Sonhar dói.

Um dia eu vi que tínhamos uma criança. Não sei se foi uma visão ou foi minha imaginação, mas era algo tão real quando olhava minha barriga grande, redonda, com seu filho dentro. Guardei essa imagem comigo por muito tempo, guardo até hoje e nela acredito piamente. "Um dia vai acontecer, um dia vai acontecer. Eu tenho certeza. Não acredita em mim? Eu vou ter um filho com você". Às vezes você leva na brincadeira, outras vezes percebo que  viaja na minha viagem e até imagina junto comigo como seria.
 
Acreditei nisso durante um bom tempo, mesmo quando você nem estava mais comigo. Eu tinha certeza. Eu sentia que sim. Até hoje. Hoje a esperança morreu. Ela morre também, sabia? Mesmo sendo a última. Tarda, mas não falha. Morre.  
 
Hoje, nas poucas horas ociosas do dia, fiquei pensando... esse meu "negócio de ver" é só vontade que aconteça. Não tem nada de vidência, de sexto sentido, de intuição. Hoje eu sei que é assim. No fundo, no fundo, sei que nunca irá acontecer tudo aquilo que vi. Nunca vou viver com você o que tenho vontade de viver. O azul dos meus sonhos nunca será visto com você. As viagens, os cheiros, os gostos, as risadas, as coisas novas... nunca.
 
Olho pra suas mulheres, suas muitas mulheres, e elas são tão mais bonitas e mais gostosas e livres e mais apaixonadas do que eu. Sou só mais uma, um passatempo, uma distração. É... essa condição não dá pra mim. Sou movida por sentimentos, por sonhos, quimeras, poesia. Sou movida por olhares que dizem "estou perdido". Por beijos apaixonados e abraços desesperados. E você nunca mais vai olhar pra mim de novo como me olhou na primeira vez. Certas coisas nunca irão acontecer. Nossa filha nunca vai nascer. Talvez eu nunca seja mãe. Talvez. Hoje só a certeza que nossa menina de olhos claros e cabelos cacheados, que até já tinha nome, nunca, nunca irá existir.
 
Sonhar dói.
Não quero mais sonhar.
 
 

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