Sim, eu sou do trecho!

O post Eu Sou do Trecho é disparado o mais visto deste blog. A maioria dos visitantes chega nele através dos mecanismos de busca e a sua popularidade me faz pensar em quantas pessoas vivem ou viveram essa experiência de ter que viajar para outros lugares distantes do país e do mundo para poder trabalhar. 

Lembro que caí nesse tal "trecho" de paraquedas. Estava fugindo de ter que trabalhar em Salvador quando surgiu uma proposta de entrar numa empresa de construção de gasodutos aqui em Aracaju. Não sabia eu que estava adentrando num mundo pitoresco, cheio de particularidades, aparentemente pouco atraentes, mas incomodamente viciantes. 

Quando comecei a trabalhar nem sabia o que era um Side Boom, e meu chefe não estava muito interessado em querer me ensinar, apesar de eu ter sido contratada como engenheira trainee. O linguajar de obra também me era estranho (não sabia o que era "pedir boca", "amarrar a lata" e muito menos o que significava uma "leira") e não compreendia porque a maioria trabalhava de domingo a domingo, sem direito a feriado ou dia santo, e nem por isso reclamava (tanto). 

Side Boom - equipamento usado na movimentação dos tubos.
Só passei a compreender melhor o que era o trecho quando a obra mudou para o interior da Bahia. Morar em Repúblicas é uma experiência à parte. A convivência, o estar longe de casa, sem suas "coisas" e com seu guarda-roupa resumindo-se a duas malas, no máximo, era muito estranho, mas com um gosto de liberdade e desapego único. 

Enquanto estava em Esplanada minha experiência resumia-se apenas ao Canteiro, mas só em Teixeira de Freitas é que pude vivenciar o trecho de verdade, com seus morros, sol de quarenta graus, poeira, chuva, lama e muito cansaço. Apesar de todo o desgaste físico (e da raiva que eu passava), o dinamismo de andar nas "fases", intercalando a estagnação de estar sentada no escritório, fazia o trabalho ser gratificante.  

Antes que alguém pergunte, sim, esse negócio horroroso
nas pernas (perneiras) é um EPI e portanto, obrigatório. 
Não posso deixar de falar também do aspecto sentimental. No trecho os amores muitas vezes são intensos e quase sempre duram muito pouco. Casamentos acabam, mas outros são construídos (conheço muitos casos) e foi nessa época que conheci Marido Meu. Sim, o trecho me apresentou aquele que poderia ser apenas mais um e na verdade se tornou o único. Eu que estava ali por pura aventura, encontrei o amor da minha vida! Casei-me com um trecheiro, quem diria!

Além dele tenho que falar das amizades que fiz. Pessoas tão especiais, com quem convivi dia e noite durante tanto tempo, que só de lembrar que estão  hoje longe de mim, me parte o coração. Talvez eu nunca mais volte a trabalhar com esses amigos novamente, talvez eu nunca mais conviva com eles novamente, mas vou levá-los comigo para sempre. É muita saudade. Mas isso é assunto para um outro post. 



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