- Vem cá, por que você não acredita no que eu lhe digo? Enquanto você continuar fazendo isso com todas as pessoas que gostam de você, nunca vai ser feliz com mulher nenhuma.

- Tá me jogando praga? Você além de Madre Tereza de Calcutá é bruxa também?


Ele tinha o mesmo padrão de término para todos os relacionamentos que começava. Não conseguia ficar sozinho. Não conseguia ser honesto. Trocava uma mulher por outra quando queria se livrar da anterior. Não dava satisfação, simplesmente se afastava. Era sempre assim. Quando questionado, negava, com uma voz tão doce que fazia mal mesmo ela não sendo diabética: "Não, amor, é impressão sua. Não está acontecendo nada. Deixe de ser neurótica. Está tudo bem". Enquanto isso enchia a próxima vítima de atenção. Encontravam-se todos os dias, iam aos melhores motéis da cidade, planejavam as melhores viagens. Mostrava-se ciumento e apaixonado. Com ela não tinha sido diferente.

Agora que sabia disso era alívio que sentia. Não, não estava louca. Ele estava se afastando dela, ignorando-a. Talvez com isso a fizesse sumir. Desaparecer. E enquanto ele a largava aos poucos, ela sofria aos montes. Sabia agora que nada fora sua culpa, mas nem por isso doía menos. Ele tinha roubado sua solidão e agora devolvia rabiscada, , suja de suas mãos, cheia de orelhas de burro como as páginas de um livro marcadas à caneta fluorescente. Burro. Burra. 

Comentários

  1. Anônimo7:11 PM

    Marcas que ficam incrustadas para sempre. Indeléveis. Inapagáveis. Há homens e há "cafas". Mas por quais cargas d´ águas que são os "cafas" que ficam? Seria determinismo histórico? Ou imperativo categórico que tanto Kant falava? Não sabemos. Só sentimos a dor do fim das paixões.

    AC

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