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quarta-feira, 29 de março de 2006

A TODOS QUE NÃO FORAM E NÃO LIGARAM (Fernanda Young)


Bom, você não foi. E não ligou. A mim, só restou lamentar a sua falta de educação, imaginando motivos possíveis. Será que você não foi porque realmente não pôde ou simplesmente não quis? Será que não ligou pra não me magoar ou justamente o inverso disso?

Estou confusa, claro. Achava que você iria. Tanto que eu aguardei sua chegada por mais minutos do que deveria inventando desculpas esfarrapadas para mim mesma. O trânsito, o horário, a meteorologia. Qualquer pneu furado serviria. E até o último instante, juro, achei que você chegaria a qualquer momento, pedindo perdão pelo terrível atraso. Perdão que você teria, junto com uma cara de quem está acostumada, e assim encerraríamos o assunto. Mas você não foi.

Esperei outro tanto pelo seu telefonema, com todas as esclarecedoras explicações. Para cada razão que houvesse, pensei numa excelente resposta. Para cada silêncio, num suspiro. Para cada sensatez de sua parte, numa loucura específica minha.

Se você tivesse ligado do celular, eu seria fria. Se tivesse ligado do trabalho, seria levemente avoada. Se a ligação caísse, eu manteria a calma.

Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.

Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou.

Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma nesta vida, para ser sincera, no que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.

Não me responda, então, mesmo que o deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.

Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especias, não guardam?

Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?

P.S. Soberana: Uma homenagem póstuma a alguém que nunca conseguiu cumprir o que prometia.

segunda-feira, 27 de março de 2006

A Santa na Janela




Vocês devem lembrar do episódio da Santa na Janela que movimentou a comunidade católica no ano de 2002.

A primeira imagem apareceu na janela do quarto de uma dona de casa em São Paulo e atraiu dezenas de pessoas que se aglomeraram na frente da casa pra ver a suposta aparição da Virgem Maria.

Caravanas do Rio de Janeiro e da Bahia foram organizadas para a visitação, representantes da igreja Católica e cientistas foram ao local e cada um tinha uma teoria a respeito. No final das contas, o povo no Brasil inteiro passou a andar com a cara pra cima olhando tudo quanto era janela, aguardando mais uma nova aparição.

Certo dia estava eu com minha mãe tranquilamente em casa quando alguém interfona. Era um garoto afobabo que afirmava: "Dona Maria, Dona Maria! A Santa tá na sua janela!!!!"

Corremos até a janela da sala e não é que a Santa tava lá mesmo! Só que diferentemente da primeira santa de São Paulo (tô falando da cidade), a nossa santa poderia ser vista tanto de dentro quanto de fora do apartamento. Não se tratava portanto de um ilusão de ótica causada pelo reflexo do sol ou de outra fonte de luz sobre o vidro.

O guri que nos trouxe a notícia alarmou a vizinhança e logo algumas pessoas já estavam com a cara pra cima olhando pra nossa janela no terceiro andar. O assunto não causou frisson por muito tempo, pois a imprensa já estava divulgando que a imagem da santa não passava de problemas no vidro que teria sofrido uma variação de temperatura causando uma tensão mecânica interna no material.

Eu nem lembrava mais disso, até que conversando com minha mãe a gente relembrou. Fomos olhar a janela e a Santa ainda estava lá! Persistente ela, mesmo depois de 4 anos continua tentando converter ao catolicismo uma família inteira de evangélicos. Isso é que é perseverança!


O povo ainda fez piada. Misericórdia!
Já que estamos falando em fé e aparições, assisti uma reportagem em que algumas bolas de fogo (isso não tem nada a ver com aquela música de funk) caíram na Europa e também no interior da Bahia ocasionando algumas queimadas.

Ao analisar o evento, cientistas afirmaram que se tratava de meteoritos, no entanto nenhum vestígio deles foi encontrado, logo não se sabe ainda o que causou o fenômeno.

Aí eu volto a esfera da fé e aos conhecimentos bíblicos. Lá no Apocalipse está escrito que a Terra será destruída com fogo na ocasião da segunda volta de Cristo. Não seria esses sinais da iminência do retorno do Redentor?

Eitcha! Que o negócio vai ser quente!
"Quando essa terra for pegar fogo, aonde é que tu vais morar?
Quando essa terra for pegar fogo, aonde é que tu vais morar?
Eu vou, eu vou, eu vou com Jesus morar...
Eu vou, eu voOU, eu vou com Jesus moraaaaar!"

terça-feira, 21 de março de 2006

Pedacinhos de Amizades

"Amizades são feitas de pedacinhos.
Pedacinhos de tempo que vivemos com cada pessoa.
Não importa a quantidade de tempo que passamos com cada amigo,
mas a qualidade do tempo que vivemos com cada pessoa.
Cinco minutos podem ter uma importância muito maior do que um dia inteiro.
Assim, há amizades que são feitas de risos e dores compartilhados;
outras de escola; outras de saídas, cinemas, diversões;
há ainda aquelas que nascem a gente nem sabe de quê, mas que estão presentes.
Talvez essas sejam feitas de silêncios compreendidos,
ou de simpatia mútua sem explicação".

Recebi umas fotos por e-mail que me deixaram horrorizada.

Tenho verdadeiro pavor a esses vídeos bizarros de violência, pornografia e outras cenas chocantes, mas as fotos que recebi muita gente tem por normal e outros até achariam lindas, mas eu fiquei angustiada e impactada. Eram fotos de um parto normal, onde um mulher completamente nua era assistida por três homens que tentavam ajudá-la a ter seu bebê em casa.

Nossa, uma cena brutal! E ainda dizem que é "normal"??? A pessoa em tempo de morrer de dor sendo forçada a tirar um pedaço dela mesma de dentro de si?!
Acho que se um dia eu ficar grávida, vou orar durante os 9 meses pra Jesus Cristo Nosso Senhor me dar um parto rápido e indolor. Quem sabe até apelo a N. Sra. do Bom Parto mesmo não sendo católica, porque se ter uma cólica é horrível, dizem que parir é 1.000.0000.000.000 de vezes pior.

Minha prima conta que quando foi dar a luz se viu em densas trevas. Depois de horas gemendo e rangendo dentes, a médica, muito delicada disse: "Oh, filhinha, tenha um pouquinho mais de paciência. Saiu só o bracinho da neném e a gente vai ter que colocar de novo pra poder achar a cabecinha, viu?"

Ui! E pensar que a culpada disso tudo foi Eva. Ah, se eu pego essa mulher!

E Cliança Minha foi embora.
Quando eu consegui ficar ela decidiu ir.
Deixou-me sozinha.
Agora a vida tem menos graça.
Será como sempre foi.
Saudade.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Ontem eu sentadinha com mainha assistindo futebol na TV (eu estava bordando e só ela assistia, reclamando que não saía gol nenhum), conversávamos sobre a vida, contando "causos" e relembrando histórias.

Conversa vai, conversa vem, lembrei que quando eu era criança pequena lá em Paulo Afonso, no caminho pra escola a gente passava pelo hospital e por um lugar chamado "A Pedra" que ficava um pouco antes da "Ponte". Imagine o ambiente: "A Pedra" era uma casinha, tipo uma capela com apenas uma pedra de mármore no centro e onde se colocavam as pessoas que morriam antes da funerária ou dos parentes virem buscar. "A Pedra" ficava numa rua deserta, nos fundos do Hospital, em frente a um riozinho cheio de mato e árvores que quase sempre estavam secas. Já "A Ponte" era um lugar famoso por ser o reduto de tarados e maníacos sexuais, e onde menina nenhuma passava sozinha sem se tremer ou correr, a hora que fosse do dia.

Os guris quando iam pra escola, antes de chegar na Ponte, sempre queriam passar na Pedra e ver se tinha algum defunto -"Vamo lá ver o morto!" - e eu nunca tive coragem de ir. Fiquei com isso na cabeça a minha vida inteira e posso fechar os olhos e ver todo local sem nunca ter pisado os pés lá. Seria isso um caso pra análise?

Cometava isso com minha mãe que me aconselhou: "Ah, minha filha, você precisa pegar num defunto ou no pezinho de um anjinho no caixão pra perder esse medo!"
Repare se isso é conselho pra uma mãe dar. Se eu não gosto nem de ver, quanto mais de pegar! E ela ainda acrescentou: "Quando eu soube que mataram Dimas (um cara conhecido que já tinha sido jurado de morte há tempos) eu fui correndo na Pedra pra ver. Ele estava todo ensangüentado, peguei no braço dele e ainda estava quentinho!".

º º
O

Quase desmaiei só de ouvir! Será que vai ser preciso tanto sacrifício pra não se ter mais agonia em ver pessoas mortas? Sei não, viu. Pegar em pé de morto? Uuuuuhhhhhh!!!!!

quinta-feira, 9 de março de 2006

Da novela: Algemas da Paixão

"Parte do grupo que assaltou o Banco do Brasil em Socorro foi preso ontem na Bahia pelo grupo de elite da polícia sergipana".
(Jornal da Cidade)

Nunca mais eu ouvi falar dele. Mas continuo a tê-lo em mim.
É uma pena que o único meio de saber alguma coisa seja através da página policial do jornal local.
Amor bandido... tanto tempo já passou... só eu não lhe esqueci.

terça-feira, 7 de março de 2006

"Grandes realizações são possíveis quando se dá importância aos pequenos começos".


Será que fazer 56,5 pontos numa prova com valor total de 100 é um pequeno ou grande começo?
Acho que eu chego lá um dia, ao meu sonho de não ter mais um trabalho e sim um emprego.
Só falta eu criar vergonha na cara e estudar direitinho, afinal de contas, estudar sempre foi meu passatempo.
Assim era antes de eu me tornar essa pessoa fútil que sou agora, que só pensa em roupa, corpo e cor de cabelo.