Não saber amar

"Amor prescinde de entendimento.
Por isso não sei amar, porque sou viciada em entender". 

"Não devia te contar.
Se você guardar segredo,
Eu revelo este meu medo
De não saber amar. 

Não devia te amar. 
Mas se você guarda meu medo,
Eu revelo este segredo
Que não sei contar".

(Martha Medeiros)

Porque eu achava que estava curada. Pelo menos achava que estava forte o bastante para enfrentar a presença. A presença, talvez, o toque não. O olhar muito menos. 
Ter a certeza das mentiras sendo confirmadas por ele me machucam, abrem a ferida novamente, fazem outras novas. 
A vontade de implorar um abraço - só isso aplacaria minha ansiedade. O desejo de pedir um carinho - só isso estancaria parte da dor. Pedir pra voltar a me chamar de "amor", a me admirar, a me fazer sentir como a mulher mais gostosa do mundo. Desconcerto: 

Ele me desconcerta. Aparece e me deixa sem harmonia, me larga assim desordenada, enganada, magoada.
Ele me desconserta. Põe-me fora de funcionamento, me estraga, me desarranja. Vai embora e deixa os pedaços. 
 
Prefiro a segurança e a paz de dormir ao peito daquele que chamo de marido meu. Que me põe nos eixos, me traz à terra, me põe os pés no chão. Prefiro a paz do suave contato do seu corpo magrinho ao meu. Costumo lembrar das últimas cenas do filme Closer. Sempre me achei parecida com o personagem de Natalie Portman: apaixonada, intensa, sofredora, porém livre. Desgarrada, podendo ir e vir na hora que a dor do amor ou desamor apertasse. Hoje vejo que sou "Julia Roberts", deitada ao lado do esposo, lendo um livro, aquecida, bem acomodada, segura, tranquila. Tranquila? Dolorida. 

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