O acaso zombava dela.

Mariá tinha decorado a placa do carro, assim quando visse na rua saberia que ele estaria por perto. Por meses olhou a placa de todos os carros pretos que passavam, mas nenhum nunca foi o dele. Desta vez estava distraída, mas as letras e os números pularam na sua frente. Quando se deu conta estava exatamente ao lado. Tentou manter a calma e a dignidade, buzinou três vezes para chamar sua atenção e talvez trocar algum cumprimento amigável. Buzinou, mas ele não ouviu. Foi aí que ela notou a outra no banco do passageiro: branca, cabelos longos, prestava atenção ao que ele contava, alguma história sobre assaltos, polícia, bandido, Mariah percebeu pela forma como ele gesticulava animado. 

O acaso zombava dela. O tráfego não colaborava. Foram alguns minutos observando enquanto era ignorada. Chegou a conclusão que ele fizera uma boa troca. Continuou observando e viu quando ela passou a mão pelos cabelos louro escuro de forma sensual. Viu quando trocaram beijinhos e afagos. Viu quando ele fez um carinho no ombro dela. Viu os olhares apaixonados. Viu os sorrisos de felicidade. A fila andou. Os carros da fila em que ele estava começaram a andar. Por um segundo achou que ele fosse notá-la. Achou que ele tinha lançado um olhar para a esquerda, para o seu lado, mas foi só impressão. Ele olhara para o nada. Ele a deixara para trás. Seguiu acompanhando à distância por alguns minutos até ele dobrar a esquina e sumir. 

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