão tocar aqui?
"Até o amanhecer seja lá o que Deus quiser...", acho que levam essa música muito ao pé da letra e lá se vão.
Gastam 3 horas se dirigindo pra um lugar em que normalmente só se gasta meia hora. Chegam lá e encontram uma multidão vinda de tudo quanto é buraco. As meninas solteiras, tadinhas, saem de casa arrumadinhas, maquiadas, pra dançar com os gatinhos e só dão de cara com monstrinhos matutos. Monstrinhos, porque nem de feinhos dá pra chamar. As mais tímidas ou mais orgulhosas, dizem não aos poucos que aparecem e passam a noite agarrada em algum pau da barraca. As mais afoitas enchem a cara de caipirosca, batida, nevada, e beijam o primeiro sapinho mais jeitoso que aparecem.
É sempre assim. Como eu sei? Ora, é sempre essa a conversa que ouço das minhas amigas quando voltam dessas festas no interior.
O pior não é isso. O pior, pelo que elas me disseram, é a hora de voltar. Quem vai de carro próprio, tudo bem. Mas quem vai de Topic ou de ônibus? Pense num sofrimento. Aquela multidão esperando na beira da pista, o sol já alto na cara, nenhum ônibus pára porque está lotado. Solução: pedir carona. Três amigas minhas me contaram que na última festa no interior pagaram o maior mico por causa disso. Correram quando um carro parou pensando que a carona era pra elas. Saíram até trupicando e quando estavam chegando perto, outras pessoas entraram e o carro arrancou, deixando as três patetas com vontade de abrir uma trilha e sumir dentro do mato. Pior foi ouvir a mangação dos outros.
Sem contar que quem consegue transporte pra voltar, ainda passa humilhando os que ficam: "Eu já passei por isso! Agora eu tô aqui, ó!" - gritam.
De certa forma é engraçado. Mas eu que nunquinha me deslocaria pra ir dançar forró em outro lugar. Mesmo se gostasse disso.
Eu? Euzinha? Jamé.

Pra terminar, só te digo uma coisa. Love is in the air... porque relembrei o quanto é bom andar de mãos dadas e me sentir querida, e ser chamada de linda...

"Voei... Voei...
Para o meu amor encontrar
E quando beijei o teu rosto
A lua veio nos admirar
É que era São João
E mais ardente o amor se dá
Junto à chama da fogueira
Novos sonhos vão rolar..."

(Balão Dourado)

sábado, 19 de junho de 2004

Coisas que só acontecem comigo


"Como pode alguém fazer tanto sentido,
e sair por uma porta sem voltar,
e sumir da minha vida de uma vez,
sem deixar nenhuma pista de onde está..."

(Simony - Caixa Postal)
 

Que eu sou cegueta, isso quase todo mundo sabe. Mas nem eu mesma acredito no tamanho da minha cegueira na hora de dormir. Cegueira e falta de tato, o que é pior.
Explicando. Todas as noites eu executo a seguinte rotina: desforro a cama, pego o lençol e o travesseiro, troco de roupa, tiro as lentes, apago a luz, me aproximo da cama, coloco o joelho esquerdo em cima, o direito, junto as mãos, faço uma prece, abaixo a cabeça procurando com as mãos pelo travesseiro e deito. Todas as noites é assim.
Outra noite eu calculei mal a distância e acabei resvalando o joelho esquerdo na beirada da cama e caí com tudo de quatro no chão. Cômico. Mas até aí, tudo bem.
Ontem foi pior. Calculei mal a distância da minha a cabeça até o travesseiro, e sabe-se lá como, meti a testa com toda força na cabeceira de ferro da cama. Foi um barulho feio. Vi estrelinhas de verdade. Resultado: galo cacarejante na minha testa, que já é pequena, e só faltava esse galo pra povoá-la. Era só o que me faltava.

Não, faltava mais uma coisa. Xeu contar.
Entrei na academia. Isso tem umas duas semanas. Nem vou dizer que estou toda dolorida.
O professor escreveu lá na minha ficha: SEDENTÁRIA. Nossa, fiquei indignada! Como é que ele pode me chamar disso, assim, na minha cara. Mas, realmente: sedentária, entrevada, enferrujada. Quebrada. Estou toda móida. Mas não era sobre isso que eu ia falar.
Quero dizer que entrei na academia, mas moooooorro de vergonha de desfilar meu corpitcho perante a ala masculina. Mas tudo bem. Tudo bem até eu perceber que um guri... sim, um GURI, um garoto... está me paquerando. Eu tô lá, malhando de frente pra o espelho e ele atrás de mim, me encarando através do reflexo. Mon Dieu! Ele pensa que eu sou uma guria também. Ai, que raiva que eu tenho de parecer uma menina de 16 anos. E o menino me persegue. Se eu vou pra bicicleta, lá está ele. Se estou no step, ói ele do meu lado. Calado. Apenas me olhando... "mêda".

E pra finalizar...
Só vou dizer que estou morreeeeendo de saudades. Definhando. Delirando. Até cantando música de Simony. Apelei, não foi?
E encucada: por que todo mundo de quem eu gosto some da minha vida? É sempre assim. Sempre perco. Sempre tenho que me acostumar forçadamente com a ausência. E pode dar o sangue no meio da canela, se a pessoa não me ligar mais... eu também não ligo. Se esqueceram de mim... também hei de me esquecer.


E hoje tem Top na Linha. Eu. Euzinha. Com texto light e cheia de rimas pobres, falando das calmarias que me levam a tempestades. Vão lá. Leiam-me.
topsdelinha.weblogger.terra.com.br

quinta-feira, 17 de junho de 2004

Tenho medo do pôr-do-sol



"Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol... "

Sempre fui super apegada a minha mãe. Acho que nunca conseguiram cortar o cordão umbilical.
Quando era criança, me separar da minha mãe era o fim, mas ia na onda das minhas primas e passava as férias na casa dos meus avós. Era bom, era divertido, enquanto não escurecia.
Sabe aquela hora do dia, quando está tudo acabando, quando os raios de sol estão indo embora, e tudo começa a ficar escuro, enquanto não acendem as luzes... a hora do pôr-do-sol... pra mim era terrível.
Lembro da primeira vez. Meus pais me deixaram na casa dos meus avós, ainda na Petrolândia velha, cidade que depois fôra inundada, e viajaram pra Salvador.
Acho que aqueles foram os piores dias de toda a minha vida. Todos os meus primos estavam lá, a gente brincava o tempo todo, mas quando chegava a noite... hum... sentia uma aflição inundando todas as concavidades da minha alma. Uma sensação de abandono. Uma agonia. Uma saudade estranha.
Só sei que fiquei doente. E passei a chorar escondida debaixo dos lençóis e a implorar a Deus pela volta deles, sempre olhando pra esquina, desejando que um carro branco apontasse e dele saíssem os únicos que poderiam me salvar daquela angústia que parecia não ter fim.
Dramático? Acho que nem assim dá pra mostrar o tamanho da dor que eu sentia. Sério.
Mas mesmo criança eu sabia que tinha que vencer aquilo. Ia mais e mais vezes passar férias na casa dos meus avós. E todas as vezes, com o anoitecer, eu chorava, ficava nervosa e aflita. Tomava água com açúcar, por minha conta. Eu queria ficar bem.
Sei que cresci e não mais sofria tanto com a ausência dos meus pais e a presença da noite.
Cresci. Mas quando se tem 17 anos ainda se é meio criança e cantava: "O que é que eu vou fazer com esse fim de tarde..." pagode que eu acho que todo mundo conhece, toda vez que anoitecia aqui em Sergipe, longe dos meus pais, dos meus amigos, das minhas coisas e de tudo que eu gostava. Cantava e chorava. Sentada sozinha num sofá de uma sala estranha.
Cresci. Mas quando se tem 25 anos, ainda se tem uma criança medrosa dentro de si.
Agora não, mas eu sei que no dia que eu for embora daqui, pra outra cidade, pra outro lugar estranho, longe dos meus amigos e de tudo que eu gosto, não terei medo das dificuldade comuns a quem chega num novo lugar... só terei medo de uma coisa... do pôr-do-sol.

quarta-feira, 16 de junho de 2004

O Pequeno Príncipe - Capítulo VI



Assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, meu pequeno principezinho, a tua vidinha melancólica. Muito tempo não tiveste outra distração que a doçura do pôr-do-sol. Aprendi esse novo detalhe quando me disseste, na manhã do quarto dia:

- Gosto muito de pôr-do-sol. Vamos ver um...
- Mas é preciso esperar...
- Esperar o quê?
- Que o sol se ponha.

Tu fizeste um ar de surpresa, e, logo depois, riste de ti mesmo. Disseste-me:

- Eu imagino sempre estar em casa!

De fato. Quando é meio dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr-do-sol. Infelizmente, a França é longe demais. Mas no teu pequeno planeta, bastava apenas recuar um pouco a cadeira. E contemplavas o crepúsculo todas as vezes que desejavas...

- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!

E um pouco mais tarde acrescentaste:

- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol...
- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?

Mas o principezinho não respondeu.

Confissão


"Saudade é nunca mais saber de quem se ama
e mesmo assim doer".

Sim, confesso, estou enjoada do meu blog.
Enjoei o template. Enjoei de falar sobre as mesmas coisas. Não sei o que se passa. Aliás, eu sei, não se passa nada e o que passa nem sempre posso contar, tenho inúmeros censores me regulando.
Queria contar hoje sobre pessoas que bebem até cair (antes que vocês pensem que eu sou assim, digo claramente: não, eu não consumo bebidas alcoólicas). Queria contar sobre um colega que de tão bêbado fez xixi no ventilador. Agora, imagine... os irmãos acordaram com os respingos daquele líquido quentinho no rosto. Uma beleza!
Outro amigo, bêbado todo, adentrou o quarto da irmã, à noite, nu em pêlo vindo do banheiro, quando ela estava assistindo TV. Entrou nuzão e apagou a luz pra deitar na cama. Tinha errado de quarto. A coisa foi tão rápida: entrou, apagou a luz, ouviu os risos, deu meia volta e correu pra o seu quarto. Foi rápido, mas até hoje ela ri disso e sei que rirá por toda a eternidade ou enquanto lembrar desse episódio.
Queria contar isso tudo e mais alguma coisa. Mas se assim eu fizer... esses meus amigos me matam.
Aí fico nesse dilema o que escrever aqui? Tá, não estou mais melancólica, isso significa 70% da minha criatividade se esvaindo em risadas boba-alegres. Se estou feliz, contente da vida, sempre lembro de uma besteira ou outra, de uma história que tem graça pra mim e pra grande maioria não.

Lembrei de outro amigo. Sempre me pedia pra contar a mesma piada. Uma piada de baiano. E eu contava pra todos os outros amigos dele. Ninguém ria. Só ele. Por falar nisso, mó saudade da risada desse amigo...
A piada é o seguinte:
"Dois baianos descansavam em suas respecitivas redes. Um olha pra o outro e diz (leia com o sotaque soteropolitano):
'Ô, meu rei, tem remédio pra mordida de tartaruga, tem?'
E o outro responde com toda calma própria desse povo: 'Tem não. Por quê?'
'Por que tem uma vindo na minha direção'


Você riu? Não? Nossa, vou ter que explicar? (eu sempre explicava. Tá, tá, a culpa era minha. Sou péssima contando piadas)
E ninguém ria mesmo. Só ele... risada linda...
Baiano tem fama de preguiçoso. Essa é suposta graça da piada. Sempre fazem piadas com a preguiça do baiano.
Sim, eu sou baiana. Sim, adoro dormir. Sim, evito a fadiga quando posso. Sim, gosto de rede, sombra e água de coco fresca.
Mas também acordo cedo pra trabalhar, estudo, faço espanhol (já estou pensando em fazer francês também), piano, academia, projetos particulares de engenharia e "cuido" da minha casa (entre aspas porque sou péssima nisso). Onde fica a preguiça?

A preguiça fica na hora de escrever sobre minha vidinha básica.
Li em algum lugar que Erika, cujo significado do nome é Sempre Soberana, vive uma vida fantástica. Eu acreditei!!!
De certo modo é verdade. Mas os censores...aqueles de quem eu falei lá no início me controlam.
Então só posso contar o básico... o fantástico fica por conta da imaginação de vocês.

Falei e Disse.
Mais vazia do que nunca. Por onde anda o "pão" que me alimentava???

terça-feira, 15 de junho de 2004

O Caso da Azeitona


"Logo agora que eu parei
De ligar só pra você
De entender sua família
E te compreender
Hoje eu tô sozinha
E tudo parece maior
Mas é melhor ficar sozinha
Que é pra não ficar pior..."

[Ana Carolina, Hoje eu tô sozinha]

Não me faça te pegar nojo

O Caso da Azeitona

Minha mãe implorou por tudo que é mais sagrado pra que eu não contasse O Caso da Azeitona. A preocupação dela era com o fato dos personagens da história se magoarem com isso. Então, mais um vez digo, contarei um fato, não estarei mentindo ou inventando. Aconteceu, tomei nojo, conto. Mas não há ressentimentos. Já disse: se você se viu nessa história, saiba que o perdão lhe foi concedido, vais e não peques mais.

Estava eu a almoçar na casa de amigos.
Sempre tímida na hora de comer, colocava a salada com calma no meu prato. Todos se serviram quando a última pessoa fala:
"Quem foi a gulosa que pegou 4 azeitonas?"
Ãnh??!
Tomei um susto. E vejo que a pessoa, a dona da casa, está contando a quantidade de azeitonas que está no meu prato. Conta e exclama: "Você pegou 4. É pra cada um pegar 3".
Misericórdia! Na minha casa nunca teve disso. Qualquer pessoa que chegasse comia o tanto e quanto queria. Não estava acostumada a regrar comida.
Fiquei piscando o olhinho querendo chorar de tanta indignação, enquanto ela pegava a azeitona a mais do meu prato e colocava no seu, que era pra ficar a conta certa.

É mole ou quer mais???

Capítulo anterior: 07/06/2004

segunda-feira, 14 de junho de 2004

La Soberana


Olha o que eu achei!
Sou título de novela mexicana... mexicana, não... Venezuelana, mas dá no mesmo!

Ando calada.
Post pequenininho no Dose Dupla (nunca me conformei com esse título. Pobrezinho... éramos mais criativas antigamente)
Antes que alguém pergunte: não, eu não estou triste. Apenas calada, posso?

"quem
quem sou eu para me sentir triste?

olhe para minha família e minha sorte
olhe para meus amigos e minha casa

quem
quem sou eu para me sentir enfraquecida?
quem sou eu para me sentir esgotada?
olhe para minha saúde e dinheiro

e aonde
aonde eu vou para sentir-me bem?
por que ainda procuro fora de mim?
claramente já vi que não vai funcionar

é minha ambição continuar quando não sou capaz?
é meu trabalho ser uma exímia altruísta?
e minha generosidade foi interrompida
por isso, meu senso de dever de oferecer

e por que
por que eu me sinto tão ingrata?
eu que estou muito além da sobrevivência
eu que vejo a vida como uma ostra

(...)

quem
quem sou eu para me sentir triste?


(Offer - Alanis Morissette)

Posso até estar taciturna e sorumbática. Triste, jamais!

Falei e Disse

sábado, 12 de junho de 2004

Feliz Dia do Correio Aéreo Nacional! (Êêêêêêêêê!) Feliz Dia do Enxadrista! (Êêêêêêêêê!)



"Quando ouvi a canção era madrugada
Eu vi você, até senti tua mão
e achei até que me caia bem como uma luva
Mas veio a chuva e ficou tudo tão desigual."



Ele me ligou todos os dias por boa parte desse ano. De repente acabou-se o que era doce.
Eu prometi que não ia ligar mais, que não ia mais esperar, cantei musiquinha em voz alta, escrevi... mas sei lá por quê hoje eu espero ouvir a sua voz de alguma forma.
Tá, tá. Hoje não é nenhum dia especial. Ele é só meu amigo... mas ele me faz tão bem!

Só esclarecendo: não ando triste. De forma nenhuma. Muito pelo contrário. Estou zen. Estou bem.
E agora sei quem anda fazendo mandinga pra que eu continue sozinha. Ahá! Pensei que fosse um ex a quem dei o troco no fim do namoro em moedinha de 1 centavo, mas não. O misterioso que se diz amante do que escrevo. Mas não se preocupe, não irei sumir quando encontrar alguém pra amar, simplesmente enfeitarei esse blog de florzinhas, coraçõeszinhos, estrelinhas, luazinhas e tudo quando for brega e romântico. Escreverei coisas alegres e felizes. Os carneirinhos pularão pelos posts verdejantes. A brisa soprará levemente o cabelo das letrinhas. O sol será radiante e belo...

E pode ter certeza que continuarei dramática e exagerada.

Falei e Disse.
A todos os casais de namorados: amem lindos hoje!!!!!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2004

Amanhã é o Dia dos Namorados. Que lindo!



Recuso-me terminantemente a falar sobre isso. Estou de mal de Santo Antonio. Ruindade dele não ter me atendido essse ano, mas será que é porque não sou católica?
Aqui me calo, mas no Tops de Linha fui obrigada, sob tortura, a escrever sobre esse dia maravilhoso, em que todos casais, em complô, tentam me destruir matando-me de inveja.
Vão lá e confiram! Afinal de contas, eu já tive namorado um dia... (apesar de nem me lembrar mais como é namorar).

Falei e Disse.
topsdelinha.weblogger.terra.com.br

quinta-feira, 10 de junho de 2004


"Adoro essa sua cara de sono
E o timbre da sua voz

Que fica me dizendo coisas tão malucas
E quase me mata de rir..."

(Equalize - Pitty)

Eu, Nay e Nel mostrando serviço essa semana. Detalhe: Nay nem trabalha mais com a gente. E eu não trabalho nessa sala.
Mas tá parecendo uma empresa júnior, olha as caras de guria!
Agora não sei porque eu e Nel estamos de olhos fechados. Seria sono?

Hoje sem criatividade e com preguiça de escrever no blog.
Feriado é bom. O ruim é que o ócio me faz pensar no que não devo.
Mas, quem canta seus males espanta, então aí vai:

O Avesso Dos Ponteiros
>> Ana Carolina

Sempre chega a hora da solidão
Sempre chega a hora de arrumar o armário
Sempre chega a hora do poeta a plêiade
Sempre chega a hora em que o camelo tem sede
O tempo passa e engraxa a gastura do sapato
Na pressa a gente não nota que a lua muda de formato
Pessoas passam por mim pra pegar o metrô
Confundo a vida ser um longa-metragem
O diretor segue seu destino de cortar as cenas
E o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos
E já não vai mais ao cinema

Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você


Penso quando você partiu assim sem olhar pra trás
Como um navio que vai ao longe e já nem se lembra do cais
Os carros na minha frente vão indo e eu nunca sei pra onde
Será que é lá que você se esconde?

Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você

A idade aponta na falha dos cabelos
Outro mês aponta na folha do calendário
As senhoras vão trocando o vestuário
As meninas viram a página do diário
O tempo faz tudo valer a pena
E nem o erro é desperdício
Tudo cresce e o início
Deixa de ser início
E vai chegando ao meio
Aí começo a pensar que nada tem fim
Que nada tem fim

quarta-feira, 9 de junho de 2004


Frase do dia:
"Pra agüentar homem tem que ter saco,
infelizmente mulher não tem"

(by Mamys e sua voz de experiência)

Quando eu estou lá na minha terra natal parece que o restante do mundo não existe. Não há preocupação, nem solidão, nem tristeza. Parece que todas as pessoas são boas e felizes.
Ri tanto esse final de semana. Minhas primas são cômicas. São engraçadas e carinhosas. Acho que gostam de verdade de mim, e tenho certeza que gosto mesmo delas.
Uma é morena de cabelos negros. Magra até demais. A outra também, mas é branca, branquinha de cabelos e olhos claros. Uma é toda do mundo a outra é crente consagrada. Como podem ser tão diferentes tendo saído da mesma barriga? E como gosto das duas com a mesma intensidade!

E comi demais! Minha mãe fez macaxeira e preparou meu prato, me deu na mão e eu comi até ficar com a barriga inchada.
Meus pais sempre compram guloseimas quando vou pra lá: vários tipos de chocolate, biscoito recheado, achocolatados, iogurtes... como até me empanturrar e coitado do meu filho! (se um dia eu tiver um) Vão estragar o bichinho com tanto doce.

Na volta pra Aju, estrada ruim. Ônibus velho. Poltronas mal-cheirosas e desconfortáveis. Quatro pessoinhas no ônibus. Mal saiu de P.A., bate num buraco e ouve-se uma pancada horrível! Alguém grita: "Quebrou, quebrou, quebrou, quebrooooou!" como se estivesse narrando um jogo até a o momento do gol. Eu e minha mãe rimos.
Resultado do placar: 2 horas no meio da estrada deserta, de noite, esperando outro ônibus chegar. Mas estavam todos de bom-humor, contavam histórias. E eu e mainha ríamos mais ainda. Comemos as guloseimas que ela levou, uma sacola cheia, parecendo que estávamos indo pra Brasília, foi o que ela disse. Os mosquitos invadiam, atraídos pela luz, até que o motorista resolveu apagá-la. Tudo escuro.
Deitei no colo de mainha como um bebê e fiquei olhando as estrelas pela janela. Céu lindo. Noite linda. Estrela cadente. Faça um pedido, disse ela.
"Quero ter minha família pra sempre"

segunda-feira, 7 de junho de 2004

Semana: Não me faça te pegar nojo!



Semana: Não me faça te pegar nojo!

A coisa que mais me faz tomar nojo é ver gente fazendo questão por comida. O pior é que conversando com uma colega, percebi que já me topo com gente assim. Analisando detalhadamente, acabei catalogando 5 histórias minhas e uma eu ouvi da minha colega, logo instituo essa semana como a semana do não me faça te pegar nojo: cada dia com uma história sobre briga por comida.
Quem se indentificar com as histórias, me perdôe, mas os nomes foram omitidos justamente pra que ninguém ficasse constrangido ou chateado comigo. Não irei mentir, nem inventar nada. Essas não serão obras de ficção e a semelhança com vida real não é mera coincidência, mas se você foi o personagem principal de alguma delas, não se envergonhe... estás perdoado, vais e não peques mais.

Hoje começo com a história: Pipoca pra dois... pra três é demais!

Tinha acabado de chegar em Aracaju. Ainda era uma guria. Morava com uma família. A verdade é que a família morava comigo, a casa era da minha mãe, mas já que eles eram maioria e tinham chegado antes de mim, acho melhor dizer que eu morava com eles.
O pai, a mãe, a filha grávida com o marido e um garoto adolescente. Três quartos. Pouca ou nenhuma privacidade. Eu, deslocada e morrendo de saudade de tudo que tinha na casa dos meus pais.
Num dia de tarde, lembro-me bem, já anoitecendo, a garota faz um panelaço de pipoca. Divide em dois bocados grandes: um pra seu irmão e outro pra ela e para o marido.
Eu, com uma fome... acho que olhei meio pidona para o balde de pipoca quando eles já comia sem oferecer, quando o marido da garota diz: "Pode pegar. Você quer?". Timidamente respondi: "Queeero!" e quando fui pegando a pipoca recebo um tapa:
"Nããão! Tira a mão, é só meu e dele!". Virei as costas imediatamente e saí, mas ainda ouvi o marido dizer: "Qué isso? Dá pra nós três!", mas aí já era tarde demais. Sentei no sofá e chorei... sozinha...no escuro... limpando a mãozinha suja de manteiga.

Vixe. Pode até ser engraçado... mas bem que é trágico.

Falei e disse.

Capítulo anterior: 12/05/2004

sexta-feira, 4 de junho de 2004

Muita coisa pra dizer hoje. Provavelmente não direi tudo.
Sobre o post "Who Am I?" queria comentar os comentários, porque uma amiga nova me ajudou e eu descobri:
Tambem sou uma metamorfose ambulante!!!!!

Sempre me achei uma pessoa multifacetada, mas achava isso sinônimo de ter muitas caras, como o ciclope do He-man, e acaba parecendo com uma pessoa falsa. Bom, falsa eu sei que não sou, podem perguntar a quem me conhece há anos. Então sou isso. Uma metamorfose. Consigo me adeqüar a cada situação e a cada pessoa com quem me relaciono sem jamais perder a minha personalidade.
Uma hora eu sou tão fragilzinha, pego minha caixa de linhas e vou bordar (verdade! Eu sei bordar).
Outra hora coloco um salto alto, decote, maquiagem e saio com as amigas pra arrasar!
E outras vezes sou a engenheira meio desleixada que dá carão em todo mundo que pisa na sua calçada de cimento fresco sem nem se importar com as consequências.
Também sou aquela que se apaixona perdidamente, chora os tubos, lê poesia até decorar, manda cartinhas e escreve melancolias num blog até que tudo extravase e nem lembre mais do objeto de amor.

Um amigo diz que sou dramática, e ainda completa que sou chorona. Cara, sou mesmo! Mas você não tem idéia de como eu me divirto com isso tudo. Dou muita risada até com as coisas ruins que me acontecem. Rio de tudo.
Sou doida? Tá me chamando de doida??? (com as mãos na cintura)
Duas coisas podem acontecer com o que acaba de me dizer. Ou eu vou chorar o dia todo e me achar realmente uma louca ou te dizer um monte de impropérios com um sorriso irônico te fazendo sentir mais louco, daqueles que precisam ser internado urgentemente.
Dá pra me entender?
Não, né? Mas não precisa, apenas me amem.

Falei e Disse.
Beijos a todos os amigos antigos e novos. Virtuais ou não.
Mais tarde, se eu tiver tempo, tem mais uma da séria "Não me faça te pegar nojo". Se eu não tiver tempo, fica pra outro dia.

quarta-feira, 2 de junho de 2004


Eu e minha ansiedade.
Eu e minha mania de achar que tudo é definitivo.
Eu e minha mania de ver a última frase do último capítulo de um livro.
Hoje não tenho nada a dizer. Apenas copio e colo um texto que vi no blog de uma amiga. E ele já diz tudo.

"Sabe qual é meu sonho secreto?
Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia.
Que um dia imagine o quanto teria sido ótimo estar ao meu lado, mesmo quando eu estava gripada.
No entanto, sei que você está a cada dia que passa mais fugidio.
E eu me limito a me surpreender com as circunstâncias da vida. Que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho.
Constrange-me existir nesse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata.
Nunca precisei aborrecer ninguém antes, então atuo por instinto, cansando-me facilmente.
E que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto.
Desejo-o porque desejo. Estúpida. Latina. Bethânia.
Ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude
."
(Fernanda Young)

Hoje me deram uma notícia boa mas que poderia e um dia será ruim. Fiquei abalada. Vi que minha vida em breve vai mudar de novo.
Uma parte de mim acha isso ótimo, a outra parte tem medo.
E eu só queria que ele ligasse pra que eu pudesse contá-lo e conversar, como sempre fiz. Mas isso não vai acontecer. O telefone não vai tocar. Nem aqui, nem lá. Então saí, mesmo na chuva. E jantei na casa de amigos. E fui atrás de mais uma coisa pra fazer. Mais uma coisa pra ocupar meu tempo. Porque é só ele que eu tenho.

terça-feira, 1 de junho de 2004

DECEPÇÃO

Quem quiser que vista essa carapuça, porque a palavra de hoje é DECEPÇÃO.
Depois do que eu li, do que eu soube, só me resta cantar em voz alta, porque chorar eu não vou...
Aí vai!

"Riscou...uoou
Apagou da minha vida...iéiéiéié
Em minha poesia já não tem mais
Já não tem seu nome... seu nome

É... acabou, já foi...já foi
Eu não quero estar só
Mas já estou
uoou
Iéiéié é, é... acabou
Chegou ao fim...
Se eu não quero acreditar
A dor me faz despertar... despertar... despertar...
despertar... despertar...

Tchuru tchu tchu tchu tchu tchuru

Iéiéié é, é... acabou
Chegou ao fim...
Se eu não quero acreditar
A dor me faz...
Despertar... despertar... despertar... despertar...
Despertar ...
"
(Já foi - Cidade Negra)

A-ca-bou. Não ligo, não procuro. Esqueço. Como se ele se importasse.
E não analiso mais o que é mentira nem o que é verdade, apenas não estou acostumada com certas baixarias. Eu seria incapaz de falar mal de alguém que eu gosto, mas falam de mim e eu me afasto, só isso.
E para a apaixonada de plantão, ciumenta de montão e nada verdadeira, só digo uma coisa: você venceu, batatas fritas! Mas nem sempre vencer é o melhor.


E vamos ao post de hoje.

Who am I?

Queria saber como as pessoas me vêem.
Como vocês me vêem?
Sim, please, me digam... vocês que entram aqui todos os dias ou de vez em quando e sempre lêem a minha alma nas inúmeras palavras que aqui deposito (ou vomito).
Pergunto isso porque sei que algumas pessoas têm uma imagem muito diferente do que sou.
Alguns me vêem como uma pessoa super descolada, moderna, liberal, aventureira, mulherão que fica com todos e não tá nem aí.
Outros, que me conhecem pessoalmente, com minha cara de guria, pensam que eu sou bobinha, calminha, meiguinha, inocentezinha, burrinha...
Outros que mal me conhecem, me acham metida, pernóstica, esnobe, metida a inteligente, que se acha a tal.
Outros dizem que se decepcionam com minha aparência quando me conhecem pessoalmente, mesmo depois de tantas fotos. Será que sou tão fotogênica a ponto de parecer outra pessoa?
Surgiu essa dúvida, essa curiosidade, porque passei a perceber que as pessoas estão sempre dizendo pra mim: "pensei outra coisa de você, pensei que você fosse diferente" - só espero que a segunda impressão que passaram a ter de mim seja melhor que a primeira.
Estranho isso, porque minha mãe sempre briga comigo dizendo que sou muito transparente e sincera. Enfim...

Quero saber como cada um de vocês me vêem.
Depois eu digo como eu sou de verdade.
Ou não.

Falei e Disse.