É um misto de incredulidade, raiva, vazio, saudade e mais incredulidade... Uma mistura de lembranças boas e ruins. O caixão, o velório, o enterro, o cemitério, as lágrimas, a lente embaçada de tanto chorar. Gente, muita gente, conhecido e desconhecidos. Gente com muitas lembranças boas a repetir. Amigos e parentes a lembrar da sua risada, piadas, histórias, das manias, do espirro "chiquinha", do "me compre um jumento", do doce roubado no casamento, da unha grande passada na perna só para perturbar e tantas outras coisas que nem me lembrava mais. Meu pai, um homem irascível, destemperado, passional, emotivo. Foi embora da noite para o dia, sem se despedir, sem "avisar". Que feiúra, hein? Sair de fininho, ir embora assim sem nada a declarar. É o que sempre ouvimos: "não deixe para amanhã, fale agora que ama, grite, repita à exaustão". Amanhã pode ser tarde demais. Com o meu pai nada nos faltou, sempre fez de tudo nessa vida por a gente. Meu pai que sempre se despediu com "eu te amo", nem isso ficou a ser dito. Foi embora calado porque já tinha dito tudo. Não houve amanhã porque viveu o presente. Tchau, beijos, te amo. Também te amo, meu pai... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo... te amo...

Comentários

  1. Um sucinto epitáfio para um grande homem: Epitácio! Saudades...

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