Bolhas de sabão

Diante de todos os acontecimentos chocantes que vivenciei nesses últimos dias, essa foto e esse texto me fez pensar mais sobre a vida, as pessoas, os sentimentos, a família. Ver uma pessoa tão amada indo embora para sempre, aos pouquinhos, sofrendo, minguando, se acabando é uma triste experiência.



Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo 
e depois se dissipa. Tiago 4:14, NVI

Elas flutuam pelo ar como nuvens redondas e transparentes – pequenas, enormes e medianas. Às vezes, parecem gêmeas ou trigêmeas. Com frequência, refletem os iridescentes raios do sol. Bolhas de sabão. Ficamos encantadas com elas na infância, e, como adultos, participamos da alegria do verão, soprando bolhas com nossos filhos e netos. Que delícia é observar os pequeninos tentando pegá-las com as mãozinhas!

Soprar bolhas é quase tão divertido quanto estourá-las, vendo as esferas perfeitas desaparecerem na atmosfera, sumindo como se nunca houvessem existido, como vapor. E mesmo que não as estouremos, elas se autodestroem dentro de alguns segundos.

De acordo com o apóstolo Tiago, é assim que Deus considera nosso tempo de vida, nossos 70 anos, mais ou menos (ver Salmo 90:10). Deus os vê como bolhas que estão aqui por alguns fugazes momentos, “como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”. Nossas belas casas com jardim, nossas roupas e sapatos de grife, nossa carreira, nossas discussões e mal-entendidos, nossas ambições – tudo, à luz da eternidade, não passa de bolhas!

Contudo, damos muita ênfase a acumular para o aqui e o agora. Trabalhamos dia e noite para embelezar nossas bolhinhas, aumentando-as, tornando-as mais magnificentes que as bolhas dos nossos vizinhos. Instalamos dispendiosos sistemas de segurança para proteger nossas bolhas dos ladrões e pagamos serviços de limpeza para conservá-las brilhando, imaculadas. Depois, enchemos as bolhas com numerosas esferas caras e vaporosas. Lá flutuam elas à vista de Deus como neblina que aparece por um breve período de tempo e se dissipa.

Que dizer da eternidade? Que preparativos fazemos para as mansões que Jesus está preparando para nós? Será que nos damos conta de que teremos outro lar, o eterno, quando formos levadas para o Céu? Como seria triste, naquele dia, se tentássemos continuar apegadas às nossas lindas bolhas. Elas estourarão, desaparecerão, e então perderemos a eternidade!

Que nossa oração seja: Senhor, “ensina-nos a contar os nossos dias” (Salmo 90:12), como Deus os vê – neblina – para que tomemos decisões sábias sobre o aqui e agora, bem como sobre o que está por vir.

Annette Walwyn Michael

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