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quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Correr atrás do vento




"Então olhei de novo para toda a injustiça que existe neste mundo. Vi muitos sendo explorados e maltratados. Eles choravam, mas ninguém os ajudava. Ninguém os ajudava porque os seus perseguidores tinham o poder do seu lado.

Por isso, cheguei a esta conclusão: aqueles que morreram são mais felizes do que os que continuam vivos.

Porém mais felizes do que todos são aqueles que ainda não nasceram e que ainda não viram as injustiças que há neste mundo.

Também descobri por que as pessoas se esforçam tanto para ter sucesso no seu trabalho: é porque elas querem ser mais do que os outros. Mas tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento.

Dizem que só mesmo um louco chegaria ao ponto de cruzar os braços e passar fome até morrer.

Pode ser. Mas é melhor ter pouco numa das mãos, com paz de espírito, do que estar sempre com as duas mãos cheias de trabalho, tentando pegar o vento.

Descobri que na vida existe mais uma coisa que não vale a pena: é o homem viver sozinho, sem amigos, sem filhos, sem irmãos, sempre trabalhando e nunca satisfeito com a riqueza que tem. Para que é que ele trabalha tanto, deixando de aproveitar as coisas boas da vida? Isso também é ilusão, é uma triste maneira de viver".

(Eclesiastes 4:1-8)

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Está ficando cada vez mais difícil conviver diariamente com gente tão mesquinha.
Agora mesmo eu só queria sumir daqui. Puff! Só deixando uma fumaça mágica.
Todo dia eu peço a Deus pra me dar outro emprego.
Alguém mais aí quer orar por mim também?
Estou precisando e serei enormemente grata.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Triste. Tristinha.
Engordei. Engordei, não, ganhei massa muscular. Quase 50Kg. Obesa. Uma bunda do tamanho do Brasil. Pernas quase torneadas. Gostosa. Será que a Jennifer Lopez tem problemas com a bunda dela? É que eu nunca vi tantas referências a mim por causa dessa parte do meu corpo. Já tá enchendo o saco.
Mas não é por isso que estou triste. Cansada de passar o dia inteiro com pessoas mal-amadas. Tento ser agradável, mas só tomo patada. Agora entro muda e saio calada. Cansada. Proibida de viver. Proibida de rir ou conversar:

- Fulano, você teve que devolver o cachorrinho que comprou?
- Não quero falar nesse assunto.

- Sicrano, o que foi? Você falou que está com muita coisa pra fazer...
- Afe, como você é chata. Cala a boca.

(...)

:(

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

A gente se acostuma...mas não devia




A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.

A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.

A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.

Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.

E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

(Marisa Colasanti)

Eu não me acostumo é nunca!

terça-feira, 15 de agosto de 2006

quinta-feira, 10 de agosto de 2006




Esperar - (Maninho)

Passar e não perder de vista
Andar e não contar os passos

Falar sem perder a linha
Tocar sem poupar o tato

Há tanto tempo espero
Que nada me parece longe

Continuo passando
Andando
Falando
Tocando

Se a espera
Por somente força própria
Motiva a tudo isso
Que o amar seja o motivo eterno
De continuar esperando

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Não me faça te pegar nojo





E me deixe, que hoje eu tô azeda!
Mas quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece!
Ultimamente tenho dado de cara com cada tipo de gente que Deus me livre. Ô povinho complexado! Estou começando a achar que o problema é comigo, só pode, porque eu nunca vi ninguém atrair tantos problemáticos como eu.
Começando pelo povo da Reforma, que não sei por que cargas d´água eu continuo insistindo em pensar que são gente boa. Na verdade eu nunca vi um lugar pra ter tanta gente mesquinha.
Discuti com uma ex-amiga da igreja no orkut e depois por e-mail. Tudo isso por causa do babado de ter sido expulsa do grupo da igreja. Aliás, eu fui literalmente expulsa da igreja, mas isso é outra história. O que eu quero dizer é que no meio da confusão fiquei sabendo que outro amigo (também componente do grupo) deu graças a Deus por eu ter saído, e completou dizendo: "Deixa essa encrenqueira ir, só é uma pena por causa do carro e dos cds dela". Pense o quanto eu fiquei decepcionada em saber disso, logo eu que tinha a maior consideração por ele.

No trabalho está acontecendo quase a mesma coisa. Um cara era a maior coisa comigo vivia me enchendo de mimos, de doces, chocolates, comidinhas e de repente, da noite pra o dia, me soltou uma piada e nunca mais falou comigo. Eu, hein? Acho que na verdade ele estava a fim de mim, mas ele é casado e velho, não dei bola então resolveu agir dessa maneira comigo. Que estranho um homem velho ficar de mal de outra pessoa, assim do nada, como se fosse guri de escola!

Agora tem outro, vizinho de mesa, que também vive a me dar piadas e já está passando dos limites. Outro dia no refeitório foi bem desrespeitoso comigo dizendo: "Kkkkkk!!!! Olhando de lado assim como você está, só dá pra ver a bunda". Eu fiquei pretérita e logo em seguida completou em voz alta: "Tá vendo? Aqueles caras ali estão de olho na sua bunda!" e apontou pra uma mesa rindo novamente.
Menina, eu virei na pêga e estava escrachando ele quando outra colega chega e vem me repreender dizendo que ele era gente boa e que se ele tinha dito aquilo é porque eu tinha dado ousadia e que eu tinha que parar de encrencar ele.
Veja se alguém merece ouvir tamanha idiotice! Eu já não estou suportando mais.

Antes disso teve o lance do e-mail cheio de incoerências.
A gerência da empresa convidou algumas pessoas do meu setor pra um jantar, eu inclusive. Ao ser convidada fiquei preocupada se eu seria a única mulher a ir, se era só o nosso setor (que só tem 3 mulheres e nenhuma ia) ou se outros setores também foram convidados. Na verdade eu estava procurando algum conhecido pra poder ficar conversando no jantar, que seria num restaurante japonês onde eu não como coisa alguma e com a companhia de japoneses e turcos falando inglês.
Mando, então, um e-mail pra esse colega de sala dizendo:
"Fulano, você também foi convidado pra esse jantar?"
E olha a resposta que eu recebo:

"Isto ainda não me pertence. Um dia chego lá.
Quem sabe aos 47 do segundo tempo. Estamos aqui somente para a labuta".


Na verdade o jantar era só para os engenheiros, e os supervisores, assistentes, auxiliares técnicos não foram convidados. Só que eu não sabia disso, então respondo:

"'Estamos' se referindo apenas a você, né?
Porque eu fui convidada, mas não estou nem um pingo interessada em 'chegar lá'. Nem comida japonesa eu como!"


E então ele se retou e me mandou o discurso:

"Ok! Você não foi muito clara na sua frase já que é toda excluída, oprimida. Realmente pensei que estivesse falando dos outros convidados do qual sei que seu radar capturou tudo. Inclusive que ele não veio até mim. Você realmente é muito ligada a pequenas coisas. Vou para reuniões onde posso ir e nem por isso tiro onda com quem é menor que eu. Quanto ao interesse de ir, não conheço uma mulher em tentativas de ascensão que não fosse curiosa o suficiente para não saber do que vai rolar neste jantar. (...) Ah! Tenho faculdade que no momento é a coisa mais importante pra mim".

Fiz cara de "oxe!" e não acreditei no que li.
Na verdade ele estava pensando que eu estava humilhando ele como se dissesse: "Eu vou, você não va-ai! Porque eu tenho nível superior e você não tem-em!"
Ah, me poupe! Eu não agüento mais isso. Definitivamente peguei nojo e agora não tem mais jeito.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Eu mereço!



"Quando tu passas por mim
Por mim passam saudades cruéis
Passam saudades de um tempo
Em que a vida eu vivia a teus pés.
Quando tu passas por mim
Passam coisas que eu quero esquecer
Beijos de amor infiéis, juras que fazem sofrer
Quando tu passas por mim,
Passa o tempo e me leva pra trás,
Leva-me a um tempo sem fim
A um amor onde o amor foi demais.
Eu que só fiz te adorar e de tanto te amar
Penei mágoas sem fim,
Hoje nem olho pra trás
Quando tu passas por mim".


Não, definitivamente, eu mereço!
Se eu acreditasse em outras vidas, eu poderia jurar que fui uma pessoa muito má em outras encarnações. Eu devo ter escarrado no pão da santa ceia ou colado chiclete na cruz, só pode.
Ontem depois de um dia bucólico onde intercalei banhos de sol com banhos de piscina e de chuva, num sítio agradável com a companhia do meu namorado, chego em casa, tiro um cochilo e sou acordada por uma ligação indesejada.
Atendo sonolenta e rouca:

- A-lô...
- Erika?
- Hum... quem é?
- Não lembra mais da minha voz?
- ... diga...
- Tudo bem?
- Tudo.
- Cadê o namorado?
- Tá aqui.
- Casa quando?
- Estamos planejando. O que é que você quer?
- É que eu estava aqui pensando na vida e eu acho que eu fui muito ingrato com a sua mãe...
- ...
- Queria poder ligar pra ela pra pedir desculpas... não quero que ela tenha raiva de mim porque ela foi muito bacana comigo como ninguém nunca foi.
- Ah...
- Não quero voltar aí, ir falar com ela e ela não falar comigo. Ela tem muita raiva de mim, não tem?
- Hum... bem... considerando que ela financiou um carro pra você e nunca mais viu a cor do dinheiro, e que você sumiu no mundo e nunca mais deu satisfação, eu posso dizer, sinceramente, que ela não tem raiva de você, mas que ela te considera como uma pessoa morta ou alguém que nunca existiu.
- Ah, mas eu não fiz de propósito. Foi a vida, não sei explicar, não foi por maldade.
- Então também não foi por mal que você pegou todo o dinheiro da nossa conta conjunta onde só eu depositava e transferiu tudo pra conta da sua mãe?
- Não, tá vendo, não foi...
- E quando você disse que não me amava mais, vendeu as coisas que a gente tinha comprado no meu cartão e foi embora, também não foi de propósito?
- Não, não, foi sem pensar, sem analisar...
- Não foi? E depois de 7 anos você vem me dizer isso? Esse tempo todo pra me ligar hoje pra dar satisfação? Não acha que é tarde demais?
- É, foi... por isso estou ligando hoje... pra tentar consertar isso.
- Olha, não precisa ficar preocupado, porque nada que você faça vai mudar coisa alguma. Dizem que é preciso ter 3 boas atitudes pra poder corrigir 1 erro que se faz. Imagina o que você teria que fazer!
- Mas eu queria uma chance...
- Ah, sem contar quando você me traiu com uma mulher horrorosa, mãe de 6 filhos e teve o descaramento de me ligar 3 horas da manhã pra me dizer...
- Eu... eu... liguei porque você sempre me ouvia...
- Ah, e era? Ligou chorando dizendo que me amava e contando detalhes da transa.
- Eu estava mal, mas eu te amava, eu ainda amo, até hoje, você é a única pessoa que eu amei em toda a minha vida e amo até hoje.
- Olha, tá difícil, porque aquela menina não existe mais. Hoje eu sou uma mulher adulta e independente, e às vezes, muito raramente, quando paro pra pensar nesse tempo eu até duvido que tenha realmente acontecido, que eu tenha realmente tido algum tipo de envolvimente com você, porque se fosse hoje, com a pessoa que sou hoje tudo seria diferente, eu jamais sequer olharia pra alguém como você.
- É? Mas... bem... eu tenho que ir trabalhar agora... posso te ligar outro dia pra saber como pedir desculpas a sua mãe?
- Não, meu namorado vai ficar muito irritado com esses telefonemas.
- Então... tchau...
Tu-tu-tu-tu...

Depois disso Fábio ainda encontra uma aliança antiga e brincando tenta colocar no dedo. Eu grito: "NÃO, DÁ AZAR! ERA DO FALECIDO!". O bichinho de Fábio joga a amaldiçoada longe, assustado. Tomara que tenha ido parar no inferno.
Pra se ter uma idéia, a aliança era de ouro, com garantia e tudo, mas o tempo a corroeu.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Carta de amor recebida a algum tempo atrás.

Todas cartas de amor são ridículas, mas essa é no mínimo, criativa. Encontrei por acaso na minha caixa de e-mail e achei que tinha que deixar aqui registrado.
Carta de amor recebida a algum tempo atrás.

"hum... Será que eu devo pedir, para a fábrica de sabonete, permitir que eu beije cada sabonete, para que o meu beijo chegue ate voce, na hora em que voce tomar uma ducha... no calor que faz... nessa cidade linda?...
Ohhhh... Mas assim os meus beijos podem atingir outras pessoas!!! E isso nao pode acontecer, pois os meus beijos sao só seus...

Eu abri, no meio da floresta, um buraco numa rocha. Foi dificil. Foi muito dificil. Quando eu terminei, eu cavei a terra. Toneladas de terra eu tirei de lá de dentro. Atingi novamente uma camada de rochas. Estava escuro. Eu só podia tentar quebra-las quando o sol estava alto. À noite, enquanto eu descansava, eu falava com os bichos da floresta. As corujas e os grilos sao muito amigaveis. Questionavam o motivo de eu estar fazendo aquilo. Mas eu nada respondia. Alguns me ajudaram a levar as pedras e terra, para longe. E as aproveitaram. As formigas gostaram de ter suas casas em morrinhos novos e revoltos. Os castores aproveitaram as pedras, para reforçar suas represas. Cavei e quebrei rochas, ate chegar num vao subterraneo. Senti algo borbulhar. Subi ate a superficie, e cortei um bambu. Peguei um pedaço de pele de onça, e amarrei no bambu. Depois eu peguei uma lasca do bambu, de uns 70 centimetros, e o usei tudo como um arco e flecha.

Acertei no fundo do buraco que eu abri. Foi o suficiente para um jato de agua subir com toda a força. Seu diametro de 3 metros, foi tomado por uma coluna de agua limpida que subia uns 200 metros. Eu nao perdi tempo. Abri uma valeta, na direçao de Sergipe, e na direçao da Bahia. A agua notou o meu intuito, e me seguiu, formando um rio volumoso, e rapido. Às suas margens, cresceram lindas flores, lindas plantas, e arvores de todo tipo de especie. as macieiras, em especial, mostravam suas maças grandes como melancias, vermelhas e doces, como mel... as abelhas vieram velozes, e construiram suas colmeias na beira do rio. Eu pedi para elas abrirem uma portinha na parte de baixo da colmeia. Assim, o que fosse feito a mais de mel, cairia no rio. e seguiria junto com a agua, que ja ia num ritmo apressado. Eu ficava 24 horas ali, abrindo a valeta que se estendia por centenas de quilometros. E os castores, formigas, e abelhas, resolveram me ajudar nisso tambem. Com suas maozinhas pequeninas, eles retiravam quilos e quilos e ate toneladas de terra. Os elefantes tambem vieram me ajudar, replantando arvores em outros lugares, para nao atrapalhar o fluxo da agua. As girafas tiravam os matinhos mais altos, que poderiam cair no rio, e dificultar a passagem da agua. uma delas, eu reconheci. ela era a girafa que tinha comido as fotos minhas, que eu deixei perto da janela do meu apartamento.

Finalmente, a valeta que eu abri, chegou em aracaju. A outra valeta, chegou em paulo afonso. Com cuidado e em silencio, eu fiz uma canalizaçao ate às suas duas casas. Corri de volta ate o buraco que eu fiz, e lá, na nascente desse novo rio, eu coloquei um beijo meu em cima de uma folha (folha de arvore). E eu disse: este vai para a casa da minha Kinha, em paulo afonso. E coloquei outra folha, com outro beijo meu, no rio, dizendo: este vai para aracaju. Mas depois de alguns minutos, um hipopotamo me disse, quase sem folego: "olha, a folha chegou em aracaju, mas ela nao consegue chegar no apartamento da Kinha. é lá no ultimo andar...". Entao eu contratei 300 beija-flores. E expliquei o que eles deveriam fazer. Eles deveriam ir ate o seu condominio, perto do seu predio, e ficar um embaixo do outro, e ir passando a folha que eu mandei, de bico em bico. E quando chegasse lá em cima, no ultimo beija flor, ele deveria deixar a folha no parapeito da sua janela. Eu disse para uma abelhinha, no ouvido dela, que colocasse um pouquinho de mel, junto com o meu beijo. e, se possivel, um pote de suco de laranja. E gagau tambem. E cuscuz com leite. Daí, a abelhinha me disse que a vaquinha estava viajando. perguntou se poderia usar leite em pó. e eu disse que sim.

Deu certo? Hoje voce olhou a sua janela? Viu quantas folhas estao aí?

mas eu quero ficar perto de voce, minha amada.
a sua voz, pelo telefone, me faz muuuuuuuuuito bem...
e me corta o coraçao, quando voce está dengosa, e eu nao posso te
beijar.

eu te amo muito".


É... meus namorados sempre foram surreais...
Pode rir.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Pequenos bons momentos da vida.





Dias desses aí eu aceitei participar de uma festa na academia.
Até o último dia eu estava relutante, mas reclamaram que eu nunca participava de nenhum dos eventos, então acabei aceitando. Enfim, pensei que é sempre bom aproveitar cada minutinho da vida, nem que seja pra fazer um programa de índio, numa academia bizarra com seres antológicos e caricatos.

Cheguei atrasada propositadamente e estranhei quando vi a academia vazia, alguns gatos pingados na porta e o povo meio desanimado.
Já entrei com vontade de rir, mais ainda quando eu vi o cara-mais-lindo-da-academia em pé, folheando uma revista de halterofilismo com a maior cara de quem diz: "O que é que eu vim fazer aqui?"
Acabei me aproximando dele e conversa vai, conversa vem, eu rindo pra me acabar, mangando da situação, o professor chama pra começar a festa.

O professor é o personagem mais interessante da academia e nem podia ser diferente.
O bichinho fez uma cirurgia na cabeça e acabaram deixando uma cicatriz enorme. Normalmente ele vive de boné, acho que por isso tem uma coceira brava no couro cabeludo, vive levantando o boné e com as unhas faz "ruco-ruco" em tempo de rancar o resto do pixaim. Em eventos aonde vai arrumadinho e o boné não combina, ele coloca uma meia peruca, e assim estava quando começou o discurso no meio do salão pra poder começar a festança.

Quando disseram, "pode vir que tá na mesa", o povo timidamente ficou arrodeando a mesa, comendo um amendoinzinho, um milhinho, quando soltaram o Vinho do Frei, aí a galera se animou. Eu, claro, que já estava impaciente, apesar de ter a companhia do surpreendentemente-lindo, aticei o professor pra apagar as luzes e ligar o globo estilo discoteca que tem no meio do salão. A negada aprovou, caíram no forró e eu ri mais ainda com as qualidades dos dançarinos. A animação tava massa, eu me sentindo no Quilombo dos Palmares, os ancestrais clamando, a zabumba cantando e olhos-verdes-uma-sentença-de-morte de colírio ali do meu ladinho.

Vale a pena frisar que as mulheres da academia não gostam muito de mim. Acho que é inveja porque quem conseguiria ser magra e gostosa como eu sou? Mas, enfim, nessa noite estavam todas minhas amigas. Por que será? Oh, mas elas estavam falantes! Altos papos e ele só ria, eu ria, todo mundo ria.
A mais ousadinha era uma Hérica (parece que toda Erika, seja como for a ortografia, é ousada) que é até bonitinha: loira, rosto bonito, assistente social, mas bem gordinha, e a bicha tanto conversou que acabou roubando a atenção de olhos-verdes-que-homem-é-esse-me-mate só pra ela. Eu recolhi-me a minha insignificância e sai pra circular.

No meio da bagunça improvisaram uma quadrilha de São João que mais parecia uma quadrilha de assalto a bancos. Olhos-verdes-uma-perdição já cansado da maresia entrou na dança. Aliás, todo mundo entrou, eu inclusive que fiz par com Alcidar´t (este deixou de ser Boiolar´t, largou os cabelos aloirados de franjinha e agora adota um modelito cavanhaque, cabelo arrepiado, mais masculino). O estonteatemente-maravilhoso fez par com a Hérica (claro, e ela ia largar o osso?), mas, pra minha surpresa, ele só queria estar comigo. Ri horrores com essa quadrilha que não saía do lugar. "Quebrar o caranguejo" foi uma luta, ou como diria o matuto: "Uma lôitcha!".

Depois da quadrilha frustrada, um casamento matuto. A noiva que já é feia, se esforçava pra parecer mais feia ainda pensando que isso era bonito, e enfronhada num vestido branco estava parecendo a besta-fera-saída-das-profundezas.
No meio do bafafá, faltou gente pra fazer alguns papéis, sobrou pra mim e pra olhos-verdes-já-quero. Ele, na maior simplicidade, aceitou participar de tudo. Sem nem lembrar que sendo o mais alto, mais forte, mais lindo, com aquele rosto tipo Thiago Lacerda, destava-se na negrada, ou melhor, na marronzada.
De última hora puxaram a gordinha-loira pra fazer o papel da "mulher" dele. Hum, sei! Mas ele não se empolgou muito não.
Sei que ri de dar dor na queixada com a encenação. Misericórdia, o que era aquilo? Que povo engraçado!

Resultado da festa: até que não foi ruim.
Ri bastante, conversei muito, sujei e limpei as vistas repetidas vezes, tive uma boa companhia e no final deu tudo certo. No final até que foi muuuuuito bom. No final valeu à pena. Valeu o programa de índio, valeu à pena meeeesssssmo.
E já que o post ficou grandão e eu não vou poder contar mais nada, apenas repito: é sempre bom saber aproveitar as-coisas-boas-da-vida. Hehehe!!!!

Falei e Disse.