Pedra que não rola cria limo

Eu tinha, então, minha vida todo planejada. Eu tinha, enfim, a certeza do que queria, como queria e quando queria. Eu via, visualizava, nas barras do gráfico de Gantt, quando cada evento deveria acontecer. Mesmo que tivessem atrasos ou adiantamentos, eu sabia que cada fase deveria ser completada, cada evento seria realizado, o projeto ia ser concluído. O projeto que me foi dado por Deus. O meu projeto de vida.

Mas é como dizem, quando a gente pensa que sabe todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas. E eis-me aqui reprogramando o trajeto pela enésima vez. Again and again. Mas nem por isso revoltada, triste ou desanimada. Muito pelo contrário. Não fui eu que pedi que a minha vida não fosse mais a mesmice de dias, lugares, pessoas e assuntos iguais? 

O medo que tenho de ficar presa anos e anos ao mesmo trabalho, ao mesmo lugar, à monotonia das mesmas paisagens, estradas, ruas, paredes iguais. Às mesmas conversas nos mesmos botecos e mesmas histórias de amores casuais. Às mesmas mesas e seus desktops, as cortinas azuis e luzes brancas, frias, halógenas.

Porque meus olhos não se cansam de ver lugares diferentes e meus ouvidos não se cansam de ouvir novas histórias. A liberdade de poder mudar de cidade, de lugar, de ares. De poder replanejar, desfazer e começar tudo de novo. A certeza de que um plano a curto prazo é mais viável de ser cumprido. Porque hoje já é sábado e o que temos para o dia é desbravar praias nunca dantes visitadas (pelo menos não por mim). Se chover, temos um rio de cultura a navegar nessa cidade.  E se eu tiver que reprogramar o trajeto um milhão de vezes, que assim seja.

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